Na análise à goleada aplicada pelo Benfica no reduto do Casa Pia, por 0-7, em jogo da 2.ª jornada da Liga Betclic disputado nesta segunda-feira, 17 de agosto, Marco Silva elogiou a mentalidade e solidez da equipa, destacando a mancha encarnada nas bancadas do Estádio Municipal de Rio Maior como a grande diferença em relação ao empate da jornada inaugural com o Académico de Viseu.
Antes da conferência de imprensa, na flash-interview da Sport TV, o treinador das águias mostrou-se muito satisfeito com a resposta dada pelo Benfica, destacando a grande exibição da equipa e o fervoroso apoio dos adeptos.
"Começar pelos jogadores, naturalmente. Depois de um resultado bem negativo para nós, no começo do Campeonato, a reação tem de ser assim: chegar e ganhar o próximo. Não estou a falar sequer dos números, mas chegar e ganhar o próximo jogo. E falar dos nossos adeptos também. Acredito que a grande diferença do jogo da 1.ª jornada para este esteve aí. Jogámos fora de casa, mas praticamente jogámos em casa e há que realçar o apoio desde o primeiro minuto, a empurrar a equipa para a frente. Ficou bem provado que fazem toda a diferença para nós e retiraram-nos isso na 1.ª jornada. Por culpa nossa, não ganhámos aquele jogo, mas retiraram-nos algo que é a grande força deste clube, e hoje conseguimos demonstrar isso com o apoio deles. Uma exibição muito boa. A entrada em ambas as partes foi como tem de ser: a querer marcar, a querer pressionar, a querer estar no meio-campo adversário, com muito boas situações. Acredito que na primeira parte deveríamos ter feito mais golos", adiantou.
Elogiando a mentalidade ofensiva numa goleada alcançada num "relvado difícil", Marco Silva fez questão de valorizar especialmente o facto de o Benfica ter terminado a partida sem sofrer golos.
"Eu sei que a vitória foi expressiva e fico muito satisfeito por não termos sofrido golos. Além da exibição e da forma como marcámos, para nós, e sobretudo para mim, é muito importante. Eu disse aos jogadores ao intervalo dois aspetos importantes: esse mesmo, não sofrer, e matarmos o jogo. Termos aquela mentalidade de matar nos momentos certos, porque nós estávamos a criar bastante na primeira parte e continuámos a criar na segunda. E depois do quinto, sexto e sétimo golo, naturalmente abrandámos, começámos a gerir já para o jogo de quinta-feira [AGF Aarhus], a colocar e a dar minutos aos jogadores que ainda estão em pré-temporada neste momento. Mas uma vitória totalmente justa da nossa equipa, da forma como jogámos. Dar os parabéns aos jogadores, mas são apenas três pontos para nós. E, mais uma vez, agradecer o grande apoio dos nossos adeptos", reforçou.
Por fim, confrontado com possíveis saídas e chegadas no mercado de transferências, o treinador dos encarnados mostrou total confiança no trabalho da estrutura, revelando que o seu foco está totalmente direcionado para o play-off de acesso à fase de liga da Liga Europa.
"O mercado está aberto, há muitos rumores, mas, como pode haver telefonemas para o nosso clube, nós também podemos telefonar para outros clubes. Faz parte, este é o momento para isso. O nosso objetivo – meu, da estrutura do Benfica, do nosso clube – é que consigamos fortalecer a equipa nas posições em que pretendemos. Será uma época muito longa, esperamos nós. Temos de fazer o nosso trabalho na quinta-feira [20 de agosto] e na próxima quinta-feira [27 de agosto]. São jogos muito importantes para nós. Para nós é fundamental estar na fase de liga da Liga Europa, isso é o mais importante para nós neste momento. E focarmo-nos naquilo que conseguimos controlar, que são os jogos, a preparação para os jogos e depois, naturalmente, a estrutura do Benfica está a trabalhar naquilo que é importante para nós", rematou.
