19h50 CET
04/11/2026
| ANTEVISÃO | ||
À BTV, antes da conferência de imprensa no adidas Benfica Campus, Marco Silva começou por atualizar o quadro de opções: Enzo Barrenechea está recuperado e disponível, enquanto Lenglet fica de fora devido a um desconforto, embora o problema não aparente gravidade.
"O Enzo [Barrenechea], como eu já tinha dito na antevisão do último jogo, já tinha vindo a treinar com a equipa, estava melhor. No último jogo optámos por lhe dar um tipo de treino diferente em vez de estar no banco, sabendo que nós tínhamos outro tipo de soluções também para o jogo e, planeando o jogo, optámos por ele ter um treino diferente naquele dia e dar-lhe um pouco mais de tempo para poder estar já integrado na convocatória e, se nós assim o entendermos, poder jogar o jogo de amanhã [quinta-feira]. Esse foi o planeamento traçado e aqui está ele, pronto para ser convocado e estar nas opções para nós. É importante para nós termos também estes jogadores, ainda mais numa zona do terreno em que tivemos a lesão do Barreiro, que nos criou aqui algumas dificuldades em termos de rotação, em termos de gestão da densidade dos jogos para alguns jogadores. Neste caso, o Fredrik [Aursnes] e o João [Palhinha] têm sido mais sobrecarregados nesse aspeto. É importante tê-lo de volta. Em relação ao Lenglet, sentiu um desconforto, de uma pancada, de um movimento. Não nos parece nada muito grave. Não sendo nada muito grave, não estará nas melhores condições para estar integrado no jogo de amanhã [quinta-feira]. É óbvio que há um jogo logo de seguida, no domingo, jogos muito perto uns dos outros. Analisámo-lo hoje, ele não se sentia ainda em condições. Acredito que, a partir de agora, a recuperação dele será boa. Temos alguma esperança de que possa estar no jogo de domingo, mas para o jogo de amanhã era impossível estar em condições", revelou.
O Benfica chega à Liga Europa depois de uma vitória pela margem mínima no Campeonato, numa exibição que Marco Silva reconheceu não ter atingido o nível habitual. O treinador, porém, rejeita qualquer cenário de desconfiança. Além dos três pontos, valoriza a capacidade para vencer sem sofrer golos e lembra que, ao longo de uma temporada, nem todos os jogos poderão terminar com resultados expressivos.
"Nós ganhámos o jogo, não sofremos golos, contra um adversário que tem jogadores muito jovens, mas muito irreverentes, jogadores que fisicamente aguentaram bem o ritmo do jogo e o que nós tentámos colocar no jogo. Fomos uma equipa dominante. Nós não vamos ganhar sempre a fazer mais de dois ou três golos. Nós queremos, mas isso não existe. Ao longo de uma temporada, isso não é algo que seja possível acontecer de uma forma sistemática, independentemente daquilo que tem sido o nosso bom início de temporada, com exibições e com golos. Há jogos assim e há que retirar o positivo do jogo. E não há desconfiança absolutamente nenhuma. Nós ganhámos, temos vindo a ganhar jogos, ganhámos de várias formas. Há que referir também o facto de não termos sofrido golos. Acaba por ter uma influência muito grande num jogo deste género, em que nós não conseguimos fazer muitos golos, mas não sofremos, e isso acaba por ser muito importante", sustentou.
A análise posterior permitiu identificar com maior detalhe aquilo que faltou à equipa e transmitir essas conclusões aos jogadores. Marco Silva quer recuperar maior intensidade na circulação e a capacidade para tornar o jogo encarnado difícil de contrariar, sem apagar os aspetos positivos retirados do último triunfo.
