20h20 CEST
05/08/2026
| ANTEVISÃO | ||
Antes da conferência de imprensa no Benfica Campus, em declarações à BTV e à SIC Notícias, o treinador da equipa de futebol profissional das águias fez uma primeira abordagem ao embate com o vice-campeão escocês, sublinhando a importância de estar à altura da exigência do Clube.
"Em termos de ambição, da forma que tem de ser encarado e da forma como foi encarado o último jogo. É óbvio que o último jogo tinha algumas diferenças, porque era a 2.ª mão, mas, em termos daquilo que é o jogo e da ambição de entrar sempre para vencer com esta camisola, será similar. Não sendo totalmente decisivo, porque há um 2.º jogo, é um jogo que preparámos para ganhar, respeitando e muito o adversário, como sempre. Respeitamos também a nossa história, a nossa ambição e a nossa qualidade enquanto equipa, ambicionando estar na próxima fase da Liga Europa. Foi com esse intuito que preparámos o jogo nesta semana de trabalho", afirmou.
Sobre a importância de jogar a 1.ª mão no Estádio da Luz, o técnico recusou falar numa vantagem confortável para a deslocação à Escócia, preferindo centrar todas as atenções na conquista da vitória.
"A ideia é ganhar o jogo. Eu percebo a pergunta de irmos ou não confortáveis para a Escócia: ganhando o jogo, vamos com um resultado positivo e com o resultado que ambicionamos. Falarmos aqui de conforto, parece-me descredibilizar um pouco a qualidade do nosso adversário, e eu não vou por esse caminho. Estamos a disputar competições europeias e temos de respeitar todos os adversários, que têm características próprias e diferentes das nossas. Mas temos de impor o nosso jogo e, com a nossa qualidade individual e a nossa força coletiva, levar o jogo para que possamos vencer. O objetivo é, única e simplesmente, ganhar. Se essa vitória nos der o conforto e a confiança para o próximo jogo, ainda melhor", concluiu.
Apesar da goleada frente ao St. Gallen na ronda anterior, o treinador recusou qualquer cenário de excesso de confiança, lembrando que a equipa ainda está longe de atingir o nível pretendido.
"Não há risco nenhum. É óbvio que não estava tudo péssimo no primeiro jogo e agora também não está tudo bem depois do segundo. O futebol faz-se dia a dia, jogo a jogo. É dessa forma que temos de nos preparar para o dia seguinte, sendo ele de treino ou de jogo, e sermos sempre ambiciosos. Melhorámos muito de um jogo para o outro, mas ainda estamos muito longe daquilo que será o nosso máximo. Vimos aspetos positivos e melhorias, acima de tudo na compreensão do que era preciso fazer. O que nos deixou mais satisfeitos foi os jogadores entenderem o nosso plano. A vitória, sem sofrer golos, também foi importante. Mas foi apenas o segundo jogo. Passámos com sucesso aquilo que tínhamos de fazer e agora há que preparar o próximo da melhor forma e é o que temos vindo a fazer", sustentou.
O técnico confirmou ainda as ausências de Fredrik Aursnes, Banjaqui e Ivanovic para o encontro desta quinta-feira, 6 de agosto.
"O Fredrik apresentou alguma fadiga muscular e não quisemos correr riscos. Esteve doente, tal como o Banjaqui, e nos últimos dias não estiveram com a equipa. O Banjaqui ficará de fora do jogo e o Fredrik também. O Ivanovic tem um problema num tornozelo", revelou.
Já quanto aos jogadores que regressaram mais tarde ao grupo após o Campeonato do Mundo, Marco Silva admitiu que todos estão mais preparados, deixando em aberto a possibilidade de integrarem o onze inicial.
"Estão envolvidos no jogo. Já têm mais uma semana de trabalho connosco. Depois do jogo com o St. Gallen realizámos um treino diferente para lhes dar mais minutos e situações de jogo, o que é importante para eles. Há jogadores que ainda estão praticamente em pré-temporada. Estão melhores. Se vão começar o jogo ou não, isso dependerá da minha decisão", rematou.
De que forma o Benfica vai abordar esta partida, sabendo que, nesta 3.ª pré-eliminatória, há a particularidade de disputar primeiro o jogo em casa e só depois visitar a Escócia?
