🎥 ⚽ Casa Pia-Benfica | Pós-jogo

03h20 CEST

07/04/2026

PÓS-JOGO

De forma direta, após o Casa Pia-Benfica (1-1), jogo da 28.ª jornada da Liga Betclic, que decorreu no Estádio Municipal de Rio Maior, nesta noite de segunda-feira, 6 de abril, José Mourinho abordou desde logo a realidade matemática das águias neste Campeonato.

Antes de analisar o desafio na sala de imprensa, o treinador encarnado foi taxativo, na abordagem à partida com os gansos, na entrevista rápida à Sport TV.

"Eu diria que nós perdemos as últimas possibilidades que teríamos de lutar pelo título e deixamos de depender de nós próprios para ficar em 2.º lugar", referiu o técnico, assumindo que não gostou da 1.ª parte.

"Ao intervalo, falámos sobre aquilo que teríamos de mudar taticamente, mas também tentei que eles percebessem, porque às vezes há alguns que parece que não comem futebol, que não respiram futebol e parece que se esquecem às vezes das realidades. Fiz-lhes um bocadinho de matemática. Não ganhando este jogo, a luta pelo título – difícil, mas possível – acabava e deixávamos de depender de nós próprios, porque, se ganhássemos o jogo de hoje, dependíamos só de nós para ficar em 2.º lugar", disse.

Após a conversa com os jogadores durante o intervalo, José Mourinho até notou diferenças positivas. "A equipa melhorou muito na 2.ª parte, criou muitas oportunidades. E depois, aí, vem aquilo que você diz, que é quando se está a ganhar um jogo [por 0-1], em que o adversário não faz um remate à baliza e em que tivemos 75% ou 80% de posse de bola – uma coisa absurda –, há displicência. Não há aquela energia, não há aquela fome de quem está realmente a jogar muito, eu diria a jogar tudo, porque, para ficar em 3.º lugar, eu acho que até podemos perder os jogos todos, ou quase. Para quem estava a jogar tudo, é um lance que não pode acontecer", considerou, abordando em concreto o momento do 1-1.

Todavia, para José Mourinho, o desempenho encarnado justificou a vitória.

"Obviamente, aquilo que jogámos era o suficiente para ganhar o jogo, mas às vezes há jogos como este, contra este tipo de equipas, que dizem que querem ganhar, mas não querem. Querem empatar. E eu não condeno isso. Condeno o árbitro que o permite. Condeno a senhora VAR que dá 6 minutos de desconto num jogo como este, mas não condeno o adversário que está a jogar com fome de não descer de divisão, com fome de mais um ponto. Portanto, sim, estou profundamente dececionado. Não gostei de nenhuma das 3 equipas, mas, repito, o Casa Pia tinha fome deste ponto e lutou como pôde por isso", frisou.

O timoneiro das águias partilhou igualmente a sua opinião sobre a equipa da arbitragem.

"O árbitro, penso, sem influência no resultado, com muita influência num jogo pobre, porque ele também foi muito pobre. E um Benfica que na 1.ª parte foi muito pobre em termos da sua atitude, que na 2.ª parte melhorou a todos os níveis, e que depois acaba o jogo e, entre aspas, o Campeonato, da maneira como você disse, com uma situação displicente que não pode ter com um resultado de 1-0."

Questionado sobre a falta de fome mencionada, recusou que esse fator tenha sido exclusivo para as contas do Benfica na Liga.

"Não, eu acho que há muitos fatores. E o Benfica exige que, mesmo não lutando pelo título nos jogos que faltam, nós pensemos nestes jogos e nestes campeonatos. Há muitos fatores que influenciaram este Campeonato. Não vamos fugir a essa verdade. E fatores externos que não são controláveis por nós e que tiveram um impacto gigante neste Campeonato e que seguramente irão continuar a ter. No que nos diz respeito, sem ter tido nunca até agora a verdadeira tristeza da derrota, temos muitos empates com tristeza de derrota", observou, detalhando várias partidas.