"O adversário tem uma oportunidade de golo numa bola parada na primeira parte, em que o golo é anulado, numa boa defesa do Samu [Samuel Soares], numa segunda ação. Não teve mais nenhuma oportunidade de golo, esta é que é a realidade. E nós fizemos um golo. Na primeira parte não tivemos as oportunidades que normalmente costumamos ter. Não foi um jogo tão acutilante, mas não há aqui desconfiança absolutamente nenhuma. Os adeptos entendem isso mesmo. Da nossa parte, enquanto equipa técnica, e eu pessoalmente, fui muito claro naquilo que era a minha análise no pós-jogo. Agora, com mais tempo, depois de analisar o jogo e de o fazermos com os jogadores, fizemos-lhes entender o que é que, em alguns momentos, podíamos ter feito de forma diferente. Podíamos ter colocado mais intensidade com bola no nosso jogo, o que nos torna mais difíceis de travar pelo adversário. Depois, olhando para o global do jogo, há muitos aspetos positivos também a tirar. E não cria absolutamente instabilidade nenhuma. Era o que faltava. Depois de um jogo, de uma vitória, sem sofrer golos, tem é de nos dar confiança de que o caminho está a ser percorrido de uma forma clara e que é possível também ganhar jogos marcando só um golo. É um bom sinal, é sinal de que não sofremos", reforçou.
Quanto ao adversário europeu, Marco Silva não antecipa necessariamente um encontro fechado. O Lech Poznan está habituado a assumir jogos no contexto interno e transporta consigo, segundo o técnico, uma mentalidade vencedora que não se apaga quando muda de competição.
"Não me parece que vá ser um jogo muito trancado. É a minha análise para o momento, mas só amanhã [quinta-feira] podemos ter essa certeza. Nós, por norma, em casa, somos uma equipa que faz com que quem nos defronta tenha algumas cautelas. É natural. O nosso jogo também faz com que os adversários as tenham. Se não vêm preparados para isso, nós obrigamos muitas vezes o adversário a fazê-lo. No seu Campeonato, o nosso adversário tem vindo a dominar. É campeão, está na frente novamente. É uma equipa bem forte a jogar em casa, com um apoio muito bom do seu público. Nesta fase da Liga Europa não começou da melhor forma, mas é uma equipa perigosa, que tem qualidade, uma equipa que joga sempre para ganhar no seu Campeonato. E nós sabemos perfeitamente isso: quando estás habituado a jogar sempre para ganhar, quando tens uma dinâmica de vitória e uma mentalidade para jogar sempre para vencer, não abdicas disso depois, independentemente de jogares competições europeias ou não", analisou.
A agressividade sem bola e as marcações individuais do conjunto polaco obrigarão o Benfica a apresentar mobilidade constante.
"Espera-nos um adversário difícil, que tem qualidade. Uma equipa física, que, em muitos momentos, sem bola, gosta de ir ao encontro do homem. Muitas marcações individuais, muita gente a percorrer o adversário pelo caminho. Vai-nos obrigar a ter alguma mobilidade, uma mobilidade constante no nosso jogar, para criarmos o que queremos. E é uma equipa que, com bola, tem qualidade. Não é só uma equipa de ataque rápido ou contra-ataque ou coisa do género. É uma equipa que tem qualidade, gosta de jogar desde trás, corre alguns riscos também. Nós podemos tirar algum proveito disso, mas, para isso, teremos de ter uma equipa bem organizada sem bola e com bons momentos de pressão", perspetivou.
O encontro terá um significado particular para Jakub Kamiński. Sobre a evolução do internacional polaco, Marco Silva encontra agora um jogador mais tranquilo e confiante, depois de um período inicial de adaptação à dimensão e às exigências do Benfica.
"Vejo o Kamiński muito mais calmo, muito mais consciente e muito mais confiante nele mesmo. Isso é o primeiro passo. Independentemente da maturidade que tens ou não e do Campeonato onde jogavas ou não – e estamos a falar de um jogador que jogou alguns anos na Bundesliga, que é um Campeonato dificílimo e de grande qualidade –, depois há a dimensão clubística e, neste caso, a dimensão do Benfica obriga a algumas coisas. E, quando chegas, sentes isso. Independentemente de ser um sonho para muitos jogadores jogar nesta casa, quando chegas e quando começas a sentir o peso da camisola, não há que esconder que isso pesa. Depois, alguns precisam de mais tempo para se adaptarem, noutros é mais rápida a adaptação", considerou.
A chegada praticamente sem tempo de preparação, seguida pela necessidade imediata de competir nas eliminatórias europeias, condicionou a integração. Depois de uma exibição de destaque em San Siro, uma lesão interrompeu o crescimento, mas o treinador volta a encontrar sinais positivos.
