🗣️⚽ José Mourinho

03h30 CET

18/02/2026

PÓS-JOGO

José Mourinho defendeu que o Benfica-Real Madrid (0-1) só se disputou até ao golo de Vinicius Júnior e deixou claro que as águias ainda "estão no intervalo" do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões, isto após a 1.ª mão realizada nesta terça-feira, 17 de fevereiro, no Estádio da Luz. O treinador dos encarnados sublinhou: "Enquanto há vida, há esperança."

Na zona de entrevistas rápidas, José Mourinho, em declarações à Sport TV, começou por defender que o Benfica entrou bem no encontro perante um Real Madrid que "se fechou em duas linhas de 4 e com 2 jogadores ultrarrápidos na frente".

"Nós entrámos bem, eu diria mesmo muito bem, e depois começámos a perder demasiadas bolas. Eles começaram a sair com perigo ainda na 1.ª parte, e depois acho que, a seguir ao golo, o jogo passou a ser mais instabilidade e emoção do que propriamente jogo, cérebro e controlo. E depois foi um jogo já sem o brilho que eu acho que a 1.ª parte teve. Acho que a 1.ª parte é uma boa 1.ª parte, dos dois lados, acho que o Real, também com bola, soube tê-la, soube ser perigoso, soube encontrar as nossas costas, mesmo quando estávamos em bloco baixo no final da 1.ª parte. Acho que é uma boa 1.ª parte. A 2.ª parte é um golo fantástico, e depois não há jogo", disse, numa alusão clara aos momentos que se seguiram em torno do autor do golo, o brasileiro Vinicius Júnior, e uma alegada expressão racista de Prestianni depois de o extremo/avançado do Real Madrid ter provocado os adeptos e os jogadores do Benfica nos festejos.

"Uma coisa é o que o Vinicius diz, outra coisa é o que o Prestianni diz. São coisas completamente diferentes. Aquilo que eu disse ao Vinicius, de um modo independente – não a defender a minha dama –, é que, quando se faz um golo daqueles, sai-se em ombros, não se vai mexer com o estádio, não se vai mexer com o coração de um estádio, que é o estádio adversário. Como eles dizem lá em Espanha, que quem marca um golo daqueles, corta o rabo, corta a orelha e sai em ombros. Não acaba com o jogo. E ele acabou com o jogo", defendeu.

José Mourinho comentou igualmente o motivo que levou à sua expulsão por acumulação de cartões amarelos – exibidos em poucos segundos pelo árbitro francês François Letexier –, deixando críticas à forma como o juiz atuou ao longo da partida.

"Não há nada para explicar, porque é tudo muito óbvio. Eu tenho 1400 jogos de futebol e para aí 200 e tal de Europa, e a coisa é muito simples. Ele tinha um papelinho que dizia assim: Huijsen, Carreras e Tchouaméni, se tiverem cartão amarelo, não podem jogar [a 2.ª mão]. E alguém lhe disse 'estes não podem levar amarelo'. Então, Carreras, com uma simulação grotesca, não leva amarelo; Tchouaméni, com 10 faltas, não leva amarelo. Foi a única coisa que lhe disse, constatei um facto. Depois, a sua arrogância expulsou-me, o que está bem, não há crise", atirou.

Confrontado com as perspetivas encarnadas para a 2.ª mão, José Mourinho partilhou a mensagem que deixou aos jogadores no final do embate desta terça-feira, 17 de fevereiro, no Estádio da Luz. "Agora é descansar e pensar no jogo do Aves [AFS], e depois logo pensaremos no jogo de Madrid, mas aquilo que eu disse aos jogadores é uma coisa muito simples: tal como [aconteceu] na fase de liga, enquanto há vida, há esperança; enquanto há pontos para jogar, vamos por eles – agora não se trata de pontos, trata-se de um jogo que estamos a perder 1-0 ao intervalo. Vamos jogar contra uma equipa fantástica, vamos jogar num estádio que puxa, que empurra muito, e vamos lá ver se não vem o Anthony Taylor [árbitro inglês que protagonizou arbitragens polémicas quando José Mourinho era treinador do Manchester United e da AS Roma]", concluiu.

