▶️⚽ Análise de José Mourinho ao Benfica-SC Braga 

04h00 CEST

12/05/2026

PÓS-JOGO

José Mourinho, na análise do Benfica-SC Braga (2-2), jogo da 33.ª e penúltima jornada da Liga Betclic, disputado nesta segunda-feira, 11 de maio, no Estádio da Luz, considerou que as águias mereciam ter vencido, defendendo que a sua formação "fez um grande jogo", pecando apenas na "eficácia".

Nas declarações à BTV, na flash interview, o treinador do Benfica começou por elogiar os "períodos de altíssima qualidade" do futebol apresentado.

"Grande jogo do Benfica. Acho que o Benfica fez um grande jogo contra uma equipa que é difícil, uma equipa que esconde bem a bola, uma equipa que, sem criar muitas oportunidades – porque da maneira como ela joga não se criam muitas oportunidades –, foi extremamente eficaz. Devem ter feito 3 ou 4 remates e fizeram 2 golos. O Benfica fez um ótimo jogo. Com períodos de altíssima qualidade, a faltar obviamente eficácia, porque, a criar tanto, temos de fazer mais golos, mas com atitude, com coragem. Obviamente que quando se sofre o 2.º golo, e merecemos tanto ser nós a fazer o 2.º golo e a ganhar o jogo... Quando se sofre, só um grupo de rapazes que luta até ao fim como eles consegue encontrar força para igualar e trazer ainda esperança para os últimos minutos do jogo", frisou.

Acrescentando: "Se nós perdermos o 2.º lugar e o controlo do nosso destino, não foi seguramente por uma má performance, não foi seguramente por um mau jogo, seja coletivo, seja individual. O Benfica fez um bom jogo."

Questionado sobre as dúvidas em torno dos vários casos de arbitragem, José Mourinho lamentou a forma como as decisões foram tomadas.

"As questões da arbitragem? Não quero... Acho que já não vale a pena. Falta um jogo para acabar o Campeonato, pior do que aquilo que temos tido, penso que é impossível, e não me quero alongar. O Benfica há muito que vem jogando bem, principalmente neste último terço da época. Eu diria um péssimo jogo contra o Casa Pia, que foi uma situação completamente isolada, completamente fora do contexto. A equipa cresceu muito, os jogadores individualmente cresceram muito. Dominámos jogos, criámos inúmeras situações, fizemos alguns jogos, eu diria mesmo excelentes, como foi, por exemplo, o jogo de Alvalade [frente ao Sporting]. E hoje é um bom jogo contra o SC Braga, que faz um golo na primeira vez que chega à nossa área e que faz o 2.º golo na 2.ª vez que chega à área. O Benfica foi forte", frisou, antes de analisar o encontro em conferência de imprensa.

EFICÁCIA PESOU NO RESULTADO

"Saio exatamente com essas sensações de que o Benfica fez um bom jogo. Só não digo muito bom porque não ganhámos, e depois podia parecer um bocadinho contraditório. Mas um bom jogo, um jogo que mereceu claramente ganhar. Foi a equipa que jogou mais, que atacou mais, que criou mais, que teve menos eficácia – e a eficácia joga. Eu acho que eles devem ter tido 3 ou 4 remates, e se calhar só 2 à baliza, e fizeram 2 golos. Nós tivemos acho que 25 remates, onde eu diria que uma dezena deles foram verdadeiros remates, não remates para a estatística. Tivemos muitas oportunidades de golo e, repito, só não digo que foi um muito bom jogo porque não ganhámos. Mas acho que é um bom jogo sob o ponto de vista coletivo, um bom jogo sob o ponto de vista individual, boas performances sob o ponto de vista individual, um domínio claro sobre um adversário que é bom a não deixar-se dominar porque é uma equipa que normalmente tem bola, segura bola, esconde bola. Não esconderam muita coisa, nós fomos muito mais fortes, mas não ganhámos. E quando não ganhas e perdes quase, quase um objetivo, é difícil dizer que fizemos um muito bom jogo, mas o meu feeling hoje é de satisfação relativamente aos jogadores, aos esforços que fizeram, àquilo que puseram em campo em termos de qualidade. Não saio daqui defraudado pelos meus jogadores, de todo."

