02h00 CET
22/03/2026
Na zona de entrevistas rápidas, antes de analisar o duelo com os minhotos, o treinador do Benfica felicitou Luís Pinto, ex-técnico dos vimaranenses, pelo "feito extraordinário" de guiar o clube à conquista de troféus, numa alusão à Taça da Liga.
"O Vitória não ganha títulos todos os anos e o Luís conseguiu isso com grande brilhantismo", disse, enviando publicamente um "abraço de treinador experiente para treinador jovem". "E, uma vez mais, parabéns pelo fantástico feito que ele conseguiu no Vitória", reforçou, à BTV.
Passando ao triunfo na Catedral, José Mourinho considerou que este poderia, eventualmente, ter números mais expressivos. "Se nós agarrarmos no 3-0 e depois agarrarmos nas grandes oportunidades que tivemos na parte final do jogo, até podiam ter sido 5 ou 6, mas acho que o jogo não foi isso. O jogo teve um período difícil para nós. Teve um período em que o Vitória, na 1.ª parte, teve ali uns 20 minutos em que, sem nos ameaçar muito, criou-nos imensos problemas. Foi difícil para nós pressionar, foi difícil para nós roubar bola, foi difícil para nós ter iniciativa, e mérito para eles, que conseguiram transformar o jogo", admitiu.
O treinador das águias considerou que, ao início, o embate "parecia fácil". "Depois do 1-0, pensei que ia chegar o 2.º, o 3.º, e não chegou o 2.º nem o 3.º, e chegou o domínio da parte do Vitória, que fez uma boa vintena de minutos na 1.ª parte, com muita qualidade. Depois, na 2.ª parte, quando nós fazemos o 2-0, o jogo acaba, mas eu não posso deixar de dizer que a dificuldade que o jogo foi tendo para nós... Não quero dizer que o 3-0 é falso, porque podiam até ter sido 5 ou 6, mas não reflete o bom jogo que o Vitória fez", analisou.
A titularidade de Barrenechea ao lado de Tomás Araújo no eixo da defesa foi igualmente detalhada. "O Otamendi foi campeão para estar no banco e para ajudar num caso de emergência extraordinária. A dúvida seria sempre entre o Gonçalo Oliveira e o Enzo [Barrenechea]. O Gonçalo jogou num campo sintético [nos quartos de final da Youth League], 90 minutos, na quarta-feira, com viagem... Milão, um jogo a sério. O Enzo esteve a semana toda a trabalhar connosco e, posicionalmente, é confortável para ele. Quem joga a 6, jogar a central, principalmente com bola, a saída de bola, a leitura de jogo, as coberturas, é uma posição fácil de jogar. Seria difícil se nós jogássemos num bloco baixo e eles tivessem muitas situações dentro da área, que já é um habitat menos natural para ele. Se recordarmos, a única oportunidade que o Vitória teve é um cruzamento do lado direito na 1.ª parte, em que o Nélson Oliveira se liberta exatamente dos nossos centrais e toca, eu penso, mal na bola. Se toca bem, pode fazer golo", explicou.
Antes de avançar para a conferência de imprensa, o timoneiro das águias não deixou de abordar o falecimento do amigo Silvino, bem como o emotivo minuto de silêncio em memória do ex-guarda-redes encarnado, com o qual trabalhou durante muitos anos.
"A minha mulher dizia-me ontem [sexta-feira] que é difícil acreditar que ele foi embora. E continua a ser difícil, mas foi e ficam as memórias. Como eu dizia num post que tive a coragem de escrever, é tempo ainda de chorar por ele, mas vai haver, espero, muitos anos para eu e os outros grandes amigos que ele tem em Setúbal podermos rir muito. Estar com ele, trabalhar com ele – e comigo foram 18 anos, mais aqueles antes e depois de termos trabalhado juntos – e viver com ele é rir muito, e temos muito para rir, temos muito para falar dele e para recordar – porque ele é de facto daquelas pessoas pelas quais é fácil apaixonar-se", assumiu.
"Na minha casa, com a minha mulher, com a minha filha, com o meu filho... estamos todos como estamos, mas agora é olhar também para a família que ficou, para os filhos que também são parte da nossa vida, também cresceram connosco e darmos aquela força, e, como eu dizia, tentar rir muito. Mas naquele momento, não ter podido estar no funeral e vendo-o ali no ecrã, foi pesado. Vou-me recordar sempre das palavras que ele me dizia antes dos jogos quando estava comigo e posteriormente pelo telefone: 'Mano hoje vai correr bem.' O meu pai dizia-me sempre 'tenho muita fé'. O meu mano Silvino: 'Mano, hoje vai correr bem.' Quero-me rir muito à conta dele, e o pessoal que está lá em Setúbal, o Hernâni, o Paulo, aqueles grandes amigos que ele tem lá, temos de rir muito à conta dele", disse.