"Temos este empate, temos o empate que começou logo no primeiro dia, o empate em casa com o Santa Clara no último minuto, depois empatámos em casa também com o Casa Pia, aí com influências externas. Empatámos em Tondela, empatámos com o Braga com influências externas, e por aí fora. Mas obviamente que este jogo é um exemplo, eu não diria de falta de fome porque não há gente má ali, ali não há gente arrogante, não há gente desrespeitosa... Não me interpretem mal, porque não existe isto ali. Aquilo que existe são determinados perfis, em que uns são perfis de gente que, independentemente da conta bancária, independentemente do estatuto, dos títulos, tem fome e há outra gente que parece que leva esta vida de uma maneira leve, e isso entristece-me porque eu não consigo. Sou treinador há 20 e tal anos e não consigo modificar a minha maneira de ser e de estar. Faz-me um bocadinho de confusão que às vezes haja jogadores a quem – eu repito: não são más pessoas, não são maus profissionais – lhes falta verdadeiramente aquele caráter", vincou.

Evidenciando que os encarnados controlaram o jogo, reiterou a "ambição" do Benfica na etapa complementar diante de uma equipa "que defendia como defendia". "E mandavam-se para o chão e perdiam tempo, e o árbitro a pactuar e a deixar. Também não é fácil, mas na 2.ª parte jogou-se. Agora, tens um lance em que é preciso fazê-lo de uma maneira eficaz, séria, não dar a mínima hipótese ao adversário, porque quando se ganham campeonatos, ganham-se muitas vezes com resultados de 1-0 em situações de dificuldade", asseverou.

Sobre os Benfiquistas, reconheceu que estão "obviamente frustrados", mas não mais do que o próprio José Mourinho nem de quem vive "com paixão profissional também".

OS CUSTOS DA DIVISÃO DE PONTOS

"Acho que é melhor começarmos pelo mais importante. Perdemos as possibilidades que ainda tínhamos de ser campeões, de lutar pelo título até final, e perdemos também o controlo sobre poder ficar em 2.º lugar, que dependia só de nós e que, neste momento, já não depende só de nós, depende também dos resultados que possam acontecer. Ou seja, perdemos muito com este resultado, acho que isto é o mais importante a retirar. Relativamente ao jogo, se partirmos desta base, ou seja, o que o jogo significava, não fizemos tudo para o conseguir [vencer]. Se, na 1.ª parte, nos faltou intensidade, determinação, vontade de acabar com o jogo, e entrámos numa cadência muito confortável, com o controlo total do jogo, sem perigo nenhum do nosso adversário, mas uma tendência morna, um controlo, diria, ineficaz, na 2.ª parte foi completamente diferente. Acho que a entrada de Prestianni também nos deu muita coisa, a equipa começou a jogar mais rápido, começou a construir, começou a ter boas oportunidades, começou a ter um caudal muito mais objetivo. O golo, muitos pontapés de canto, mais algumas oportunidades contra uma equipa que, obviamente, era muito difícil, porque tinham fome do ponto, não dos pontos, como disse o míster na antevisão. Eles não tinham fome de pontos, eles não jogaram para os pontos, jogaram para o ponto. O árbitro também, sem ter influência nenhuma em decisões importantes, porque não me parece que tenham existido, mas contribuiu também para este tipo de jogo muito fraco. E depois, quando estamos a ganhar um jogo desta natureza, em que o adversário não faz um remate à baliza, temos de ser nós quase a fazer a assistência para o golo do empate, o que denota, na minha opinião, falta daquela... de ser sagaz, de ser objetivo, de ser matador, porque, quando se diz matador, muitas vezes diz-se matador na área adversária, mas também há o matador perto da tua área. E acabamos por… eu nem quero dizer empatar o jogo, eu prefiro dizer que acabamos por perder o Campeonato e de estarmos em dificuldade para o 2.º lugar, porque deixamos de depender de nós."