ENTRADA MUITO FORTE DAS ÁGUIAS

"É uma 1.ª parte [da eliminatória] que teve duas partes: até ao golo e depois do golo. Até ao golo, um bom jogo, na minha opinião, com um Benfica que entrou muito bem e muito forte, mas depois progressivamente, ali a partir dos 25/30, o Real com muita qualidade, com muita personalidade, bem plantado no campo, começa progressivamente a virar o jogo e a ser mais forte na parte final da 1.ª parte. Na 2.ª parte entrámos a tentar fazer o mesmo que tínhamos feito na 1.ª e a competir olhos nos olhos com eles. O Vinicius faz um golo do outro mundo e depois acabou o jogo. Não houve mais jogo."

50 MINUTOS DE UM GRANDE JOGO

"Eu já falei na flash interview, e queria ser mais equilibrado e mais independente do que o Álvaro [Arbeloa] e do que o Kylian [Mbappé]. Eu falei com o Vinicius [Júnior], o Vinicius diz-me uma coisa. Eu falei com o Prestianni, o Prestianni diz-me outra coisa. Eu poderia ser vermelho e dizer que só acredito no que o Prestianni me disse, mas eu quis ser equilibrado e dizer que, neste mundo do futebol, nas coisas que acontecem no campo, eu tento ser sempre um pouco mais equilibrado, e não quero dizer 'o Vinicius é um mentiroso, e o Prestianni é um rapaz incrível'. Eu não queria dizer isso, e não quero dizer isso. O Álvaro optou por uma perspetiva diferente. O Kylian optou por uma perspetiva diferente. Eu não quero entrar por aí. A única coisa que digo é que acontece em tantos estádios sempre com o mesmo [jogador], há alguma coisa que não vai. Eu, ao Vinicius, no campo, disse-lhe: 'Tu marcas um golo do outro mundo, porque celebras assim? Porquê? Porque não celebras como celebravam Di Stéfano, Pelé, Eusébio? Porque não celebras um golo só com a alegria de seres um jogador do outro mundo?' Acontece sempre com o mesmo, é a única coisa que não me entra. Mas foram 50 e alguns minutos de um grande jogo. O Benfica joga nos seus limites, o Benfica jogou contra o Real Madrid, no primeiro jogo e agora, nos seus limites. O Benfica está – e eu disse aos jogadores – orgulhoso de jogar contra o Real Madrid do modo como estamos a fazer. Um grande jogo. Madrid, depois, a demonstrar que é Madrid, e esta gente a demonstrar a sua qualidade, grandes jogadores, equipa que pode jogar um futebol fantástico, mas depois acabou o jogo."

EXPULSO POR DIZER A VERDADE

"[Vinicius] Não, não, já chega de Vinicius. Do Vinicius, a minha versão é só que marcou um golo fantástico que decidiu os 50 minutos de jogo e não tenho mais nada a dizer. Jogador do outro mundo, jogador do outro mundo. [Expulsão] A minha expulsão foi porque eu disse ao árbitro a verdade. Eu disse ao árbitro a verdade e ele sabe que eu disse a verdade. A verdade é que eu tenho para aí 1300 jogos como treinador, tenho para aí 200 e tal nas competições europeias e eu sei que ele sabia que o Tchouaméni, o Huijsen e o Carreras não podiam ver o cartão amarelo, ele sabia. E quando o Carreras simula, ele não dá amarelo, e quando o Tchouaméni faz duas, ou três, ou quatro faltas, ele não dá amarelo, ele sabia. Ou seja, ele não ficou contente em jogar só este jogo, ele quis jogar o próximo. E eu disse-lhe. E ele expulsou-me, mas ele sabe que eu disse a verdade."

CONVERSA COM ARBELOA

"Eu falei com o Álvaro [Arbeloa] antes de entender que existia um problema. Eu falei com o Álvaro só para dizer: 'Olha, este faz um golo do outro mundo, e que faz agora de tonto aí no canto?' Só isso. Depois, mais adiante, quando se entende que era um problema grande, parecia que o Vinicius não queria jogar, estávamos a falar de voltar a jogar, nada de especial."