Sim, tem essa particularidade diferente. Sabendo que estamos numa decisão a dois jogos, acaba por ser diferente, nesse aspeto, o fator casa num momento decisivo, que é sempre a 2.ª mão. Não o teremos, mas acreditamos que o impacto do fator casa, mesmo no primeiro jogo, estará bem presente. Esse é o nosso objetivo: jogar também com isso, saber e sentir a importância de jogar a primeira mão de uma eliminatória no Estádio da Luz e fazer com que esse impacto tenha um peso decisório no primeiro jogo. Nunca terá o mesmo peso na decisão da eliminatória que teve o segundo jogo frente ao St. Gallen, essa é a diferença. Teremos de ser capazes de dar respostas ao que o jogo for ditando. Abordagem diferente, ou não, daquela que tivemos no jogo passado. Uma equipa diferente, mas, na minha opinião, tem algumas características similares, mas é uma equipa diferente na forma como aborda o jogo, quer no momento defensivo, quer no ofensivo, embora a maior diferença esteja precisamente no momento defensivo. A ambição é claramente ganhar o jogo. Não vou pela questão de irmos confortáveis ou não para o segundo jogo com o resultado. Temos é de vencer, essa é a nossa ambição. Depois, dependendo daquilo que fizermos no primeiro jogo, poderemos ir mais confiantes para o segundo, mas apenas isso, porque nada ficará decidido amanhã [quinta-feira], de certeza.
Uma alteração, pelo menos, vai ter de fazer, já sabemos disso. Pergunto-lhe se, depois da goleada frente ao St. Gallen, este é o momento para fazer jus à velha máxima de que em equipa que ganha não se mexe ou se, pelo contrário, pensa já fazer algumas alterações, tendo em conta que alguns dos jogadores que regressaram do Mundial estão agora num momento de forma mais apurado.
Em relação à possibilidade de haver alterações, uma já existirá de certeza, como disse bem. Isso é claro, com a saída do António [Silva], que já não está connosco, fez o último jogo. Por aí haverá, naturalmente, uma alteração. Quanto às restantes... é um cliché, mas é verdade: terão de esperar por amanhã [quinta-feira] para perceber quais serão as minhas decisões. É lógico também confirmar que alguns jogadores melhoraram do ponto de vista físico. No jogo com o St. Gallen tinham apenas quatro sessões de treino, principalmente aqueles que chegaram mais tarde do Mundial. Com mais uma semana de trabalho, mais um treino com características diferentes no dia seguinte ao jogo com o St. Gallen, precisamente para lhes dar outro tipo de treino, a esses jogadores e aos que não foram tão utilizados com o St. Gallen... Estamos a falar de mais cinco sessões de treino. Foi praticamente a última semana completa que tivemos para preparar um jogo. A partir daqui e até à paragem para as seleções, não teremos outra semana normal de preparação. Ambicionamos jogar de três em três dias, essa é a realidade. Nesse aspeto, esta semana foi importante para esses jogadores. Estão melhores. Se vão começar o jogo ou não, e se haverá mais alterações para além daquela que já referiu, isso será uma decisão que tomaremos para amanhã [quinta-feira].
"Acreditamos que o impacto do fator casa, mesmo no primeiro jogo, estará bem presente. Esse é o nosso objetivo: jogar também com isso, saber e sentir a importância de jogar a 1.ª mão de uma eliminatória no Estádio da Luz"
Marco Silva
Queria perguntar-lhe sobre o lugar de capitão, que ficou disponível depois da saída de António Silva. Já tem claro na sua cabeça qual será a hierarquia e que tipo de jogadores pretende escolher para esse papel na nova época?
Do grupo de capitães do Benfica, um saiu no final da época e a questão do António aconteceu há praticamente cinco dias. Desse grupo de cinco, três continuam connosco e continuarão a fazer parte do grupo de capitães. Nos próximos dias, possivelmente, vocês irão saber qual será esse grupo. É uma decisão que tomarei muito em breve. Queria que o grupo estivesse mais completo. Desde o último domingo, antes do jogo com o St. Gallen, finalmente passámos a ter connosco todos os jogadores que já faziam parte do grupo da época passada, além de algumas caras novas que chegaram. É óbvio que ainda haverá mexidas até ao final do mercado, isso é claro. Mas o grupo de capitães está neste momento no Clube. Há três jogadores que praticamente têm presença garantida, porque já faziam parte desse grupo no ano passado. Iremos acrescentar mais um ou dois e, no momento certo, vocês saberão. Em relação ao jogo de amanhã [quinta-feira], acho que não haverá muitas dúvidas, o trabalho está facilitado para vocês. O Fredrik [Aursnes] estará fora do jogo, é fácil calcularem quem poderá ser o capitão, ou não.
Tem-se falado muito na possibilidade de Schjelderup poder sair neste mercado. Queria perceber em que ponto é que ele está para si: é um jogador que faz parte do lote dos imprescindíveis? E aproveito para perguntar se a baliza é uma das posições que o Benfica pretende reforçar até ao fecho do mercado.