"Ele chegou quase sem treino e começámo-lo a colocar pela urgência de jogarmos qualificações da Liga Europa. Demorou o seu tempo, foi crescendo, foi tendo mais confiança, foi conseguindo expressar-se em muitos momentos, quer a nível de treino, e depois nesse jogo é mais claro, em San Siro, em que acaba por fazer uma exibição muito boa. Infelizmente, depois magoou-se. Teve aqui uma quebra em termos daquilo que é o ritmo necessário para estar ao nível de que ele gosta. Porque, independentemente de ser um jogador que joga num espaço ofensivo, é um jogador que precisa de estar bem fisicamente para expressar aquilo que são as suas qualidades. É um extremo um pouco diferente daquilo que nós temos no nosso plantel e precisa dessa dimensão física no seu jogar. Precisa de algum jogo com espaço também. Mas está melhor. Ainda hoje fez novamente uma boa sessão, já o tinha feito ontem [terça-feira]. Está a melhorar. Acima de tudo, o que eu sinto é que ele está mais confiante nele mesmo. Isso é o primeiro passo para depois poder jogar o futebol que sabe", salientou.
"O caminho está a ser percorrido de uma forma clara"
Marco Silva
O que é que espera deste adversário, o Lech Poznan? E, já agora: Kamiński deu alguma ajuda na análise ao adversário?
Nós conhecemos bem o adversário. Até amanhã [quinta-feira] ainda iremos conversar um pouco, mas, dentro da análise que fizemos até agora ao nosso adversário, ainda foi necessário ter esta conversa com o Kamiński. Mas nós conhecemos muito bem, analisámos, temos as ferramentas necessárias para o fazermos. É óbvio que, durante o dia de hoje e amanhã, teremos tempo de ter uma ou outra conversa, só para questões mais específicas, não tanto para aquilo que é a realidade que vamos encontrar em termos de aspetos coletivos do adversário. É uma equipa muito dominante, uma equipa que está em primeiro lugar novamente. É uma equipa que vem de um título e que normalmente faz a vida muito difícil a todos os adversários com que joga. É uma equipa que, em casa, acaba, pelo apoio que tem também, por ser muito forte. Na Europa tem sido diferente. Na fase de liga da Liga Europa, não começando tão bem, acabou por obter um resultado positivo, não sendo uma vitória, no último jogo. E é uma equipa que quererá reagir, como é lógico, atendendo à classificação que tem. Sabe que tipo de adversário também vai enfrentar. Uma equipa que, jogando fora de casa, não tem medo de jogar. É uma equipa que tem aquela mentalidade de dominar jogos e não é muito fácil alterar totalmente de um jogo para o outro. Por vezes, nós obrigamos – e acredito que iremos obrigar novamente – os adversários a jogar de forma diferente no Estádio da Luz. É uma equipa que também tem essa qualidade, em ataque rápido ou em contra-ataque, de criar problemas ao adversário, mas que, ao mesmo tempo, não tem problema nenhum em ter a bola. É uma equipa que até corre alguns riscos quando está na sua primeira fase de organização do ataque. Podemos tirar muito proveito disso, se fizermos bem e nos organizarmos bem defensivamente. Mas teremos de ter atenção à sua qualidade, respeitar o adversário, mas, eu digo sempre, respeitarmo-nos muito mais a nós, àquilo que é a nossa qualidade e àquilo que vai depois definir a nossa postura durante o jogo.
Tem-se falado muito desta questão da extensão do plantel do Benfica, de como consegue ir gerindo, consoante as competições, os onzes que vai utilizando. Isto foi algo que o surpreendeu, a capacidade que todos os jogadores foram mostrando nos diferentes desafios e, por isso, a possibilidade que tem de ir fazendo esse tipo de rotações?
