02h50 CET
18/01/2026
Antes de analisar o encontro em conferência de imprensa, José Mourinho abordou o duelo de Vila do Conde na zona de entrevistas rápidas, à Sport TV, onde começou por enaltecer que "os jogadores fizeram um grande jogo".
"Acho que os jogadores fizeram um grande jogo, é normal que as pessoas se esqueçam, mas eu não me esqueço da maioria dos jogos que nós temos feito fora de casa. A vitória em Guimarães, a vitória em Moreira [de Cónegos], a vitória no Nacional, apesar de ter sido no minuto 90, mas o jogo que fizemos... Braga, na 2.ª parte, Dragão no Campeonato, Dragão na Taça, acho que há muitos jogos bons, que é uma alegria para muitos escondê-lo, mas hoje acho que é uma grande 1.ª parte dos jogadores, uma 2.ª parte não tão grande, mas equilibrada, boa, dominante, controladora. E se eu não estou errado – se estou errado peço desculpa –, temos mais pontos nesta jornada do que no ano passado, do que na época passada", sublinhou.
E acrescentou: "Eu digo muita 'bacorada', mas também digo algumas coisas certas, e principalmente as coisas que são analisadas de maneira pragmática, objetiva, como é o caso dos pontos. Há um adversário direto que está a fazer um Campeonato, ao nível dos pontos, anormal, obviamente pela positiva."
A exibição de Sudakov no centro do terreno, nas costas de Pavlidis, foi elogiada pelo técnico. "Já jogou muitas vezes nessa posição, e mesmo quando joga a partir da esquerda o objetivo é sempre ir para as zonas onde ele se sente mais confortável. Acho que fez um jogo bom, acho que fez um jogo em que ele foi um dos muitos responsáveis pela boa qualidade de jogo que a equipa teve. Acho que tem de fazer mais golos, tem de ser mais objetivo na zona da assistência, na zona do último passe, na zona do remate, mas bom jogo: esforçado, inteligente, decisivo na maneira como a equipa se organizou e jogou, mas estou contente com todos aqueles que estiveram em campo", frisou.
José Mourinho foi ainda confrontado com os rumores de um alegado interesse do Real Madrid nos seus serviços, respondendo de forma clara e incisiva. "Não conte comigo para as telenovelas. Há boas telenovelas, mas demoram muito tempo, depois perde-se um episódio ou dois, e depois já não se apanha o rumo da telenovela. Não contem comigo, que eu não vou em telenovelas", concluiu, antes de se dirigir para a sala de imprensa.
SATISFAÇÃO PELO DESEMPENHO COLETIVO
"[Melhor 1.ª parte do Benfica na Liga em 2025/26?] Acredito que sim, que seja, mas não esqueço tantos jogos bons que o Benfica tem feito no Campeonato fora de casa. Se na Luz temos feito alguns bons jogos, mas em alguns jogos, apesar de não termos perdido nenhum, não fomos convincentes, acho que a nossa carreira fora de casa tem sido muito convincente. A maneira como se ganhou em Guimarães, como se ganhou em Moreira de Cónegos, como se ganhou hoje, obviamente não quero falar de um empate em Braga ou de um empate no Dragão, porque são empates, não são vitórias, mas a carreira que a equipa tem feito fora de casa tem sido muito convincente. Hoje é de facto uma 1.ª parte muito, muito, muito boa, muito forte, onde o resultado 2-0 era curto para aquilo que nós tínhamos feito, contra uma equipa boa, portanto, estou super-satisfeito com aquilo que os jogadores fizeram."
SEM COMENTÁRIOS PARA COMENTÁRIOS DE FORA
"[Tem sido falado que o Benfica joga sem extremos e que Sudakov tem de jogar a 10. Hoje isso aconteceu, com Schjelderup num lado e Prestianni noutro. Efeito do que tem sido falado?] Eu acho que você tem de falar e tem de perguntar a quem fala, porque de táticas e de dinâmicas eu não percebo nada. Há quem fale dessas coisas, é de facto gente que sabe muito, gente que sabe muito, portanto acho que é melhor você falar com eles, eu percebo pouco disso."
"RESPEITO TREMENDO" PELO QUE OS JOGADORES FIZERAM
"[O que guarda do jogo?] Acho que a coisa mais importante é, depois da tristeza de uma derrota, conseguir ter energia mental, crença, autoestima para chegar aqui e para se fazer o que se fez. Jogando 90 e tal minutos na quarta-feira passada, no Norte, viagem triste, longa, decidimos internamente viajar só hoje e viajar de avião no dia do jogo, que é um bocadinho contranatura, mas ter ficado em casa mais um dia... Como eu lhes pedi, tentar transformar a tristeza e a frustração de uma derrota em positividade. Em vez de se agarrarem à derrota, agarrarem-se àquilo que fizeram, que foi tudo menos merecedor de uma derrota, e acho que eles foram capazes de o fazer. Depois, dificuldade acrescida em função de tantas lesões que temos. A presença do Enzo [Barrenechea] no banco é duvidosa, o próprio Manu também não está ainda bem, o próprio Bruma está longe de estar bem. Fizemos 2 jogos fora de casa contra 2 equipas difíceis depois de viagem para cima para baixo, para cima, praticamente com os mesmos jogadores, mudando 1 ou 2, mas tendo pouca coisa para mudar. Acho que os jogadores às vezes também merecem palavras positivas e, da minha parte, um respeito tremendo por aquilo que eles fizeram nestes últimos 2 jogos e principalmente hoje, com gente obviamente fatigada conseguir chegar aqui e ganhar de maneira... Eu considero de maneira expressiva, o resultado não é expressivo, mas acho que o modo como eles jogaram e dominaram e controlaram o jogo, acho que é expressivo."
