⚽ Benfica-Moreirense | Pós-jogo

02h20 CEST

26/04/2026

PÓS-JOGO

Na análise do triunfo alcançado pelo Benfica neste sábado, 25 de abril, frente ao Moreirense (4-1), na 31.ª jornada da Liga Betclic, José Mourinho destacou a possibilidade de matar o jogo nos minutos finais graças à profundidade do plantel, elogiando o grande ambiente que se viveu no Estádio da Luz.

Antes de marcar presença na conferência de imprensa, em declarações na zona de entrevistas rápidas da BTV, o treinador das águias falou de um "jogo estranho", que a sua equipa controlou até fazer a diferença nos minutos finais, quando aproveitou o espaço com frescura e velocidade.

"Foi um jogo estranho no sentido em que não podíamos começar melhor. Depois entrámos ali numa zona cinzenta de controlo, não quero dizer pouca ambição, mas de um jogo pouco fluído. Eles fazem o empate numa situação daquelas abertas à crítica e à análise interna, porque é uma situação de transição em que nós temos superioridade numérica, mas onde há um jogador que abandona a corrida defensiva e deixa o Dahl numa situação de um contra um. Depois, há o erro técnico do Dahl na abordagem à bola e eles fazem o golo. Na segunda parte, tivemos sempre o controlo. Mesmo que eles tenham tido bola em alguns momentos, não criaram perigo. Eu mexo e sabia que com esses jogadores ia trazer mais intensidade, mais profundidade e mais velocidade ao jogo. Depois, na parte final, o Vasco [Botelho da Costa] fez aquilo que qualquer treinador faria, que é, estando a perder 2-1, arriscar para tentar chegar ao empate, pois não tinham criado perigo até então. Ele mete dois jogadores na frente e fica num 4x4x2 puro. Nós, com velocidade e com espaço, fizemos o 3-1, o 4-1 e, se houvesse mais tempo, faríamos mais. Um jogo que esteve em aberto até ao fim, apesar de não termos sentido dificuldades lá atrás", analisou.

Abordando as mudanças no onze relativamente à vitória (1-2) sobre o Sporting, da jornada transata, José Mourinho justificou-as com a vontade de premiar jogadores que têm trabalhado bem e somado menos minutos, exaltando a possibilidade de ter um "banco rico" à disposição.

"Eu costumo ser um treinador que não olha muito às situações emocionais, mas nesta semana fui diferente daquilo que sou. Fui um bocadinho emocional no sentido de haver gente que merece jogar e fi-los jogar correndo um bocadinho o risco de se perderem algumas das nossas dinâmicas. Mas sabia que tinha no banco aqueles jogadores que têm jogado mais, principalmente os dois alas, que estão muito familiarizados com a nossa dinâmica e com o nosso posicionamento, seja defensivo, seja ofensivo. O Dahl começou a crescer quando teve o Schjelderup na frente, o lado direito começou a funcionar também mais e melhor, mas não me arrependo das minhas decisões, porque, no fundo, foi premiar gente que vem trabalhando bem. E, depois, treinadores com bancos ricos são treinadores privilegiados, e nós, neste momento, estamos a conseguir meter no banco muitas opções", vincou.

No Jogo das Casas, o Estádio da Luz registou uma assistência de 56 591 espectadores, e o treinador deu conta da sua satisfação por uma nova demonstração de "benfiquismo puro".

"Para os adeptos não há muitas palavras. Benfica é Benfica e Benfiquista é Benfiquista. Poder-se-ia dizer que ganhámos ao Sporting no dérbi e provocámos isto. Não é verdade, porque empatámos no Casa Pia e, no jogo seguinte em casa, com o Nacional, a situação foi igual. Portanto, não se trata de mais motivação ou de alguma esperança de poder ainda melhorar a classificação, trata-se de benfiquismo puro", elogiou.

Por fim, o treinador também comentou a entrada de Ivanovic, coroada com um bis, e as suas hipóteses de marcar presença no Campeonato do Mundo ao serviço da Croácia: "O míster é o míster, [Zlatko] Dalic é Dalic. Ele é que manda, e longe de mim querer meter o bedelho, como se costuma dizer. Com todo o respeito por ele, mas, neste momento, o Ivan [Ivanovic] está a jogar mais minutos. Estes golos demonstram aquilo que ele pode fazer em situações específicas de jogo. Eu quero acreditar, nunca lá estive e não tenho essa experiência, mas quero acreditar que o Mundial permite aos treinadores pensarem em mil e uma situações distintas de jogo. E ele, na especificidade de algumas, é um jogador perigosíssimo e que tem muito a dar às equipas. Mas, repito, com todo o respeito pelo Dalic, é ele que decide o que é melhor para a Croácia."