PRESSÃO FRUTÍFERA
"[Vitória começou a ser construída na primeira linha de pressão?] É um bocadinho verdade. Os dois primeiros golos surgem dessa pressão alta que nós organizámos bem, que nós trabalhámos bem durante a semana, mas, a partir ali mais ou menos de metade da 1.ª parte, eles, de maneira inteligente, posicionaram os jogadores de modo diferente, e foi mais complicado para nós os pressionarmos. Efetivamente, não os pressionámos durante esse período, até ao final da 1.ª parte, porque os jogadores estavam um bocadinho confusos com uma dinâmica posicional do Vitória diferente daquilo que nós tínhamos preparado. Ao intervalo, fizemos uma boa seleção de imagens da 1.ª parte, analisámos, definimos os tempos, os timings e os posicionamentos para essa pressão, e depois, na 2.ª parte, voltámos a controlar, voltámos a não ter problemas como não tivemos no início do jogo. O segundo golo acaba com o jogo. Depois, na parte final, já com gente fresca, com pernas frescas nos jogadores da frente, voltámos a pressionar mais alto, apesar de estarmos a ganhar já por 3-0, e foi quando o jogo podia ter ido para números que seriam tremendamente injustos para o Vitória. Eu acho que não criaram praticamente perigo, mas roubaram-nos a bola, tiveram a bola, roubaram-nos a iniciativa, obrigaram-nos a baixar linhas e conseguiram equilibrar o jogo durante grande parte do mesmo."
RECORDAR SILVINO
"Honestamente, teve influência na minha alegria, mas era uma coisa que já se arrastava há tempo. Família, amigos mais íntimos, tentámos ao máximo dar-lhe a privacidade que ele queria. Foi um último mês pesado, difícil, mas nunca esteve em causa a minha maneira de trabalhar. Ele próprio, enquanto esteve connosco – porque na parte final já não estava connosco –, a mentalidade dele é igual à minha. Trabalho é importante, ao trabalho não se pode faltar, e tem de se andar para a frente. Não ter podido ir ao último momento... Se ele me pudesse dizer, diria 'não venhas e vai ao jogo e ganha o jogo'. Foram a minha mulher e os meus filhos, que tinham com ele uma relação muito parecida com aquela que eu tinha, se não fosse ainda mais emocional, se calhar ainda era mais emocional do que a minha. E pronto, naquele momento eu não consegui, não consegui, porque... Ainda ontem [sexta-feira] a minha mulher me repetia: 'Parece mentira.' Pois, mas às vezes nós recordamos que é verdade. E o Silvino, no ecrã gigante do estádio, fez-me recordar, num momento em que eu já estava fixado no jogo, que efetivamente ele foi embora. Mas pronto, enquanto estiverem cá pessoas que o amam, e tem muitas, muitas, muitas, muitas, ele vai continuar vivo."
ACUSAÇÕES FALSAS
"[Sente que está a ser perseguido pelas instâncias disciplinares do futebol português?] Sabe, eu não sinto que estou a ser perseguido pelo simples motivo de que é o meu primeiro castigo desde que eu estou no Benfica, portanto, não há antecedentes. Eu nunca fui expulso no Campeonato português, nas competições portuguesas. Nunca fui expulso, portanto, não posso falar de expulsões, castigos, injustiças, perseguições. Não posso, foi a primeira vez que eu fui, mas foi evidente demais que aquilo de que me acusam não é verdade. Foi evidente demais, portanto, surpreende-me o castigo, porque o castigo tem como base uma mentira, e eu acho que a justiça, seja ela desportiva, seja ela justiça a nível social, deve partir sempre da verdade, e não da mentira. E as imagens – felizmente, havia imagens – mostram claramente que eu não chutei a bola para o banco do meu adversário. Chutei a bola para o público, como já fiz aqui no Estádio da Luz 3, 4, 5 vezes. Só que, desta vez, quiseram interpretar deste modo. Agora, perseguição, não, porque não há antecedentes."
OS RIVAIS
"[Vitória pressiona o Sporting?] Não faço a mínima ideia se lhes causará pressão ou não, porque principalmente para o FC Porto a diferença é uma diferença significativa. No caso do Sporting, como ainda temos um jogo para jogar, 3 pontos de diferença deixam ainda um ponto de interrogação grande. Se me fazes a pergunta relativamente à qualificação de ambos, e também do SC Braga, nas competições europeias, não. Olhe, fiquei contente pelo futebol português, porque são pontos importantes. Fiquei contente pelo Rui Borges, que foi massacrado depois de perder um jogo. OK, não devia ter perdido, mas eu também perdi lá e por números maiores. Fiquei contente pelo Rui, e eu digo sempre que as equipas portuguesas são sempre candidatas a ganhar a Europa League, e o Futebol Clube do Porto e o Braga estão ali para ganhar a Europa League. Ganhar a Champions é que é uma coisa mais complicada, e se você me perguntar – já sei que vão rebentar comigo – se eu gostava que o Sporting fosse campeão europeu, não gostava. Não gostava mesmo. O último em Portugal fui eu. Não gostava mesmo [risos]."