Duas boas questões... às quais não vou responder diretamente. Tão fácil como isso. São boas [questões], indo por um caminho diferente para tentar chegar a algo, mas não vou responder diretamente. A primeira, para mim, é muito fácil dizer. Eu percebo o porquê de tanta conversa sobre o Andreas [Schjelderup], primeiro porque tem qualidade. O Benfica tornou pública a questão da possível renovação e da oferta que tem. A partir do momento em que esta questão é pública, há conversas à volta do mesmo assunto e isso é compreensível da minha parte, pela qualidade do jogador, pelos últimos cinco meses da última temporada, pelo excelente Campeonato do Mundo que teve, e já estou aqui a elogiar demais o jogador. Elogiando-o da forma como o estou a elogiar, acho que respondi à questão se é fundamental ou não para mim. Não preciso de ir por aí. E acho que da forma como vocês veem que nós queremos jogar, da forma como os jogadores dos corredores, além de outras posições, serão fundamentais para nós. É um jogador que tem características muito próprias quando enfrenta blocos mais baixos, um jogador que é capaz de fazer algo diferente com adversários que no processo defensivo serão fortes. E nós vamos encontrar muitos adversários no Campeonato português que se organizam muito bem, que defendem em linhas mais baixas também, e o Andreas é um jogador em que acredito muito e que é diferenciado nesse momento. Acho que já respondi à questão. Em relação à forma como tem vindo a trabalhar, como está envolvido, tem dado como sempre, e parece-me a mim que é um excelente rapaz, um excelente jogador e um jogador que tem demonstrado que gosta de estar aqui, sempre alegre naquilo que é o treino, o dia a dia. Portanto, só tenho coisas positivas a falar, independentemente do que se possa falar à volta do assunto e da proposta de renovação que tem da nossa parte. O meu objetivo é tirar o maior rendimento do jogador, fazê-lo ser melhor jogador todos os dias para depois poder ajudar a equipa, e não tenho a menor dúvida de que o irá fazer. Pela excelente qualidade que tem. Em relação à questão da baliza, para já não há nada a conversar sobre esse assunto. Eu também percebo a conversa por fora, mas, da nossa parte, não é sequer um assunto.
"Para nós, é importante sermos fortes amanhã [quinta-feira] e mostrarmos a nossa qualidade"
Com a saída de António Silva, tem apenas três centrais à disposição, sem contar com os jovens da Formação. Esperava, por esta altura, já ter um reforço para essa posição? E, numa análise mais macro, está satisfeito com o mercado que o Benfica tem feito até ao momento?
Vou responder em relação à questão do central. À segunda, não vou estar a responder, porque, para mim, é muito simples: não se fazem avaliações do mercado no princípio do mês de agosto. Há alguns assuntos ou questões que nós queremos que aconteçam de uma forma mais rápida. Por vezes, não é possível que aconteçam. Quando vamos para o mercado, principalmente para as entradas... porque as saídas, às vezes, nem estamos tão interessados que aconteçam, mas, por vezes, não é fácil que consigamos manter todos os jogadores que queremos, e não estou a falar em relação ao futuro. Estou a falar de uma forma geral, não tem nada que ver com aquilo que possa acontecer de hoje em diante, mas muito mais de uma forma geral, daquilo que é um mercado normal de uma equipa de futebol. Em relação à questão das entradas, percebendo a questão de que, no jogo passado, tínhamos dois jogadores titulares, e estávamos com o Tomás [Araújo] no banco. No primeiro jogo, na Suíça, o Tomás estava no banco, não estava sequer em condições, mas, se precisássemos dele de uma forma que não esperávamos, por algum tipo de lesão ou alguma coisa que acontecesse quer ao António [Silva] quer ao Lenglet, estava no banco e iria dar resposta, não estando nas melhores condições físicas. No segundo jogo, já de uma forma diferente. Estava muito mais disponível, quer fisicamente quer taticamente, dentro do que eram os parâmetros que queríamos para a equipa. É óbvio que, daquele jogo para amanhã [quinta-feira], há uma diferença. É óbvio que falou da questão dos três centrais, incluindo o [Gabriel] Índio, mas o Índio é um jogador muito jovem. É um jogador que vai demorar ainda o seu tempo, vai precisar de jogar alguns jogos na equipa B para ir percebendo aquilo que é a dimensão do Benfica, a dimensão tática do jogo em Portugal. Há muitas questões ainda de que ele precisa, temos de lhe dar o tempo necessário para que isso aconteça. Foi com esse objetivo que foi contratado, não foi com outro tipo de objetivo. Para