01h50 CEST
20/04/2026
Na zona de entrevistas rápidas da Sport TV, o treinador das águias fez uma primeira leitura do embate disputado no Estádio José Alvalade, elogiando o ambiente e a qualidade das três equipas que se apresentaram em campo.
"Obviamente que me sinto feliz, mas acho que foi um fantástico jogo. Eu digo sempre que para os jogos serem fantásticos tem de haver três grandes equipas. E, se calhar, passou-me algum erro aqui ou ali, mas acho que a arbitragem foi de alto nível. Acho que o Benfica fez um grande jogo. Estrategicamente, fez um jogo fantástico, e o Sporting foi Sporting, na maneira como eles jogam. Além disso, um estádio lindo. Comentava no banco antes de o jogo começar tudo aquilo que o sportinguismo meteu no estádio, e os nossos Benfiquistas lá em cima. Acho que foi um jogo extraordinário, sem cartões vermelhos", adiantou.
"Um jogo com duas equipas a quererem ganhar. Se o empate fosse um bom resultado para qualquer uma das equipas, se calhar, estrategicamente, o jogo tinha sido diferente. Mas, depois do 1-1, o Sporting quer ganhar, o Benfica quer ganhar. Bem sei que o Sporting tem duas bolas nos ferros, mas nós temos muitas boas oportunidades de golo e, se algumas não foram grandes, foi porque falhou o último passe. Mas tivemos saídas com ótima qualidade, acho que fizemos um jogo muito bem conseguido", acrescentou, referindo-se ao caudal ofensivo das águias.
José Mourinho também explicou a opção de lançar Ivanovic no onze inicial em detrimento de Pavlidis, regozijando-se com o impacto do avançado croata na exibição do Benfica, complementado, depois, com a boa entrada do grego na partida.
"[Ivanovic] É um jogador que, primeiro que tudo, procura a profundidade, e que nos dá muita saída contra equipas como o Sporting, que pressionam alto, ao contrário das equipas que jogam baixas. Pode não ter aquela finesse técnica que tem o Pavlidis de ligar jogo, mas neste tipo de situação é um jogador que estica muito e, depois, tem uma energia física e mental muito grande também na hora da pressão, vincou, destacando, também, a "velocidade" que Rafa e Lukebakio trouxeram ao jogo.
Confrontado com a reta final da Liga Betclic, o treinador das águias lamentou que o triunfo alcançado neste domingo, no Estádio José Alvalade, esteja condicionado pela dependência dos resultados dos rivais.
"Continuamos a depender dos resultados dos outros. A minha frustração no [jogo com o] Casa Pia foi exatamente porque foi naquele momento que nós perdemos a situação de dependermos somente de nós. Eu queria vir aqui hoje para ganhar e jogar para ser segundo [classificado]. Viemos aqui jogar para ganhar, ganhámos, mas continuamos a depender dos resultados do Sporting, para não falar obviamente do FC Porto, que já tem uma vantagem significativa", rematou, antes de seguir para a conferência de imprensa.
GRANDE EXIBIÇÃO NUM ÓTIMO JOGO
"O sentimento é que estamos vivos na corrida pelo 2.º lugar, mas que dependemos de outros resultados. Daí a minha frustração depois do jogo com o Casa Pia, porque o objetivo era vir aqui hoje jogar pelo 2.º lugar, de maneira absoluta, e não de maneira relativa. Acabámos por ganhar o jogo e continuámos a não ter o controlo do nosso destino. Obviamente que temos de ganhar os quatro jogos que faltam, que por sinal são jogos, todos eles, de dificuldade alta, com equipas do meio para cima na tabela. Mas dependemos dos resultados que o Sporting possa fazer. De qualquer das maneiras, era, digamos, a última bala que tínhamos, e não a desperdiçámos. Os jogadores fizeram um ótimo jogo, num ótimo jogo. Acho que é um grande jogo. Eventualmente, depois do 1-1, se o Sporting está contente com o empate, ou se o Benfica está contente com o empate, seria um jogo de controlo. Mas tanto eu como, seguramente, o Rui [Borges], sabíamos que, se houvesse um empate a 15, a 20, a 30 minutos do final, íamos à procura de mais. Acho que isso trouxe uma beleza grande ao jogo, um jogo aberto. Eu tinha três atacantes frescos, muito bons em campo aberto, e inverti as coisas: quando jogava Ivanovic, era para o Ivanovic esticar, e com o Pavlidis, era para Pavlidis baixar entre as linhas, num espaço que cada vez mais estava a ficar grande. E depois atacar espaços e situações de um contra um, com o Rafa e com o Lukebakio frescos. Fomos nós os felizes. Acho que o Rui também mexe bem no jogo, o empate deles também surge na sequência das suas modificações, começou a atacar-nos muito pelos flancos. É um grande jogo. Não sei, não vi ao detalhe, mas parece-me também que estamos a falar de uma arbitragem boa. Inclusive, no nosso segundo golo, acho que é penálti claro, mas o árbitro teve a classe e a leitura para deixar fazer golo, sem necessidade da grande penalidade. Estádio fantástico, lindo. Antes de o jogo começar, ainda estive ali um pouquinho de tempo de relax no banco, para comentar com a minha gente. Acho que é um grande jogo."