APOSTA EM SUDAKOV
"[Motivo para utilizar Sudakov em vez de Rafa atrás do ponta de lança] Eu fiz porque estavam todos a pedir que o fizesse. Não, estou a brincar. Estou a brincar, mas, se eu pusesse o Rafa e não pusesse o Sudakov, se calhar não seria você, seria outro a perguntar-me porque é que joga o Rafa, porque é que não joga o outro. Porque é que jogou o Pavlidis, e não jogou o Ivanovic, que nos deu a vitória? Porque é que jogou o Enzo a central, quando podia ter jogado o Ríos, que já jogou 20 minutos em Arouca? Porque é que não jogou um dos jogadores da equipa B? Há sempre motivos para... Alguns, eu posso explicar mais objetivamente; alguns, não posso. Meti o Sudakov, porque achei que, sem o Aursnes... A nossa equipa, quando perdeu o Aursnes, perdeu controlo de jogo, perdeu fluidez, perdeu consistência, perdeu critério, perdeu recuperar e decidir bem, andar para a frente ou andar para os lados. Perdeu muita coisa, e, não tendo um médio para substituir diretamente o Aursnes, com o mesmo tipo de características, achei que – digamos assim, falando esta linguagem de números –, se mudasse o número 10 mais vertical por um número 10 que baixa mais e que vem buscar mais jogo junto da primeira linha, podia dar um bocadinho mais de consistência à equipa. Provavelmente, quando o Aursnes voltar, voltarei à estabilidade que ele me dá, e aí já posso procurar mais jogo vertical, mas hoje achámos que era esta a melhor opção."
IDA DE OTAMENDI À SELEÇÃO ARGENTINA
"Relativamente à seleção, eu acho que eles na seleção argentina têm algo muito próprio e que, honestamente, eu admiro, que é um núcleo muito forte, sistematicamente o mesmo núcleo a ser convocado, abrindo só a porta para pequenas entradas. E mesmo que os jogadores não estejam em boas condições para jogar, o aproveitarem para estar juntos, o aproveitarem para viajar, para, eventualmente, não sei, mas internamente, trabalharem, ou mesmo trabalharem audiovisualmente, definirem coisas... eles têm este tipo de cultura lá, e o Nico [Otamendi], independentemente de ir para jogar, ou não, iria sempre. Felizmente, pode-se dizer, entre aspas, que recuperou. Se hoje tivesse jogado, havia ali um risco, mas pode perfeitamente ir para a seleção sem nenhum tipo de problema."
O "ÓTIMO JOGO" DE BARRENECHEA
"Fez um ótimo jogo, e nós sabíamos, porque tivemos uma semana longa, tivemos uma semana limpa, tivemos uma semana onde treinámos 4 dias, 3 dos quais trabalhámos taticamente. O Nico não estava, o Gonçalo Oliveira também não estava, porque estava na Youth League, e então, entre Ríos e Enzo, não havia dúvida, porque um é mais cerebral, o outro é mais impulsivo, mais emotivo. Viu-se com o excelente trabalho que ele fez no meio-campo, a pressionar, a roubar bolas, a fazer a balança pender para o outro lado. O Enzo é mais cerebral, o único problema podia ser se o Vitória nos empurrasse para um bloco baixo, com cruzamentos, com muito jogo na zona da área. Desde que fôssemos nós a ter bola, aquela posição para o Enzo é ainda mais confortável do que quando joga no meio onde a pressão às vezes acontece 360 graus, e ali não. Ele fez um ótimo jogo, um bom entendimento com o Tomás [Araújo]. Fiquei contente que o Enzo nos tivesse dado aquela opção."
SEM MOTIVOS PARA CASTIGO
"[Equacionou a possibilidade de não ir para o banco?] Não, porque eu e o Benfica, apesar de às vezes as provas serem contrárias, nós queremos acreditar na justiça. Quer dizer, mas por que motivo é que eu devo ser castigado? Por que motivo? Eu devo ter quase um recorde mundial de expulsões enquanto treinador, não sei se algum teve mais expulsões do que eu. Tive tantas em todos os países, mas sei reconhecer quando sim e sei reconhecer quando não, e esta expulsão é uma comédia. Portanto, se a expulsão é uma comédia, o castigo é uma tragicomédia. Não ter estado no banco em Arouca foi injusto, e não estar hoje seria uma dupla injustiça. Portanto, vamos ao banco hoje sem nenhum tipo de problema. Se eventualmente vier posteriormente, será uma prova de que nem sempre a verdade é posta em cima da mesa, porque toda a gente viu, não tenho dúvida."