CONFIAR NOS JOGADORES

"[Impacto de não estar no banco na 2.ª mão] O facto de eu não estar no banco acho que não tem grande impacto, porque o treinador no banco não joga muito, joga mais na preparação do jogo. O facto de não poder comunicar com a equipa, de não poder comunicar com os assistentes, de não poder ir ao balneário nem antes do jogo, nem durante... Tenho de confiar nos jogadores, tenho de confiar nos assistentes, mas obviamente que é limitativo. O jogo já é difícil porque estamos a perder 1-0, já é difícil porque estamos a jogar contra uma equipa fantástica, mas é o que é."

LUTAR COM TUDO NA 2.ª MÃO

"É verdade que eu gosto de jogar a 2.ª mão fora de casa, mas é verdade que jogamos contra uma equipa fortíssima, contra um estádio que joga e que será uma missão difícil para nós. Mas a cultura que nós temos, como clube, e que é a minha própria cultura... por isso estamos bem juntos... Na fase de liga, até ao último segundo, lutámos para nos qualificar e eu disse sempre: 'Enquanto houver uma mínima possibilidade, vamos com tudo.' Neste momento, perdemos 1-0 e temos uma possibilidade. Mas sabemos perfeitamente que jogamos contra uma equipa fortíssima e temos de respeitar isso."

AJUDAR ATÉ AO INÍCIO DO JOGO

"[Ausência no banco do Santiago Bernabéu] A única coisa positiva que eu vejo é que não vou à imprensa nem no dia antes do jogo, nem após o jogo. É a única coisa positiva. De resto, obviamente que é tudo negativo. Eu gosto de jogar o jogo, gosto de jogar, divirto-me a jogar. Sinto que o meu papel é tentar ajudar os meus ao máximo. E, naquele jogo, só os posso ajudar até ao início do jogo. Quando o jogo começar, já não os posso ajudar. E obviamente, para mim é uma frustração. Mas uma coisa é ser expulso por estupidezes ou por comportamentos inadequados, e aí uma pessoa sente... Porquê? Porque é que eu fiz isto? Outra coisa é ser expulso por dizer a verdade, e eu cresci assim."

O GOLO INCRÍVEL DO REAL

"[Vinicius tem um problema?] Não sei. Vocês [imprensa espanhola] saberão melhor do que eu. Eu fico-me com o golo incrível que marcou e que decidiu a partida. Prefiro ficar com isto."

OLHOS NOS OLHOS

"[Papel da marcação a Arda Güler para evitar o domínio do Real Madrid] Mas fomos nós que assumimos o domínio. E o Courtois faz uma defesa fantástica ao remate do Aursnes. O Benfica entrou forte, entrou muito forte. E era essa a intenção que nós tínhamos, mas sabíamos perfeitamente contra quem jogávamos. Sabemos perfeitamente o nível dos jogadores contra quem jogávamos. Como eu disse anteriormente, neste espaço de tempo entre o jogo na Luz passado e este, o Álvaro [Arbeloa] trabalhou muito bem e a equipa organizou-se de uma maneira completamente diferente. E nós adaptámo-nos a isso e jogámos o jogo olhos nos olhos. É verdade que depois, ali nos últimos 10/15 minutos da 1.ª parte, eles foram efetivamente superiores, empurraram-nos para trás, mas nós sabíamos que alguma vez iríamos ser empurrados para trás e que tínhamos de nos aguentar quando fôssemos empurrados para trás, que foi aquilo que nós fizemos. Na 2.ª parte entrámos com a mesma intenção. O rapaz faz aquele golo incrível. E depois não houve mais jogo. Depois não houve mais jogo para tentar fazer alguma coisa melhor."

JOGAR MUITO BEM EM MADRID

"[Necessidade de um milagre?] Não, não. É necessário jogar muito bem durante toda a partida. Muito, muito bem durante toda a partida. É necessário ter a sorte que sempre necessitas em partidas deste nível. Necessitas que algum jogador do Real Madrid não esteja no seu melhor dia, porque tem jogadores de uma qualidade que só por si podem resolver uma partida, mas um milagre, não. Um milagre, não."

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