| UMA VITÓRIA "JUSTA E SABOROSA" |
| "Uma vitória totalmente justa e saborosa da forma como jogámos. Há que dizer, e é para os dois lados, num relvado muito difícil de jogar futebol. Esse é o primeiro ponto. Se queremos proteger todas as equipas – e não estou a falar só da nossa, mas de todas as equipas e jogadores – é bom que consigamos dar aos jogadores bons relvados para se poder jogar futebol, um futebol rápido e um futebol que quem está de fora possa ver. Em relação à vitória, foi muito importante para nós. Uma reação àquele que foi um muito mau resultado para a nossa equipa na 1.ª jornada, com muito bons momentos, com bons golos e a reação que queríamos e que teríamos de ter. Por isso, parabéns aos jogadores. Em relação à eficácia que falou, eu acredito que ainda ficaram alguns golos por marcar devido às oportunidades que criámos. Mas bons golos, bons momentos de finalização e um jogo totalmente controlado desde o primeiro momento. Eu sei que a vitória é expressiva, mas, ainda assim, o que me deixa mais satisfeito foi não termos concedido golos e oportunidades praticamente ao adversário. Lembro-me do remate na 1.ª parte sobre o nosso lado direito. De resto, jogo sempre controlado e deixarmos a baliza a zero tem um sabor completamente diferente, independentemente de eu perceber que um resultado tão expressivo salta à vista. Mas, para nós, é muito importante, não sofremos." |
| BANCADAS PREENCHIDAS FIZERAM A DIFERENÇA |
| "Realçar também os nossos adeptos. Um grande apoio. Jogámos fora, mas praticamente em casa, como habitual para nós na maioria das vezes. Realçar o apoio deles. Sinceramente, a grande diferença – e temos falado de eficácia e de muitas coisas – do primeiro jogo para este tem a ver com os adeptos de futebol, tem a ver com o estádio cheio, tem a ver com aquele apoio que é único para nós e que faz com que nós andemos para a frente, que é a nossa massa adepta. Isso foi muito importante." |
| AMBIÇÃO ALIADA À COMPETÊNCIA |
| "Não há razões para pararmos, é óbvio que hoje, e vocês perceberam, vai haver momentos em que nós vamos ganhar por 1-0 e vamos ficar tão felizes como este 7-0, acredite. O futebol não é sempre assim, não vamos marcar sempre, e eu disse aos jogadores, ainda antes de jogarmos com o Académico de Viseu em casa, após dois resultados expressivos que tivemos no Estádio da Luz para a Liga Europa, que não ia ser sempre daquela forma e muito mais importante do que marcar estes golos todos é não sofrermos golos. É sermos competentes naquilo que é o nosso processo defensivo, porque isso, no tempo, vai fazer-nos ganhar muito mais jogos, depois se marcamos, se criamos mais oportunidades, se somos objetivos e se somos eficazes é outra coisa. Mas naturalmente se estamos a ganhar não gostamos de abrandar, é a nossa ideia, é assim que nós queremos ver a nossa equipa a jogar e se preparamos a equipa de uma forma não faz sentido só porque estamos a ganhar por um golo, por dois ou por três, depois alterarmos o que quer que seja. Naturalmente, os jogadores têm maturidade suficiente para dentro do campo, muitas vezes irmos gerindo. Percebeu-se nos últimos 20 minutos, independentemente de colocarmos jogadores frescos, havia já aqui uma gestão, o campo estava muito pesado, uma gestão porque estamos a jogar de três em três dias, vamos jogar outra vez na quinta-feira e rodámos cinco [jogadores]. A ideia era ainda se possível rodar mais para prepararmos também o próximo jogo. O jogo permitiu isso, mas sim, naturalmente não quisemos abdicar de nada daquilo que o jogo nos estava a dar. Se estávamos em cima do adversário, se tivemos essa capacidade porque é que iríamos alterar o que quer que seja?" |
| TRÊS PONTOS E NADA MAIS |
| "Não é aviso nenhum [aos rivais]. Nós não andamos aqui para avisar ninguém ou para fazer o que quer que seja. Nós temos de ser competentes nos nossos jogos, que é aquilo que nós controlamos e matar os jogos quando há necessidade de os matarmos e mantermos o foco sempre. É por aí. Todos os nossos adversários são muito fortes e respeitamos todos. Temos de ter a humildade suficiente para perceber que ganhámos, somámos três pontos e ganhámos um jogo de futebol. Nada mais do que isso. Eu percebo que no futebol e à nossa dimensão vai-se da desilusão à euforia muito rápido, é quase uma montanha russa. Mas eu não vou entrar por aí. Ganhámos um jogo de futebol fora de casa, com uma boa exibição, três pontos, respondemos da forma como queríamos a um mau resultado na 1.