Não, não posso dizer surpresa. É óbvio que os jogadores, nesse aspeto, têm estado muito bem. Porque mesmo quem tem estado num muito bom momento e sente que depois, no jogo seguinte, pode não jogar, porque optamos por alguma rotação, optamos por colocar um ou outro jogador de características diferentes... Temos jogadores, e alguns deles até jovens, que gostam de jogar e gostam de estar sempre dentro do campo. E fazê-los perceber também que isto não são só 10 ou 20 jogos numa temporada. São muitos jogos. E não temos de estar todos perfeitos só em seis meses. Temos de ter o máximo de rentabilidade ao longo de um ano. E é importante podermos fazê-lo. Nós, quando jogamos esta competição... A Liga Europa, por vezes, em termos de calendário, obriga a isso mesmo. E um bom exemplo é esta semana. Acho que é o melhor exemplo do que muitas vezes temos de fazer enquanto equipa. E é o exemplo mais apertado que vamos ter nesta semana. Acho que nós nunca tínhamos jogado segunda, quinta, domingo. Vai ser a primeira vez que irá acontecer devido à paragem internacional que aí vem e a termos jogado na última segunda-feira também. E basta olhar para aquilo que são os três jogos em sete dias. Se olharmos para sete dias, jogar três jogos não é algo muito normal. É algo que cria um desgaste muito grande, físico e mental também. Eu sei que estamos nos primeiros três, quatro meses de temporada. Ainda não podemos estar constantemente a falar de desgaste. E não quero levar a conversa só por aí. Mas, respondendo diretamente à sua questão, é importante fazê-lo. Como devem calcular, quase não há tempo para treinar, por exemplo, nesta semana. Temos características pontuais que queremos mudar, seja no nosso momento sem bola, seja no nosso momento com bola, seja no momento de pressão mais alta ou mais média. Por isso, é muito importante que os jogadores tenham essa capacidade de se adaptarem, de, por vezes, mudarem o chip de um jogo para o outro, para depois podermos ter exibições que nos permitam ganhar jogos. Isto é o mais importante. E os jogadores têm respondido muito bem nesse aspeto. Mesmo com algumas alterações pontuais que temos feito, têm respondido bem. Têm mostrado uma abertura muito grande. Isso só os faz crescer. Faz-nos crescer a nós como equipa. Fá-los crescer também individualmente.
Pergunto-lhe, em relação a Lenglet, em que condições é que ele está, se está apto ou não. E, já agora, também em relação a Enzo Barrenechea, se já está em condições de jogar 90 minutos nesta altura.
O Enzo [Barrenechea] está em condições de começar; depende da nossa decisão. Se amanhã o colocarmos a jogar de início, jogar 90 minutos, a este nível de intensidade, será exigente. Possivelmente, a partir dos 60 poderá começar a sentir-se mais cansado. Por isso mesmo é que existem os jogos. Por isso mesmo é que, independentemente de nós, em treino, tentarmos replicar muito o que é o jogo, não há milagres. O jogo é que dá algo aos jogadores que é difícil depois espelhar a 100% no treino, independentemente de ser a nossa obrigação tentar igualar o máximo que conseguimos aquilo que são as necessidades de um jogo, indo pelo processo de treino. Mas está apto, está nos convocados. Se assim o entendermos, pode começar ou não. Será o primeiro jogo após uma paragem, posso dizer, longa. É uma decisão que ainda irei tomar para o jogo de amanhã [quinta-feira]. Mas é bom tê-lo de volta, é bom podermos, juntamente com o João [Palhinha] e com o Manu, que podem fazer a posição, ter concorrência. É um jogador que tem características um pouco diferentes, que nos dá coisas boas. Teve um começo de temporada muito bom, pré-temporada e temporada muito boas. Estávamos muito satisfeitos com ele. Infelizmente, veio uma lesão no momento em que ele estava bem. Faz parte. Trabalhou bem, trabalhou forte. Demorou a recuperar, mas trabalhou bem. E está apto para jogar. O Lenglet não estará no jogo de amanhã. Não nos parece algo muito sério. A nossa esperança é que possa estar no jogo do próximo fim de semana, mesmo sendo o espaço muito curto. Para amanhã não estava a 100% e, por isso mesmo, não estará nos convocados.
Já disse que queria conseguir o apuramento para a fase seguinte sem passar pelo play-off. Tem três vitórias. Estes dois jogos, agora o de amanhã [quinta-feira] e o outro de novembro, podem, de alguma forma, arrumar já esse objetivo?