DECISÕES APÓS O ESTORIL

"[Se tivesse um novo contrato com o Benfica à sua frente assinava?] Não. Porque 1 de março é 1 de março e porque a última semana do Campeonato não é para se pensar em futuro, não é para se pensar em contratos; é para se pensar na missão que nós tínhamos, que era de fazer o milagre de ficar em 2.º lugar. Quando digo milagre, não me quero alongar muito, mas eu acho que vocês percebem o que é que eu quero dizer com o milagre. E a partir do momento em que nós entrámos nesta última fase da época, com estes jogos que decidiam uma coisa importante para o Clube, eu decidi que não queria ouvir ninguém, que queria estar, entre aspas, isolado no meu espaço de trabalho. E depois, como eu já disse há um par de semanas, há o jogo com o Estoril no sábado, e penso que a partir de segunda-feira já poderei responder a essa, indiretamente, a essa não... a outra pergunta, que será o meu futuro enquanto treinador e, mais importante do que o meu futuro, o futuro do Benfica."

BOM GRUPO DE HOMENS COM UMA ATITUDE INTOCÁVEL

"[Sobre o ambiente que se tem vivido com as arbitragens, notei ali no campo muitos jogadores irritados logo desde o início. Como têm vivido isso? Isso afeta os jogadores?] Relativamente aos jogadores, eu acho que é muito difícil fazer aquilo que eles fizeram, que foi, ao longo da época, sentindo muitas coisas, nunca perderem a linha da entrega, do profissionalismo, da perseverança, da resiliência. E acho que o facto de estarmos a uma jornada do final e a equipa não ter ainda perdido um único jogo, reflete bem o carácter da equipa. Obviamente que tivemos um par de jogos em que, por culpa nossa, não [tivemos] a atitude correta em termos individuais, em termos coletivos. O jogo no Casa Pia, aqueles 2 pontos que perdemos ali. Aqui em casa, o empate que também tivemos, que sofremos o golo na parte final. Há ali um par de jogos em que nem eu gostei, nem os jogadores obviamente gostaram, nem acho que ninguém afeto ao Benfica gostou. Pondo de parte esse par de jogos, com mais qualidade, com menos qualidade, eu diria mesmo que neste último terço, com muita qualidade, nós fizemos jogos extraordinários. O jogo com o Sporting é extraordinário, o jogo – enquanto foi jogo – em Famalicão, um jogo extraordinário. Hoje acho que tiveram períodos de jogo em que empurraram completamente o Braga para trás e a ter qualidade no jogo, velocidade, intensidade. A equipa cresceu muito, a equipa atingiu um nível de performance muito bom, mas, como eu te dizia, é difícil sentir coisas e continuar a lutar. E eles sentiram coisas ao longo da época, e não é fácil. Por isso eu dou-lhes esse crédito, o crédito à resiliência, à atitude, e ainda agora lhes disse, obviamente que há críticas, obviamente que haverá adjetivos negativos relativamente à equipa, relativamente aos jogadores, relativamente ao treinador, mas uma coisa é aquilo que os outros dizem, outra coisa é aquilo que nós sentimos. E aquilo que eu sinto relativamente a estes jogadores é que pelo menos sob o ponto de vista da atitude, e, repito, também ao nível da qualidade, mas fundamentalmente ao nível daquilo que dignifica os homens, que é a humildade, o respeito, é um grupo intocável, é um grupo com o qual eu me diverti muito, é um grupo com o qual eu fui para o treino sempre feliz de estar com eles, saí do treino sempre feliz de ter trabalhado com eles. É um bom grupo de homens."

CONTINUIDADE NÃO DEPENDE DA CHAMPIONS

"[O que aconteça no domingo – frente ao Estoril –, o Benfica ir ou não à Champions, influi em sua decisão de ficar no Benfica ou de ir para o Real Madrid?] Não... Você está a falar do Real Madrid e eu não estou a falar do Real Madrid. Estou a falar do Benfica. O trabalho que temos feito, para mim, não vai mudar por terminar em 2.º ou terminar em 3.º. Não é isso que vai influir no meu futuro. Obviamente que o Benfica quer jogar na Champions, obviamente que sim. Obviamente eu também, como treinador, prefiro jogar na Champions do que na Europa League, mas não tem nenhuma influência."

DAHL E O MUNDIAL 2026

"[Quero perguntar-lhe sobre a época de Dahl e se ele merece representar a Suécia no Campeonato do Mundo] Não sei. Isso não é para mim, é o [Graham] Potter que tem de tomar essa decisão. A única coisa que posso dizer é que o Samuel Dahl representa bem o que é a nossa equipa, uma equipa de boas pessoas, bons miúdos, pessoas honestas, pessoas que trabalham. Ele teve uma grande evolução desde a minha chegada até agora. Ele não é o Roberto Carlos sueco, mas, de certeza, é um bom jogador, um bom homem. É um jogador que o treinador respeita porque dá sempre tudo. Adorava que ele fosse [ao Mundial], mas essa decisão é do Potter."