NECESSIDADE DE JOGAR A VIDA

"[Disse na flash interview que há jogadores que não comem futebol, e falou também em alguma falta de caráter, eventualmente. Não conseguiu convencer a equipa da importância daquilo que estava aqui em jogo. Porquê?] Não fui bem-sucedido. Falta de caráter acho que é um bocadinho agressivo, como eu dizia também. Ali, não há gente má. Ali, há gente boa, há profissionais que trabalham. A minha frustração – ainda eu lhes dizia depois do jogo – é que quem treina como eles treinam, chegar a um jogo desta natureza, desta importância, e ter os primeiros 45 minutos que nós tivemos, sem aquela urgência, sem aquela necessidade premente de ganhar... São coisas diferentes, é mais fácil fazer o que o Casa Pia fez do que fazer aquilo que nós tínhamos de fazer. Mas o Casa Pia, para lutar por este ponto... simularam, mandaram-se no chão, o banco quase que invadia o campo, protestavam por tudo, os jogadores com cãibras a conseguirem ainda vir para trás. Fizeram tudo para sacarem o seu pontinho, e eu dou-lhes mérito e não os critico. Quem é que eu critico? Critico o árbitro, que o deixou fazer; critico a senhora VAR, que dá 6 minutos num jogo desta natureza, ainda que depois eles possam ter dado mais alguma coisa; critico a minha equipa, e, quando critico a minha equipa, critico-me a mim próprio. Quando tu me dizes se eu não os consegui convencer, a minha intervenção ao intervalo foi exatamente: 'Há duas coisas para falar. Uma são aspetos táticos. OK, vamos falar, vamos tentar melhorar aspetos táticos. E outra é matemática, que eu acho que vocês não fazem.' E comecei a fazer contas no flipchart, e a conta era muito simples. Estamos a 8 pontos do FC Porto. Se ganharmos vamos para 5, se ganharmos ao Nacional vamos para 2, e o FC Porto entra no Estoril a 2 pontos de nós. Se empatamos este jogo, de 8 vamos para 7, acabou. Simples. Estamos em controlo da nossa situação relativamente ao Sporting. Se perdermos hoje, já não estamos. Mesmo ganhando ao Sporting, já não estamos em controlo. É isto que este jogo significa. Pensei que os tinha convencido. Acho que a maneira como a 2.ª parte corre... sem ser uma 2.ª parte do outro mundo, mas é 2.ª parte para ganhar o jogo facilmente, e depois aquela situação que dá origem ao golo do Casa Pia, parece-me que é aquele tipo de situação onde tu não sentes que jogas a vida. E eu – se calhar mentalidade démodé – sou daqueles que pensam que no futebol se joga a vida a cada minuto, a cada lance, a cada bola, e aí eu não tenho sido suficientemente bom para transformar alguns caracteres. Repito, não maus caracteres, mas transformar alguns caracteres em caracteres que sejam efetivamente jogadores para se jogar pelo título."

PAVLIDIS, IVANOVIC E ANÍSIO CABRAL: FÓRMULA PREPARADA

"Ainda ontem [domingo] voltámos a treinar, e a ideia era óbvia: perante equipas que deixam um único jogador na frente, ainda que depois tentem sair com os alas... Nenhum problema em assumir um contra um naquele tipo de situação, ainda que houvesse risco, mas o risco já estava inerente ao nosso empate. Dar largura, não com laterais, com falsos laterais, mas dar largura com alas puros, alas ofensivos. Prestianni e Schjelderup, que, para mim, foram provavelmente 2 dos nossos melhores jogadores, dos mais produtivos que tivemos, um único médio, contra uma equipa que não tinha posse, e depois os 3 atacantes na zona central, com o Sudakov por trás. Sempre que o fizemos no treino, as coisas correram muito bem. Hoje, quando isso acontece, é praticamente ao minuto 80. Do minuto 80 ao minuto 90 não houve jogo. Do minuto 90 ao minuto 96 – que a senhora VAR deu esses 6 minutos –, também praticamente não houve jogo. É difícil de avaliar, mas, mesmo assim, tivemos alguma boa ocupação da área. Visto à distância, parece-me que o Anísio tem uma ou duas oportunidades para fazer golo. Há um cruzamento do Pavlidis, na direita, que depois deve encontrar os outros dois atacantes na zona central. Acho que o cruzamento é muito forte. Não deu."