o imediato, fazê-lo crescer de uma forma gradual, e que vai demorar o seu tempo, na minha opinião. Depois, quando estiver preparado para aquilo que são as exigências de uma equipa principal do Benfica, o seu tempo chegará, mas teremos de lhe dar o tempo necessário, até para não queimar aqui etapas. Há alguns jogadores que estão preparados e que estão claramente aptos a elas, há outros jogadores a quem temos de dar um pouco mais de tempo. É um jogador muito focado, que gosta de trabalhar, mas que naturalmente terá o seu tempo. Esta é a grande diferença do jogo passado para o jogo de amanhã [quinta-feira], em relação àquilo que são as soluções. Teremos, se assim tiver de ser, algumas formas de chegar lá através das características individuais de um ou outro jogador, principalmente da zona central, que possam fazer essa posição, não sendo a posição de raiz. Acho que não há que escondê-lo. Estou a referir-me à questão do Manu ou à questão do Enzo [Barrenechea] também. Esta é a realidade do Benfica neste momento. Como devem calcular, da nossa parte, não estou a falar de urgência. Às vezes, no futebol, a palavra "urgência" tem um peso a mais, mas estamos atentos, claramente queremos resolvê-la o mais rápido que conseguirmos, mas queremos resolvê-la bem, acima de tudo. Não queremos ir buscar um jogador para um ou dois jogos, e que depois, durante a época, não seja aquilo que pretendemos. Quando perdemos alguém importante – e o António [Silva] era importante, não há que esconder –, o nosso objetivo, sempre que vamos contratar, terá de ser tentar melhorar a equipa e aquilo que são as soluções para a equipa, portanto, não faria sentido... e, neste aspeto, todos nós – a começar em mim, como deve calcular, mas todos nós, Benfica, estrutura – queremos os jogadores o mais rápido que conseguirmos, porque estamos em competição. É uma posição muito específica. Noutras posições, estamos mais salvaguardados, claramente. Não estamos nessa, mas, acima de tudo, queremos ser assertivos e queremos claramente ter um reforço, e não, só pela celeridade que a questão nos coloca, irmos buscar alguém que não estejamos totalmente confiantes de que poderá ser uma mais-valia para o grupo.
"Respeitamos o adversário, respeitamos a competição e sabemos que vão tornar a nossa tarefa muito difícil. Temos de estar preparados e apresentar o nosso melhor nível para competir e vencer o jogo"
O Hearts, na época passada, sagrou-se vice-campeão da Escócia. Como avalia a história e o percurso do Hearts?
Estive muitos anos na Premier League e, por isso, acompanhávamos sempre a Liga escocesa, como é habitual. Lembro-me até de estar a ver na televisão o último jogo da época passada e toda aquela história fantástica em torno desse encontro, com a possibilidade de se sagrarem campeões depois de tantos e tantos anos. É claro que vão ser um adversário perigoso, como sempre acontece. Quando chegarmos ao segundo jogo, teremos de enfrentar o ambiente do Hearts. Para nós, é importante sermos fortes amanhã [quinta-feira] e mostrarmos a nossa qualidade, mas sempre com todo o respeito pela qualidade que eles têm e pelo que fizeram na época passada. Houve também muitas mudanças, incluindo a troca de treinador, e, naturalmente, precisam de tempo para se adaptarem. Ainda assim, estavam a competir para chegar à Liga dos Campeões, o que diz muito sobre o seu valor. Respeitamos o adversário, respeitamos a competição e sabemos que vão tornar a nossa tarefa muito difícil. Temos de estar preparados e apresentar o nosso melhor nível para competir e vencer o jogo.
Quais são as suas impressões sobre esta equipa?
É evidente que têm algumas semelhanças com as equipas britânicas, seja da Premier League ou do Championship, sobretudo pela forma como competem. O fator casa é muito importante para eles. O ambiente criado pelos adeptos faz parte da sua identidade e da forma como procuram ser fortes quando jogam no seu estádio. Isso não significa que amanhã [quinta-feira] vá ser mais fácil por jogarem fora. Pelo contrário, têm capacidade para nos criar problemas e vão obrigar-nos a estar ao nosso melhor nível. É uma equipa que respeitamos muito. Quanto ao futebol escocês, é uma realidade que acompanhamos. Há dois grandes clubes que, na maior parte das épocas, disputam o título e a rivalidade entre eles é enorme. No entanto, a época passada mostrou que, quando surge outro clube capaz de lutar com eles, isso é positivo para a competição. É bom para o Campeonato e também para quem o acompanha, porque faz com que mais equipas consigam envolver-se na luta entre os dois maiores clubes do país.