ª jornada. Tão simples como isso. Não sofremos golos, é importante e as minhas reações, já vos disse a semana passada, se calhar vou ter de ter um bocado mais de calma, se não vocês vão arranjar caso daí. Eu gosto de jogar o jogo com os meus jogadores, se puder, sempre para ajudá-los. Acho que o momento que estão a falar é o momento em que o Lukebakio acabou por cair em fora de jogo quando não há necessidade nenhuma. Ele está a ver o jogo todo do lado contrário, a bola vem do lado esquerdo, uma diagonal, não há necessidade nenhuma de estar em fora de jogo. São estes os momentos que eu quero que os nossos jogadores mantenham em consideração do princípio ao fim. Tem a ver muito mais com a minha emoção ali, nada de estar chateado ou deixar de estar chateado. Era impossível estar chateado naquele momento quando estávamos a ganhar de uma forma tão expressiva. É muito mais querer que eles façam as coisas bem e melhorem em todos os momentos do jogo." |
| MERCADO NÃO DEPENDE DA ENTRADA NA LIGA EUROPA |
| "[Jornalista: a ida ao mercado está dependente da ida à fase de grupos da Liga Europa?] "Não, nem nada que se pareça com isso. Não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra. Falando em nós, que é o que é importante neste momento, quando tentamos reforçar a equipa é para uma época, não tem nada a ver com entrarmos ou deixarmos de entrar, ninguém está aqui à espera de nada. Porque se esperarmos, e o segundo jogo é de quinta-feira a oito dias [27 de agosto], estamos a falar quase do final do mercado. Não faz sentido nenhum e não tem nada a ver uma coisa com a outra. [Jornalista: na antevisão do jogo, falou da urgência de reforços. Sentiu os jogadores espicaçados pelas suas palavras?] "Eu disse-vos: eu não mando recados. E muito menos vou mandar recados para os jogadores. Num outro momento posso falar com vocês de forma honesta e aberta, tendo que ter algum cuidado que eu já percebi. Começar a jogar o jogo que se joga aqui também, mas não mandei recados e sinceramente, aqui entre nós, vocês sabem como é que está a sociedade hoje em dia, como é que estão os jogadores de futebol. E eu acredito que 20% dos jogadores do Benfica tomam atenção às minhas conferências de imprensa. Sinceramente, esqueçam isso. Os jogadores de futebol não vão estar a olhar para a minha conferência de imprensa. Esqueçam. Isto é só a minha opinião, é uma sensibilidade que eu tenho, e acho que vocês também estão de acordo comigo, não vão estar a ver. Eu não acredito, mas pronto, eu gostava que eles ouvissem as conferências de imprensa, que era bom também, mas não acredito que eles oiçam ou vejam." |
| ALIMENTAR A CRENÇA COM ATITUDE E AMBIÇÃO |
| "Os nossos adeptos acreditarem em nós, acho que é fundamental. Se nós não fizermos acreditar quem apoia o clube diariamente, quem ama o clube, não andamos aqui a fazer nada, ponto final. E nós só podemos fazê-los acreditar com algo que nós controlamos, que são os resultados, as exibições, a atitude, muito mais. Eu sei que os resultados são sempre os que falam mais alto no futebol, mas com atitude, com o desejo de querer ganhar jogos e demonstrar isso dentro do campo. Porque o resultado é o mais importante para eles, mas há muitas coisas que são obrigação para nós enquanto profissionais de futebol, para mim e para os meus jogadores, que é o clube que representamos e a atitude que temos de colocar no campo. Em relação à euforia, disse-lhe há pouco que eu não vou entrar por aí. Eu comecei por dizer – e os jogadores sabem disso, e, se não sabem, vão ouvir já amanhã [terça-feira] – nós simplesmente somámos três pontos, nós ganhámos um jogo. Deixa-me muito, muito satisfeito, não sofrermos golos e que fizemos golos, bons golos, que os jogadores desfrutaram da nossa forma de jogar, mesmo num campo difícil. Nada mais do que isso. Se nós pensarmos que fizemos algo extraordinário, estamos completamente enganados. Daqui a dois dias, três dias, temos mais um jogo em que temos que provar outra vez, e isto é o que faz a vida de um clube grande: é provar de três em três dias, de cinco em cinco dias, seja quando for, que este já está terminado, vamos analisar – como fizemos com o Académico de Viseu – o que fizemos e preparar o próximo, que será mais um jogo difícil, em que nós temos a obrigação de sermos iguais a nós próprios, e, novamente, com o Estádio da Luz cheio num jogo de futebol." |
| FRUSTRAÇÃO DE TRUBIN É "NATURAL" |