São importantes. É óbvio que nós queremos, e sempre o dissemos, queremos e iremos lutar – e temos vindo a lutar e iremos continuar a fazê-lo – pela qualificação direta. É muito importante não acrescentar dois jogos de play-off a um calendário já muito sobrecarregado da nossa parte. Tudo o que possamos fazer... Primeiro, porque são três pontos em disputa em cada jogo, e o nosso objetivo e a nossa obrigação são lutar por eles. E depois será uma consequência, se o fizermos bem, não termos dois jogos extra num momento muito particular da temporada, com muitos jogos, que, se pudermos evitar, iremos evitar. Depende de nós, depende da nossa capacidade, daquilo que nós poderemos e devemos fazer ao longo dos próximos jogos, começando pelo de amanhã [quinta-feira]. O mais importante, porque é o próximo. Sei que é um cliché, mas é a realidade. É um jogo na nossa casa, o que é importante. Temos tido exibições muito boas na fase de liga da Liga Europa, já as tivemos numa fase diferente da competição, quando foram as qualificações. Amanhã será mais um jogo contra um adversário bom, um adversário que tem qualidade, que está disposto a criar-nos problemas, de certeza absoluta. E nós temos de ter qualidade, temos de ser uma equipa capaz, independentemente de mudarmos ou não um bom número de jogadores. Já demos provas de que, quando o fizemos, os jogadores responderam bem. Se o tornarmos a fazer, é importante para os jogadores. É uma oportunidade para ser agarrada. Alguns jogadores vêm de lesão. Falámos há pouco do Enzo. O próprio Banjaqui, felizmente para nós, estará nos convocados também. E nós temos sobrecarregado muito o Bah, como vocês sabem, com muitos jogos. No jogo para a Taça da Liga optámos por jogar com dois laterais-esquerdos para rodarmos um pouco aquilo que tem sido a sua utilização. Ter o Banjaqui de volta acaba por ser importante para nós. Independentemente da rotação que possamos ou não fazer, é importante a equipa estar ao nível que o jogo vai exigir, estarmos preparados para aquilo que o jogo pede. E mais três pontos para nós darmos o máximo para os conquistarmos e irmos somando pontos porque, se o fizermos, iremos conseguir um objetivo.
"Temos de ter qualidade, temos de ser uma equipa capaz"
Já referiu várias vezes a intenção de chegar o mais longe possível na prova. Falou na questão das boas exibições, e o Benfica começou com três vitórias esta fase de liga. Também tem marcado muitos golos. Acha que os adversários também começam a olhar para o Benfica com olhos diferentes e, se calhar, cada vez mais como favorito à prova?
Eu não gosto muito de falar de favoritismos. Temos de o provar no campo, se somos melhores do que cada adversário que vamos defrontar. Estamos numa fase de liga, numa fase, não quero dizer precoce, mas muito inicial daquilo que é esta competição. Como vocês sabem, tivemos seis jogos que não são muito normais para um clube da nossa dimensão, jogando esta competição. Tivemos de os fazer e fizemo-los bem. Independentemente de termos começado com o pé esquerdo, e vocês sabem disso tão bem como eu, a realidade é que a equipa depois reagiu muito bem, como tinha de reagir. E temos vindo a crescer como equipa. Se fazemos muitos golos ou não, nós jogamos de uma forma muito clara e, por vezes, não é possível fazer muitos golos. Um bom exemplo é aquilo que aconteceu no último jogo do Campeonato. E nós temos é de ser capazes de ganhar jogos de uma forma ou de outra. O objetivo é sempre termos um jogo à nossa imagem, mas nem sempre isso é possível. Algumas vezes por não estarmos no nosso melhor dia ou noite. Eu acredito que tenha sido o que aconteceu no último jogo. Outras vezes por mérito também do adversário, porque não jogamos sozinhos. O adversário também teve o seu mérito no último jogo. Vocês sabem que eu olho muito para aquilo que é a nossa forma de estar e a nossa prestação, o que não fizemos tão bem ou o que fizemos. Neste momento, já analisando o jogo, já tendo também o tempo de o fazer com os jogadores, retirámos coisas muito positivas também daquele jogo. Uma delas foi não termos sofrido golos. É muito importante para nós. Nós já tivemos alguns momentos em que marcámos e acabámos por não ter vitórias, e este foi um bom exemplo. Acabámos por fazer um golo, só um golo. Não estamos tão habituados a marcar só um golo. Mas, por norma, somos uma equipa que marca. Acho que, até hoje, marcámos em todos os jogos. Se fizermos bem o outro trabalho, a outra parte do jogo também, que é não sofrer, iremos estar muito perto de vencer jogos. É óbvio, e nós sabemos bem, ao longo da temporada as equipas analisam-nos, como nós fazemos aos nossos adversários. Há um respeito muito grande. Mais uma vez, um exemplo: temos de nos habituar a isto, a jogar muitas vezes contra nove, dez jogadores em volta da sua área. Aconteceu no último jogo novamente e nós temos de ter a capacidade de desmontar a organização dos nossos adversários com qualidade e, acima de tudo, com uma leitura e com a tomada de decisão que o jogo assim exige. E esse é o nosso objetivo: dar cada vez mais ferramentas aos jogadores para poderem tomar essas decisões da melhor forma que podem.