MENTALIDADE FORTE
"O Rio Ave é uma equipa que defende 5x4x1, onde os 2 alas tentam fechar por dentro, mas, quando a bola entra no corredor lateral, são os alas que saltam. Às vezes fazem-no com um bocadinho de atraso, se a bola chegar rapidamente ao corredor, chegam com um bocadinho de atraso. E tendo 2 jogadores abertos em cada corredor, Dahl e Schjelderup de um lado e do outro lado o Luca [Prestianni] e o Dedic, aparecer o 3.º homem, seja pelo Sudakov, seja inclusive pelo próprio Pavlidis, que também baixava muito, é difícil para o adversário desde que as coisas saiam bem. Nós corremos esse risco, porque com o Rio Ave, da maneira como nós lemos a coisa, o maior perigo é bola recuperada, transição. Foi assim que na Luz nos fizeram o golo do empate, foi assim que marcaram em Barcelos agora recentemente, foi assim que marcaram ao Casa Pia também. Tem risco, quando se tem tanta bola e se perde bola, existe sempre esse risco, só que a equipa foi muito sólida. E acho que o Barreiro e o Aursnes, por detrás dessa estrutura ofensiva, deram sempre um equilíbrio muito bom à equipa nesse girar de bola e sair de um corredor e aparecer no outro. Portanto, acho que é um jogo muito bem conseguido pelos rapazes, principalmente com a dificuldade que é ter jogado quarta e voltar a jogar, e são sempre os mesmos jogadores. Foram só o Schjelderup e o Otamendi que se podem dizer frescos, porque mesmo o próprio Sudakov jogou 50 minutos na quarta-feira. Acho que foram muito fortes sob o ponto de vista mental, todo o crédito para eles."
TRATAR OS ATLETAS COM JUSTIÇA
"A forma de motivar e de preparar a equipa para este jogo é seguindo um princípio muito básico, que há pessoas que não percebem, ou há pessoas que não querem perceber, ou há pessoas que se divertem a falar de mim, principalmente a criticar, mas o princípio é um princípio muito básico, que é o princípio da justiça. E quem joga como o Benfica jogou no outro dia no Dragão, e com o jogo que os jogadores fizeram, e com a entrega que os jogadores tiveram, com a coragem que os jogadores tiveram, eu tratei-os com justiça. Justiça é carinho, empatia, compartir, conversar, dialogar, não ir para o lado de resultado, derrota, eliminação, ir na direção de grande jogo, grande personalidade, grande domínio; simplesmente foi ir para o lado da justiça. Depois analisámos o Rio Ave como analisamos sempre qualquer equipa, umas vezes bem, outras vezes mal, mas analisamos sempre. Tentámos encontrar um modo – com os jogadores que tínhamos à disposição – de dominar o jogo e de criar perigo, porque com os jogadores que nós tínhamos em campo, e com os jogadores que nós tínhamos disponíveis e com aquilo que estava no banco, onde estavam 3 jogadores, eu não quero dizer incapacitados, mas quero dizer limitados – Manu, Bruma e Enzo –, depois o miúdo [João] Rego, o miúdo [José] Neto, o senhor António Silva, que é naquela posição em que nós, com o senhor António, com o senhor Tomás [Araújo] e com o senhor Otamendi, é ali que nós estamos perfeitamente tranquilos: jogue quem jogar é uma grande dupla de centrais... E com estas limitações tentar partir para um jogo onde era muito importante ter muito equilíbrio também. Dominar, mas equilibrar, dominar, mas ter atenção a como estavas organizado no momento em que podias perder a bola. Não perdemos muitas, mas quando perdemos a equipa estava organizadinha, o Dahl, o Dedic, muito bem na reação e no controlo dos alas. Os jogadores foram muito bravos, e a sua pergunta tem razão de ser, no sentido de 'o que é que foi feito?' Nada de especial, simplesmente, e não só da minha parte, o próprio Presidente quando falou com os jogadores hoje antes do jogo um par de minutos, o Mário Branco ontem, o Simão Sabrosa há 2 dias, toda a gente foi justa com os jogadores, toda a gente foi justa, e eles responderam a essa justiça com uma grande performance individual e coletiva."
EQUIPA ORGANIZADA E EQUILIBRADA
"[Comentário à exibição de André Luiz] Não, não vou comentar jogadores do Rio Ave individualmente. Primeiro, porque são jogadores do Rio Ave, e, segundo, porque honestamente, quando se está no banco e se olha para a globalidade do jogo, não se está a seguir especificamente um jogador. Nós sabíamos que o Rio Ave era boa equipa, conseguimos definir bem aquilo que eles são, sabemos como é que eles empataram o jogo na Luz, e tentámos levar o jogo numa direção onde nós dominássemos o jogo. O resultado ao intervalo era curto, era muito importante na 2.ª parte continuar a controlar o jogo, se não marcando como podíamos ter marcado, mas pelo menos tendo uma boa coesão, não defensiva – não defendemos –, mas uma boa coesão no sentido de bola perdida, equipa organizada, equipa equilibrada."