| "[Jornalista: Trubin não teve praticamente reação a nenhum dos golos...] Mais um caso, mais um caso... [Jornalista: o facto de ter deixado de ser titular afetou-o? Falou com ele sobre isso?] Vamos por partes. Vocês estão em muito melhor posição do que eu, têm acesso às câmaras e tudo. Normalmente estou de costas para os meus jogadores naquele momento, não vejo celebrações. Conhecendo já muito melhor o Trubin neste momento do que o conhecia há um mês e meio, não tenho historial do Trubin a festejar golos na baliza, se ele festejava muito também quando estava a jogar, se não festejava, se era muito eufórico ou não. Se puxarem o filme atrás vão perceber como é que ele festejava. Isso eu não sei e não vou estar a comparar. Agora, eu ficava espantado era se o Trubin não estivesse chateado e não estivesse triste. Eu ficava muito espantado, sinceramente. Para mim, o Trubin estar triste ou estar chateado neste momento é uma situação completamente normal. O que me importa a mim, é que ele vai chegar lá amanhã [ao Benfica Campus] e não tenho qualquer dúvida que vai trabalhar e bem, como tem trabalhado nos últimos 10 ou 15 dias, não sei qual foi o primeiro jogo que ele não jogou. Chateado, triste, foi o guarda-redes titular do Benfica nas últimas três temporadas. Ele tem trabalhado muito bem, trabalhado forte, ele sabe que tem que ser assim. Agora se não está com boa cara, eu também se estivesse no lugar dele, se calhar não estava... [Jornalista: falou com ele sobre isso?] Se falei sobre a má cara dele? Não, de todo. Não vou falar. [Jornalista: não, de deixar de ser titular?] Não. Naturalmente não vou dizer as conversas que tenho com os nossos jogadores, se eu falo com eles ou não. O Trubin já me conhece bastante bem e sabe como é que as coisas funcionam e a relação é completamente honesta e aberta." |
| SUDAKOV À PROCURA DE MAIOR IMPACTO |
| "[Cumprindo aquilo que disse na apresentação, quando disse que Sudakov iria ser aposta nesta temporada, ele foi novamente titular, não marcou e não deixámos de reparar que houve alguma impaciência no Marco, quando o André Gomes defende um remate do Sudakov. O que é que ele oferece neste momento e o que tem achado das últimas exibições dele?] O Sudakov tem tentado bastante. Atenção que eu disse na apresentação – porque me foi perguntada também essa questão, e falámos de perfis de alguns jogadores e da forma como eu quero e o Benfica irá jogar – é muito importante para nós que o terceiro médio – como nós jogamos com os dois médios metidos no espaço entre as linhas – tenha características muito específicas para aquela posição. Não o vou esconder, porque eu disse naquela altura que no nosso plantel ele é um jogador que tem características muito específicas para aquilo que eu quero naquela posição. Eu percebo que ainda não fez aquela exibição de encher o olho, está a precisar de um golo, está a precisar de assistências, está a precisar de, com o caudal ofensivo que nós temos tido, de ser mais impactante ainda no jogo. Eu percebo a questão, temos vindo a falar disso, a tentar dar-lhe confiança. Eu acredito e tenho-lhe dito – e ele tem de acreditar ainda mais do que eu, não posso ser eu a acreditar mais nele do que ele mesmo. Isso é muito importante e ele percebe isso. Está a tentar dar o máximo, em alguns momentos as coisas não estão assim tão bem, percebe-se que é um jogador que está a jogar com tensão a mais, e não deve fazê-lo. Tem que desfrutar um bocadinho do jogo, porque é um jogador que trabalha bastante, quer com, quer sem bola. Com os posicionamentos que nós lhe temos dado, temos permitido que ele receba um número de bolas muito grande nas costas da linha média, depois há momentos em que tem que pôr a criatividade e a tomada de decisão ao serviço da equipa, porque nós precisamos naquela posição disso mesmo. Voltando à questão e à parte específica do Sudakov, nós temos o Rafa que pode jogar lá, mas não é um jogador com o mesmo perfil, é bastante diferente, é um jogador mais de aceleração, é um jogador não tão posicional e também temos que lhe dar esse posicionamento. Ou o Prestianni, como nós já acabámos alguns jogos também, sendo um jogador também muito mais de acelerar o jogo do que propriamente ter a calma e a paciência que nós queremos naquele posicionamento. É um pouco uma análise do Sudakov: tem tentado, nós temos de lhe dar as ferramentas e os caminhos para tentar que ele melhore e é esse o meu objetivo e a minha função enquanto treinador." |
| A "VERSATILIDADE" DE PRESTIANNI |