Disse que Barrenechea está apto para começar o jogo, está bem. João Palhinha tem sido um jogador importante na equipa. De alguma forma, a condição física, a gestão dessa condição de João Palhinha, sendo ele tão importante nos equilíbrios da equipa, tem-no preocupado?
Dentro daquilo que são as nossas possibilidades e daquilo que nós queremos gerir... Se vocês se lembrarem, no jogo com o Omonia decidimos não começar com ele e começou o Manu. Nós tínhamos em mente e tínhamos planeado que, no jogo, por exemplo, com o Gil Vicente em casa, para a Taça da Liga, nós queríamos que o João [Palhinha] estivesse no jogo e optámos por fazer diferente. Em vez de fazermos rotação na Taça da Liga, na posição dele, fizemos no jogo com o Omonia. E todas estas questões têm que ver com o planeamento. Nós olhamos muito para o jogo seguinte, mas depois, faz parte, temos de olhar um pouco mais à frente também, numa densidade grande de jogos, percebermos isso. E foi o que fizemos nesse jogo. Com a lesão do Enzo [Barrenechea], em alguns momentos não o pudemos fazer tanto. No jogo com o Omonia, começando o Manu, fizemos. Faz parte. Não quero só particularizar no João. Tem sido um jogador com alguns minutos, mas não está nem de perto nem de longe entre os jogadores com mais minutos da nossa equipa nesta temporada. Temos alguns jogadores bem à frente dele nesse aspeto. O João acabou depois, por exemplo, na Seleção, por fazer dois jogos e não jogar outros dois. Tendo minutos, não jogou os quatro jogos completos. Nós temos todos esses dados para depois ir gerindo da melhor forma e termos os jogadores o mais frescos que conseguirmos. Mas, quando jogamos competições europeias, quando jogamos quinta-domingo ou quinta-segunda, é quase impossível tê-los totalmente frescos para o jogo seguinte. E os jogadores também têm de se ir habituando a isso. Falando diretamente do João, ele está habituado a isso. Mesmo na época passada, por exemplo, não jogando competições europeias, estava habituado a uma realidade de jogar muitas vezes a meio da semana. Ele está preparado.
Hoje o Benfica contou com vários jovens da Formação no treino, mas ultimamente a verdade é que têm sido poucos os jogadores da Formação que têm conseguido somar minutos na equipa principal. Na pré-época, Jaden Umeh começou por ser aposta, Miguel Figueiredo chegou a jogar contra o St. Gallen, depois jogadores como Banjaqui, Zé Neto, Gonçalo Moreira, Anísio, que foram somando também minutos. Mas, neste momento, há um jogador formado no Benfica que está a dar nas vistas lá fora. Falo de Gustavo Varela, o melhor marcador da Liga italiana, e o Benfica vendeu-o neste verão sem ter a oportunidade de fazer parte da pré-temporada. Eu pergunto-lhe: o que é que acha de ver um talento do Seixal a brilhar lá fora? Acha que Gustavo Varela podia ser um dos avançados do Benfica neste momento?