SCHJELDERUP FOI DEMOLIDOR

"[O que condicionou mais o Benfica?] A diferença de eficácia entre uma equipa e a outra. Uma equipa que criou 2 oportunidades de golo e fez 2 golos. E uma equipa que criou 10, que criou 15, que teve jogadores que foram demolidores, como o Schjelderup, por exemplo, que fez um jogo completamente demolidor, de uma qualidade absolutamente incrível. Mas nós não tivemos eficácia em transformar em golos tudo aquilo que criámos. E depois, obviamente, não quero dizer que defensivamente fomos perfeitos, porque sofremos 2 golos, mas sofremos um golo com um remate fora da área, impossível para o guarda-redes defender, e um cruzamento que não consigo, neste momento, ter a leitura perfeita... mas um cruzamento do lado direito que não sei se nós poderíamos ter feito algo mais para o parar. E depois a entrada de um segundo atacante de trás com um ótimo cabeceamento. Eu não ouvi, mas custa-me acreditar que o Carlos Vicens disse alguma coisa contrária à minha. Não acredito, ele é um rapaz fantástico. Não acredito que ele tenha dito alguma coisa diferente. O Benfica merecia ter ganho o jogo. Ele deve ter dado, não ouvi, mas presumo que ele deva ter dado ênfase ao esforço dos seus jogadores, porque os jogadores merecem, e porque seguramente ele como líder o fez. Mas não acredito que o Carlos tenha dito alguma coisa diferente. O Benfica hoje, em condições normais, tinha feito 3 ou 4 golos tranquilamente e tinha ganho o jogo. Eficácia baixa relativamente à qualidade do jogo."

TOTALMENTE CONCENTRADO NA RETA FINAL DA ÉPOCA

"[Quando falou do grupo de trabalho e do quanto se divertiu com os jogadores nesta época, soou muito a despedida. Não acha que os adeptos do Benfica merecem uma resposta clara nesta altura sobre o seu futuro? Ou considera que não lhe cabe a si dar essa resposta?] Claro que me cabe a mim dar essa resposta. Você já me viu esconder alguma vez das minhas decisões, das minhas responsabilidades? Agora que ninguém me obrigue a decidir, e muito menos a comunicar decisões, porque sou eu que decido os momentos. Eu não estou em condições de lhe responder. Desde que se começou a falar de hipóteses, na minha cabeça só havia uma coisa: trabalhar e fazer o meu melhor. E não vou acabar até ao jogo com o Estoril. É o respeito que o Benfica me merece. É o respeito que a minha profissão me merece. E que ninguém toque aí, a não ser que seja algum idiota que o faça. Mas na minha dignidade profissional e na minha honestidade e no meu respeito para um clube como o Benfica é, que ninguém toque por aí. Portanto, eu tenho o direito de me ter isolado. Eu continuo a dizer que não falei com ninguém de outro clube. Agora – pronto, fala-se do Real Madrid, mas podia-se estar a falar de outro clube qualquer –, não falei com ninguém de nenhum clube. Mas a partir do momento em que entrámos nesta fase terminal da época, eu acho que não fazia sentido absolutamente nenhum fazer outra coisa que não fosse concentrar-me naquilo que é o meu trabalho. A partir de domingo terei a oportunidade. Quando você diz que soava a despedida, não soa a despedida, não. Soa ao respeito que eu tenho por eles. E soa a uma defesa antecipada. Porque o futebol tem estas coisas. O futebol é muito ingrato muitas vezes. E eles serem criticados hoje parece-me de uma injustiça. Quando eu os critiquei a seguir ao Casa Pia, saiu-me do coração, saiu-me da alma. Fui muito criticado por isso, mas essa é a minha natureza. A minha natureza é tentar ser sempre justo com os meus jogadores. E hoje, que é o dia em que se pensa que o Benfica não terminará em 2.º lugar, é o dia que eu tenho de sair e que eu tenho de os defender, porque eu acho que eles merecem. E fico-me por aqui porque não quero começar a próxima época castigado. Decidi ficar por aqui. Só falta um jogo, só faltam 8 dias. Normalmente as suspensões vêm 20 dias, 30 dias, 40 dias, 5 jogos, 4 jogos, não sei o quê. Vou ficar por aqui [As suspensões são só válidas para a Liga portuguesa...] E mesmo que seja a Liga portuguesa. Já me sucedeu em Roma começar uma época com um castigo da época anterior e confesso-lhe que é uma situação estranha, é uma situação que não é boa para um treinador, que não é boa para a equipa. Sucedeu-me isso em Roma na minha terceira época, depois da final da Europa League. E não é bom, não é bom. Portanto, por mim, e não só por mim, pelo meu clube, calma, que só falta uma semana."

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