| "[Jornalista: como tem visto o início de época de Prestianni? Acha que tira o melhor proveito das qualidades dele ao colocá-lo no lado esquerdo?] "Até agora temos tirado. Eu disse-vos que ele fez uma excelente pré-temporada. Humildade, caladinho, tinha dois jogos de suspensão, percebeu o momento. Muitos momentos a jogar as segundas partes dos jogos de pré-temporada, a trabalhar sempre forte, a fazer bastante trabalho extra, porque ele percebia que não ia estar tão envolvido nos primeiros jogos oficiais. E depois, mal esteve apto, jogou porque senti que foram 4/5 semanas muito boas da parte dele. À esquerda, à direita, não foi tanto por aí. A decisão dele começar à esquerda foi o que nós achávamos. Nós, se nos lembrarmos do primeiro jogo que ele joga, contra o Hearts em casa, queríamos jogar com o jogador do corredor esquerdo totalmente aberto e não quisemos que fosse o Rafa esse jogador, quisemos que fosse o Prestianni por questões óbvias. O Rafa neste momento não é um jogador de corredor e daí termos colocado a equipa a jogar dessa forma e vocês sabem a exibição que ele fez nesse jogo, depois com o Académico de Viseu também. É um jogador muito forte à esquerda, também pode jogar à direita, se jogar da forma como nós temos vindo a jogar à direita com o ala mais por dentro, ele pode fazê-lo perfeitamente. O ano passado jogou muitas vezes à direita e fê-lo bem também. Portanto, é um jogador, possivelmente dos nossos alas, é o jogador mais versátil em termos de corredores, porque pode jogar nos dois e pode jogar por dentro. Independentemente, vai precisar de muito mais trabalho para jogar por dentro, para manter alguns posicionamentos no momento em que não temos bola, também para perceber os momentos de pressão. Parece fácil, mas não é tão fácil ter qualquer jogador naquele posicionamento da forma como nós queremos pressionar. Mas estou muito satisfeito com ele. Onde ele vai jogar ou onde vai jogar mais vezes é impossível dizer-lhe neste momento. A concorrência é forte, do lado esquerdo temos lá mais dois jogadores, um deles que fez seis meses fantásticos na época passada, vocês sabem de quem é que estou a falar. Portanto, a concorrência é importante para o Benfica para os jogadores não se sentirem confortáveis e continuarem a melhorar." |
| CRESCIMENTO DESDE O INÍCIO DA ÉPOCA |
| "Nós temos vindo a melhorar desde o princípio da época. É isso que eu vos vou falar, não vou estar a falar de nada antes de eu ter chegado ao Benfica. Posso falar de algumas questões pontuais: ganhámos hoje e os últimos três resultados contra o Casa Pia não foram os melhores para nós. Disso podemos falar, é uma forma que eu também tenho de motivar os jogadores e vocês perguntaram ontem [na antevisão], ou alguns de vocês perguntaram ontem. Nisso posso ir por aí. Agora, entrar aqui em termos comparativos com aquilo que foi o jogo ofensivo ou o jogo defensivo, ou marcar mais golos, ou sofrer menos, não vou entrar por aí. Posso dizer que nós temos vindo a melhorar. Eu tinha dito aos jogadores já no jogo com o Hearts fora de casa, mesmo tendo tido uma vitória bem expressiva em casa, que ia ser o nosso segundo jogo fora de casa e que o primeiro não tinha sido ao nível que teria que ter sido, o jogo na Suíça com o St. Gallen. E esse foi claramente um dos objetivos para aquele jogo: dar uma imagem diferente. Nós não podemos ser só Benfica com 60 mil pessoas no Estádio da Luz, temos de ser Benfica fora de casa também. Essa tinha sido a minha conversa com os jogadores no jogo na Escócia, onde, na primeira parte, tivemos um bom nível e na segunda parte caímos um pouco, porque alguns jogadores claramente ainda não estão nas melhores condições físicas, e muitos deles nós usámos. Esse é o nosso objetivo e é o que nós temos tido. Os jogos em casa também nos deram aquelas vitórias expressivas, que nos deram esta confiança. Um sabor muito amargo no empate em casa com o Académico de Viseu, mas nós tivemos um caudal ofensivo muito grande, nós tivemos muitas oportunidades, tivemos um jogo ofensivo fluido e como nós queremos ter. Naturalmente os adversários vão começar a bloquear-nos de outras formas também, e nós temos de ter a capacidade depois de descobrir outros caminhos e dar outros caminhos aos jogadores. Mas se me perguntar, estou satisfeito com a forma como nós estamos a chegar, com a cadência que estamos a chegar e as oportunidades que estamos a criar, mas o jogo é muito mais do que só isso. Temos de ser uma equipa competente em todos os momentos do jogo e esse é um objetivo enquanto treinador do Benfica: dar estes caminhos aos jogadores, mas depois há o outro lado. Temos de trabalhar sem bola, é o lado dos alas andarem para a frente e para trás, é a nossa reação à perda, que tem vindo a melhorar claramente de um jogo para o outro. Isso é que é muito importante, porque só para a frente é fácil, se calhar alguns de nós também íamos lá e jogámos só para a frente." |