TRIUNFO MERECIDO EM JOGO QUE NINGUÉM PODIA PERDER
"Depois desse golo [1-1], as grandes oportunidades são nossas. A do Barreiro é uma grande jogada do Lukebakio. O Barreiro aparece sozinho no segundo poste. Antes disso, o Schjelderup também tem uma ou duas que normalmente faz. Eu acho que o jogo é rico. Esta situação de um empate não servir para nenhum, acho que dá uma riqueza extra aos últimos 15/20 minutos do jogo. Em condições normais, o empate chega para o Benfica, o empate chega para o Sporting. Entravam num jogo de controlo. Em vez de fazermos, eu e o Rui [Borges], substituições de risco, faríamos substituições de controlo. Eu a ganhar 0-1, pouco antes de sofrermos o golo, estava quase para meter o Bah como lateral para fechar dentro com o António [Silva] depois, e o Dedic por fora a defender como quinto homem o Maxi [Araújo]. O Sporting faz golo, eu já não o faço; se o empate chegasse para mim, eu faria. Portanto, é um jogo que obrigou também os treinadores a ir à procura de ganhar. Podíamos ter empatado, o que seria um mau resultado para as duas equipas, mas acho que o Benfica – se calhar estão em desacordo comigo – faz um grande jogo e merece ganhar."
SCHJELDERUP: A GRANDE PENALIDADE E A PRÓXIMA ÉPOCA
"O marcador de penáltis, se estivesse em campo, seria sempre o Pavlidis. Sem dúvida absolutamente nenhuma, seria sempre o Pavlidis. Grande penalidade com o Pavlidis no banco, tínhamos dois jogadores, um dos quais era o Andreas [Schjelderup], de acordo com o feeling, baterem o penálti. Ele está num bom momento, está num momento de autoestima grande. Obviamente que conto com ele para a próxima época, os treinadores querem contar sempre com os seus melhores jogadores, querem sempre contar com os jogadores que tiveram maior evolução nestes sete meses que estou aqui. Obviamente que aqueles jogadores que tiveram maior evolução são aqueles que entram sempre nas minhas prioridades."
APOSTA NA "LOUCURA" DOS ÚLTIMOS MINUTOS
"É facto que sabíamos que este jogo era um jogo que se podia decidir na loucura dos últimos minutos. Loucura para os dois lados. Eles podiam ganhar, e quando normalmente o Benfica vem a Alvalade e sai com um empate, é um resultado aceitável, não perder o dérbi fora de casa. Hoje, não era assim. Sabíamos que o jogo se podia resolver nesta loucura, nestes desequilíbrios da parte final do jogo e ter no banco estes três atacantes que puderam dar um outro cariz ao jogo.... Porque, mesmo quando o Sporting estava a dominar, sentia-se que o Benfica podia marcar e isso é uma coisa muito importante, porque até inibe um bocadinho o adversário de ser verdadeiramente ofensivo. Houve sempre ali um pé à frente e um pé atrás. Foi um jogo estratégico também."
SEM FEELING PARA A RETA FINAL DO CAMPEONATO
"[Já disse que o Benfica tem de ganhar todos os jogos até ao final do Campeonato, mas mesmo assim fica dependente dos resultados do Sporting. Olhando para o calendário do Sporting, e também pensando no cansaço que pode acumular, o seu feeling diz-lhe que o Sporting ainda pode escorregar e que o Benfica pode segurar o 2.º lugar?] Não tenho feeling. Não tenho feeling. Acho que o Sporting joga muito. Acho que o Sporting tem uma excelente equipa, joga muito bem, mas mesmo estando aqui e não querendo, obviamente, faltar ao respeito aos donos da casa, acho que tiveram vários jogos nesta época em que podiam perfeitamente ter perdido pontos, não os perderam e não foi por mérito deles."