UM BOM BANCO COM BOAS SOLUÇÕES

"[Análise ao desempenho da equipa e a profundidade do plantel] Podíamos ter estado melhor. Não fomos consistentes no nível do nosso jogo. Mas, analisando as coisas do ponto de vista individual, vai um bocadinho na direção daquilo que tu dizes. Há boas respostas individuais, há bons jogadores, há bom plantel, há bom banco. Já há algum tempo, consigo tentar mexer com o jogo e trazer coisas novas. Porque há bom banco, há boas soluções."

TRABALHO FANTÁSTICO DE PRESTIANNI

"[Comentário aos aplausos recebidos por Prestianni e ao castigo aplicado pela UEFA ao jogador] Olha, os aplausos, se eu estivesse na bancada, também aplaudia. Porque ele tem feito um bom Campeonato, tem feito um trabalho fantástico, tem melhorado de modo incrível. Ele, neste momento, é um jogador que, sob o ponto de vista tático, é forte, sabe como se posicionar defensivamente, sabe interpretar o jogo. Depois, obviamente, tem as suas qualidades fundamentais, que são a sua criatividade, a sua técnica, o seu um contra um, a sua coragem no jogo, mas não era um jogador preparado quando eu cheguei, e tem tido uma evolução que eu acho que é por aí que os adeptos aplaudem e gostam. Por exemplo, a maneira como ele fechou o espaço interior e recuperou um passe interior alto que deu origem ao 3.º golo. Não são todos os alas que o conseguem fazer, não são todos os alas que têm essa inteligência tática e esse coração para trabalhar também defensivamente pela equipa. Portanto, acho que a ovação para ele é de um estádio que gosta daquele jogador, e é por aí. Relativamente ao castigo, eu ouvi tanta, tanta, tanta coisa na altura em que jogámos contra o Real Madrid, que eu, neste momento, estou absolutamente na expectativa para ver, ouvir e ler comentários de pessoas que falaram tanto na altura. Eu, agora, estou numa posição de expectativa e de curiosidade para ver também os comentários dessas mesmas pessoas. Por isso, abstenho-me de comentar. Estou numa posição de expectativa."

IVANOVIC EM CRESCIMENTO

"O Ivanovic também é um jovem jogador, que vem de um campeonato [belga] – com todo o respeito, é um bom campeonato, mas é um campeonato diferente. É um bocadinho como o campeonato holandês, que também é um campeonato completamente diferente do nosso. E ele teve, obviamente, de aprender coisas, teve de se adaptar. É um jogador, do ponto de vista físico, preparadíssimo. Do ponto de vista volitivo, não perde absolutamente para ninguém. Eu acho que o meu trabalho com ele tem sido mais de fazê-lo entender aquilo em que ele é bom e aquilo em que ele é mau. Aquilo em que ele é bom, ele tem de fazer muitas vezes. Aquilo em que ele é mau, ele tem de evitar fazer. Por ser um jogador tão jovem, há um dos meus assistentes que tem feito um trabalho individual com ele sob o ponto de vista técnico, para lhe melhorar determinados aspetos. É um jogador que também está em crescimento. É pena que isto acabe daqui a três semanas. Como eu disse na flash, com todo o respeito pelo meu colega [Zlatko] Dalic [selecionador da Croácia], a decisão é dele e só ele é que sabe, mas eu gostava muito que ele fosse convocado [para o Campeonato do Mundo], porque é um miúdo que merece muito."

SUBSTITUIÇÃO DE LUKEBAKIO

"Lukebakio não gostou de ser substituído. A poltrona do banco não tem culpa da frustração de um jogador que não gosta de ser substituído, e tivemos ali um bate-boca de que eu gosto. Honestamente, gosto. [O que é que foi dito?] Porque é que fui substituído? Não merecia ser substituído. Este tipo de coisa. A minha resposta foi um bocadinho mais violenta, mas não passa nada, segue."