PEÇAS E RENDIMENTO NOS CORREDORES LATERAIS

"[Melhoria da equipa na 2.ª parte com a utilização de extremos abertos?] Sim, eu acho que foi. O motivo pelo qual o Prestianni não começou o jogo foi muito simples. No regresso da Argentina, chegou doente, com febre. Ontem [domingo], mostrou-se disponível para vir e para nos ajudar, e foi o motivo pelo qual eu não comecei o jogo com ele, porque acho que, se neste momento nós temos alguma coisa que está a funcionar bem, é o Prestianni na direita e o Schjelderup na esquerda. Portanto, este foi o motivo pelo qual o Prestianni não jogou a titular. E, depois, lá estão as coisas paralelas. Após um empate como este, provavelmente não fazia muito sentido que eu as nomeasse, nem quero ir buscar isso como desculpa, mas, como treinador, sinto isso: Dedic é Dedic. A sua intensidade, a sua irreverência, a maneira como ataca defesas, a maneira como impõe um ritmo mais agressivo à equipa é importante, e dois jogos de suspensão, quando a maioria dos cartões vermelhos neste Campeonato nunca deu origem a dois jogos de castigo... Quando, inclusivamente, por gestos agressivos, ofensivos, levam um jogo, o Dedic leva dois e não joga este jogo. Apanhámos um Bah – espero que no FC Porto não me interpretem mal – um bocadinho à imagem do Froholdt que o FC Porto apanhou [com o Famalicão]: chupado fisicamente por 120 minutos de jogo, chupado psicologicamente por ter perdido uma qualificação para o Mundial. Senti muito a falta do Dedic num jogo como este."

DECISÃO DE MOURINHO: CONTINUAR NO BENFICA

"Se aconteceu alguma coisa durante o jogo, eu não sei. Antes do jogo não aconteceu nada. O Jorge Mendes é o meu agente, mas eu sou dono da minha decisão. Sou eu que... [Qual é a sua decisão?] A minha decisão é que eu gostava de continuar no Benfica."

LUTAR PELO 2.º LUGAR

"O objetivo principal é lutar pelo 2.º lugar, que, como eu disse anteriormente, já não depende de nós. Mesmo ganhando todos os jogos – o que será extremamente difícil, mas é possível –, não dependemos só de nós. O Sporting teria de perder também outros 2 pontos. Mas o objetivo é lutar por isto, porque ainda é possível. Nós podemos ganhar todos os jogos, e pode ser que o Sporting tenha algum empate. Este é o objetivo número 1. O objetivo número 2 é o que não conseguimos hoje. OK, não perdemos; OK, somos imbatíveis, mas não penso que um empate como este enobreça o Benfica em alguma coisa, ou a carreira de qualquer um de nós. Depois, tenho de pensar bem, e tenho de pensar bem em conjunto, porque, neste momento, eu tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores. Mas há valores mais altos que se levantam, são ativos. Mesmo que eu não quisesse continuar com algum deles, se calhar é mais fácil não continuar tentando valorizar do que propriamente tentando hostilizar, entre aspas, mas, basicamente, é isto: ao nível desportivo, o objetivo possível é ficar em 2.º lugar, dependendo de terceiros, mas o objetivo, eu diria único, principal, é esse, é lutar pelo 2.º lugar."

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