Estou aqui para falar dos jogadores do Benfica e dos que fazem parte do plantel do Benfica.
"Quando jogamos competições europeias, quando jogamos quinta-domingo ou quinta-segunda, é quase impossível tê-los totalmente frescos para o jogo seguinte. E os jogadores também têm de se ir habituando a isso"
No plano mais tático, como é que vê a evolução e a margem de progressão de Claudio Echeverri, que foi eleito o Homem do Jogo contra o Alverca? Dentro do estilo de jogo do Benfica, que dinâmicas pretende reforçar com o seu encaixe?
É um jogador que tem um talento enorme – e vocês também reconhecem isso, basta vê-lo dentro do campo, quem o conhecia já do passado também o sabe. É um jogador com características muito específicas, que é um terceiro médio, um segundo avançado... É um jogador que está ali, nem é só um, nem é o outro. É um jogador que tem algo das duas posições. Um jogador muito mais de último terço, que se sente muito cómodo a jogar por trás do avançado. Na época passada até teve alguns momentos a jogar quase com dois avançados, e ele a ser um deles, quase mesmo como um falso nove em alguns momentos. Tem um enorme talento. Um jogador que, tecnicamente, é muito evoluído. Em espaços reduzidos e quando o jogo está um pouco mais apertado, tem capacidade de grande decisão, de receção entre linhas, de sair do primeiro movimento e depois de sair do primeiro adversário também com grande facilidade. E, ao mesmo tempo, também pela sua baixa altura, tem um baixo centro de gravidade e depois consegue executar rápido e mover-se rápido. Está a crescer em termos físicos. Precisa de crescer nesse aspeto. Só o jogo lhe dará também. Mas tem qualidade, tem qualidade de definição. Vai crescer e vai demonstrar isso mais. Não tem arriscado ainda muito em situações de remate de longa distância. Tem uma grande capacidade. Tem uma grande capacidade de bola parada também, que ainda não teve a oportunidade de demonstrar. E esta é a confiança que nós lhe queremos dar, para ele cada vez mais poder expressar as qualidades individuais que tem, porque tem muitas. Mesmo em termos de finalização, tem essa capacidade. E, desde que chegou ao Benfica, é algo que vocês ainda não tiveram a possibilidade de ver. Nós vemo-lo diariamente e sabemos a capacidade que tem ali perto da área, de meia distância, de finalizar. E ele tem de colocar isso ao serviço da equipa e a equipa também lhe dar essa possibilidade. A forma como vamos encaixar... Acho que o último jogo é um bom exemplo. Nós não queremos muito, pela forma até como nos posicionamos em 1-2 no meio-campo, que os nossos dois jogadores interiores percorram a largura toda do terreno. Não é isso que pretendemos. Em alguns momentos, sim, ele tem essa oportunidade de o fazer, mas normalmente são jogadores que estão no seu espaço e depois, a partir dali, se expressam, seja com o apoio mais interior ao avançado, seja com o apoio mais entre lateral e central ao extremo. É isso que nós pretendemos dar-lhe. E jogadores que queremos que tenham alguma paciência, porque nós sabemos como fazer a bola chegar às posições para depois eles poderem definir, e bem. O último jogo é um bom exemplo disso. Ele percebeu bem os momentos, percebeu onde se tinha de colocar e deu-nos algumas coisas num jogo que estava apertado, em que o adversário estava muitas vezes a fazer um quadrado no corredor para controlar o nosso triângulo e a superioridade que tentávamos criar nesse espaço. Nós, em alguns momentos, depois, na segunda parte, desbloqueámos muito bem esse momento e ele foi uma peça fundamental nesse aspeto. E ele percebe bem isso. Defensivamente está a crescer. É um jogador que trabalha bem para a equipa naquele 4x4x2 em que nós nos posicionamos. Estamos satisfeitos com ele. E o bom, sinceramente, é que nós sentimos, e ele também o sabe, que há um espaço grande para ele crescer, para continuar a crescer, quer fisicamente, quer no entendimento, quer na confiança nele mesmo, para poder ainda expressar mais o talento que tem.