JOGADOR E TREINADOR TÊM DE IR AO ENCONTRO UM DO OUTRO

"[Lukebakio está a desperdiçar as oportunidades que o treinador lhe tem dado?] Eu acho que o maior culpado da pouca utilização dele é o Prestianni. É um bocadinho como eu há um par de semanas dizia. Com os mesmos pontos, na época passada, o Benfica estava a lutar pelo título, e nós, agora, estamos a 4 pontos – que podem ser 5 ou 7 – por culpa do FC Porto também. Com os jogadores é um bocadinho por aí. Eu acho que o Prestianni é o maior responsável. De qualquer das maneiras, os jogadores têm as suas características e os treinadores têm as suas. Eu não sou daquele tipo que diz que o jogador tem de ter as mesmas ideias do treinador, mas também não sou daqueles que dizem que o treinador tem de mudar a sua própria natureza porque um jogador tem aquelas características. Temos de ir um ao encontro do outro. E, para não ir mais longe da minha longa carreira, foco-me só no caso específico do Benfica, eu e o Schjelderup estivemos muito longe um do outro. E, neste momento, não podemos estar mais perto. O Lukebakio tem algumas vertentes do seu jogo das quais eu não sou um apaixonado, e ele tem de se aproximar. Eu às vezes penso que se calhar o Diamantino Miranda, se estiver bem dos joelhos e com bola no pé, também rebenta isto tudo. Agora, para correr para trás e para dar ao pedal é que tu precisas de ter capacidade volitiva, precisas de ter capacidade física e, fundamentalmente, precisas de o querer fazer. Vais analisar o nosso golo sofrido contra o Moreirense e percebes exatamente aquilo que eu te estou a dizer."

PASSAR DE UM CAMPEONATO DIGNO A UM VENCEDOR

"[Como é que José Mourinho, o adepto com 25 anos de filiação, reage ao facto de este Benfica com banco, com opções, com todo um conjunto de saída, chegar a esta altura do Campeonato com uma perspectiva de poder não vencer nada?] Eu não recebi o emblema porque ou estava a jogar, ou estava a treinar, e não pude ir. Entregaram o meu emblema a um funcionário do Benfica, que se esqueceu dele na sua secretária, mas já me vão fazer chegar num par de dias. Como treinador, como adepto, como analista, como comentador – ponham-me na posição em que quiserem pôr –, eu digo isto há muitos, muitos, muitos anos: tu dependes do teu sucesso e do teu insucesso, mas também dependes do sucesso ou do insucesso dos outros. O FC Porto da época passada foi o pior FC Porto de muitos, muitos anos. E neste ano, ao nível do Campeonato, tem mais pontos – não sei se é de sempre, mas tem muitos, muitos pontos neste ano, e deve ter para aí 15 ou 20 a mais do que na época passada. O campeonato que o Benfica está a fazer também tem debilidades nossas, porque empatámos jogos que não podíamos e não devíamos ter empatado, mas é um campeonato digno. Obviamente que o Benfiquista não quer campeonatos dignos, o Benfiquista quer ganhar. Até podia acontecer que o Benfica, neste ano, com 80 pontos, fosse campeão em Portugal. Não chega. O FC Porto fez um campeonato a ganhar consecutivamente jogos. Nalgum jogo que podia não ter ganho, aconteceram alguns erros do adversário que lhe permitiram ganhar. Recordo-me, por exemplo, do golo no Santa Clara que deu a vitória ao FC Porto por 1-0. Recordo o jogo com o Arouca em que este senhor árbitro, Vasilica, deu uma grande penalidade ao minuto 90 e qualquer coisa, mas é um campeonato de mérito, em que eles estão a fazer e farão um número muito, muito grande de pontos. O campeonato do Benfica é um campeonato digno, que não satisfaz, obviamente, nenhum adepto, muito menos nós próprios. O objetivo do Benfica não é fazer campeonatos dignos. Mas a realidade é que o nosso campeonato não está a ser um desastre. Há muitos grandes clubes na Europa que têm períodos de maior dificuldade, são clubes feitos para ganhar títulos e não conseguem durante algum tempo. Esperemos que na próxima época o Benfica possa passar de um campeonato digno a um campeonato vencedor."

DINÂMICAS NOS CORREDORES

"[O que muda na dinâmica do corredor esquerdo e na ação de Dahl com a presença de Rafa ou de Schjelderup?] É fácil. O Rafa joga mais por dentro, o Dahl tem de jogar mais por fora. O Schjelderup joga mais por fora para receber bola e poder encarar, e o Dahl joga mais por dentro e apresenta linhas de passe interiores. É muito fácil. Da mesma maneira que o Lukebakio prefere jogar aberto e receber bola aberto, e o Bah jogou mais por dentro. Depois, com a entrada dos outros dois [Dedic e Prestianni], a situação tende a inverter, com o Prestianni a jogar mais por dentro. É só uma ocupação racional do espaço e nada mais do que isso."

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