GESTO PARA A CÂMARA COM INTERPRETAÇÃO LIVRE
"[No final do jogo, apontou para as suas iniciais na camisola e para a cabeça. O que quis dizer com isso?] Interprete como quiser. Deixo ao seu critério e interprete como quiser. [Não nos pode dar a sua interpretação?] Não, porque é que hei de dar a minha interpretação daquilo que fiz? Olhem, hoje podem mudar a narrativa. O Benfica não perdeu nenhum dos cinco jogos grandes de Campeonato. Ainda jogamos com o Sporting de Braga, mas vamos ver se conseguimos ganhar esse também."
A FANTÁSTICA RESILIÊNCIA DAS ÁGUIAS
[Qual o impacto que este resultado pode ter na reta final do Campeonato?] Se há uma coisa que é difícil, é de manter um nível de ambição, de profissionalismo, quando se está sempre fora dos objetivos. A coisa mais natural desta época teria sido o Benfica colapsar. Estamos na 30.ª jornada. O Benfica nunca esteve onde quer estar. E isto é uma coisa que faz mal, é uma coisa que pode desmotivar, que pode fazer baixar a guarda. E se estes jogadores têm mérito, é que nestas 30 jornadas, estando sempre por fora daquilo que é a natureza do Benfica, mantivemos sempre este respeito pelo Clube, pelos adeptos, por nós próprios. Resiliência, e vamos. E nós ganhávamos, e o FC Porto e o Sporting também ganhavam; e nós ganhávamos, e o fiscal de linha enganava-se, marcava pontapé de canto e o Sporting ganhava. E nós ganhávamos, e o FC Porto, no último minuto, o Fofana tropeçou, penálti, ganhou. Este tipo de resiliência é um mérito fantástico dos nossos jogadores, que teve alguns momentos, como aquele contra o Casa Pia, que é o jogo que a mim me mata verdadeiramente. Mata-me, porque é a antinatura daquilo que nós somos. E é o jogo que nos deixa sem controlar nada. Mesmo ganhando aqui hoje, não controlamos nada. É o Sporting que está em controlo."
UMA SEMANA NORMAL APÓS O DÉRBI
"[Quebrou a regra de não falar com os jogadores logo após o final do jogo?] Não. Um abraço, uma palmada, mas também não fui fazer discurso nenhum. Até porque eu sei, eu sei, é um dérbi, era a última bala que nós tínhamos. Como eu dizia ontem [sábado], mesmo que fosse no torneio de verão do Algarve, é um dérbi. É diferente de todos os jogos, mas não ganhámos nada. Ganhámos um jogo ao Sporting, ganhámos um dérbi. E nada mais. Normal. Amanhã [segunda-feira] é livre, terça-feira, trabalho, e jogo com o Moreirense no sábado."
CARTADA NO BANCO "CORREU BEM"
"Há duas coisas distintas: uma é a pressão alta e a outra é baixar o bloco. Com o bloco baixo, aquilo que nós queríamos fazer com o [Richard] Ríos e com o Aursnes era controlar o jogo entre linhas. Quando aparece o Pote [Pedro Gonçalves], quando aparece o Trincão, mas também acompanhar os movimentos que eles fazem em profundidade, que o Sporting faz melhor do que ninguém. O Sporting tem quatro, cinco, seis jogadores que atacam a profundidade, e eu queria que os nossos médios controlassem esses movimentos profundos. Para o fazer, precisava de um outro médio, que quando o bloco baixava e esses jogadores saíam na profundidade, precisava de outro jogador que me fechasse a zona central, de maneira que quando o bloco estivesse baixo, nós estivéssemos sempre ali compactos. E Rafa e Sudakov são dois 'dezes' que não o fazem por natureza. Fazem pressão na frente, mas depois não controlam aquilo que está por trás. O Barreiro faz, foi assim, a jogar naquela posição, que ele foi crescendo no início da minha chegada, e eu sabia que ele ia fazê-lo muito bem. E, mesmo empatado, eu não quis mexer naquela organização. Quis, sim, mexer nos três da frente, e acho que é aí que nós conseguimos virar o domínio do Sporting, ao inverter o papel do atacante. Em vez de ser um atacante para atacar a profundidade, é um atacante para baixar e dois alas para irem. E pronto, correu bem. Podia ter corrido mal, correu bem."