02h40 CEST
21/08/2026
| CONFERÊNCIA DE IMPRENSA | ||
Num primeiro comentário à partida, ao microfone da BTV, o treinador das águias lamentou o golo sofrido, reforçando, porém, que um episódio de poucos segundos não pode beliscar tudo o que de bom foi feito nos primeiros 45 minutos de "grande nível".
"Fica esse sabor amargo da forma como sofremos o golo, mas 30 segundos de uma primeira parte de grande nível não podem, de todo, beliscar aquilo que foi feito. Tivemos um erro num momento com bola e, naturalmente, com o tempo de trabalho, com o feedback que vamos dar, estes erros vão acabar por desaparecer da nossa equipa, porque são momentos em que temos o total controlo do jogo. E como disse: boa entrada, entrada forte, entrada a querer marcar cedo, para também jogar um pouco com o ambiente e com o estádio. Foi isso que fizemos: perigosos em bolas paradas e também com uma boa reação à perda", destacou.
"Ficámos a dever mais golos durante a primeira parte. Na segunda parte também estivemos totalmente no controlo do jogo. O adversário chegou, talvez, duas ou três vezes à nossa área. Não tantas oportunidades, o adversário também abdicou um pouco do jogo, defendeu em 30 metros, mesmo a perder por 3-1, abdicou de sequer nos pressionar, pelo menos no meio-campo defensivo. Nós não tivemos a mesma capacidade de criar tantas oportunidades, mas tivemos as suficientes ainda para poder fazer mais um ou outro golo durante a segunda parte. Importante que não sofremos na segunda parte, foi uma vitória boa para nós, positiva, uma exibição positiva, mais na primeira parte, claramente, de muito bom nível", acrescentou, admitindo que as águias não tiveram a frescura suficiente para manter o mesmo caudal ofensivo na segunda parte.
Marco Silva também explicou o posicionamento de Barrenechea, elogiando a sua prestação.
"Nós já calculávamos que, num primeiro momento, o ponta de lança do adversário ia cortar a linha no Enzo [Barrenechea]. Calculávamos que, num primeiro momento, ele não ia ser o jogador de ligação direta, ia ser o jogador para receber em apoio frontal e, daí, irmos para a frente. Foi o que nós quisemos para o jogo nesses dois momentos: ele muito mais num espaço por trás do avançado e a libertar-se deste, porque estava a marcá-lo pela frente. Depois de a bola entrar, quer nos corredores, quer no apoio frontal, ele podia ser o jogador de ligação e, em alguns momentos, ver o jogo de frente. Depois podia fazer de terceiro [central], com o Tomás [Araújo] e com o Lenglet. Acho que o objetivo foi conseguido. Uma exibição, taticamente, muito boa dele", sublinhou.
Por fim, o técnico destacou a importância de uma semana completa de trabalho, sobretudo para os jogadores que chegaram mais tarde do Mundial e o reforço Circati perceberem melhor a ideia de jogo da equipa.
"Muito, muito importante para os jogadores que chegaram mais tarde perceberem aquilo que nós queremos, principalmente em termos de posicionamento, em termos de ter a calma suficiente para esperar nas posições certas, que a bola irá chegar e que nós iremos fazer a bola chegar. Sentiu-se isso quando fizemos as alterações. Em alguns momentos, continuámos a ter caudal ofensivo, mas um pouco menos posicional do que costumamos ser e menos rigorosos naquilo que são os posicionamentos que nós queremos para o nosso momento ofensivo e defensivo. Precisamos de tempo, precisamos desta semana, vai ser importante para nós trabalharmos. Para já, dar descanso aos jogadores, que merecem. Depois, teremos uma semana completa para preparar a 2.ª mão e para que os jogadores que chegaram mais tarde e o reforço [Circati] se possam adaptar o mais rápido possível àquilo que são as nossas ideias e àquilo que temos de trabalhar", concluiu, antes de seguir para a conferência de imprensa.
| RESULTADO QUE PECA POR ESCASSO | ||
| "Uma vitória totalmente justa da nossa equipa e que, na minha opinião, teria de ser por números maiores, pelo nosso caudal ofensivo e as oportunidades que criámos. Uma entrada muito forte – como queríamos, como pedimos aos jogadores para terem – e conseguimos marcar muito cedo por mérito nosso, da forma como conseguimos ser acutilantes desde o primeiro minuto, com muito boas situações. A primeira parte é de muito, muito bom nível, na minha opinião. Uma primeira parte que só fica beliscada por praticamente 20 segundos em que corremos riscos que não devíamos ter corrido a ganhar por 2-0. Era só deixar a bola continuar a andar, continuarmos a fazer a bola andar rápido, como tínhamos feito até então. Porque fizemos três golos, o guarda-redes adversário fez uma grande exibição e tivemos muito mais oportunidades para fazer mais golos durante a primeira parte, quer em jogo jogado, em jogo aberto, quer nas bolas paradas também. Estivemos bem nesse momento e, basicamente, o resultado fica feito na primeira parte. Na segunda parte, um pouco diferente. O adversário praticamente abdicou sequer de nos pressionar na linha do meio-campo, baixou praticamente nos últimos 30 metros defensivos a perder 3-1. Jogou um pouco para levar o jogo para a 2.ª mão. Tivemos algumas oportunidades na segunda parte, mas não com aquela frescura com que jogámos a primeira parte. Na minha opinião, sentiu-se um pouco termos jogado na última segunda-feira [frente ao Casa Pia] também e, depois, algumas alterações que nós fomos colocando não surtiram de todo efeito. Faz parte. Em alguns momentos acabam por ter o efeito que nós queremos, em outros momentos nem tanto. Mais uma vez, grande atitude dos jogadores, uma atitude muito boa desde o primeiro minuto, a pressionar, a jogar, a ter qualidade, a ter uma reação ao nível daquilo que pretendíamos também. E uma segunda parte não tão boa, mas uma exibição, de uma forma geral, positiva, com uma primeira parte de grande nível." |
| "BOAS EXIBIÇÕES" DE BARRENECHEA E BARREIRO | ||
| "[Jornalista: Aursnes regressou e Barreiro e Barrenechea estiveram a um bom nível. Qual deles vai escolher para colocar no banco quando incluir o Aursnes no onze? Será uma decisão difícil de tomar?] Acho que disse tudo quando falou da exibição do Enzo [Barrenechea] e do Leo [Barreiro]. Hoje, no nosso momento defensivo, alterámos um pouco o posicionamento do Enzo, não em bloco muito alto – porque ele foi basicamente igual no nosso posicionamento inicial do 4-4-2 sem bola – mas, num bloco mais médio. Taticamente, ele fez um jogo de muito bom nível e depois, com bola, também teve um bom nível, que tem vindo a ter. Está a melhorar, a perceber claramente aquilo que pretendemos para a equipa, portanto, um bom jogo. E, como falou também do Leandro, um jogador que tem uma capacidade tática muito grande e, depois, a capacidade de chegar à área, a capacidade de estar nos momentos decisivos quando a bola vem do corredor contrário ou quando perfuramos pelo lado direito. Muito boa exibição dos dois, na minha opinião. O Leandro, um pouco mais cansado já na segunda parte, já com o amarelo, e daí a alteração que fizemos um pouco mais cedo, porque havia o risco do cansaço. Ao intervalo falámos um pouco com ele e, depois, já com o amarelo, não quisemos correr riscos nesse aspeto. [Jornalista: E em relação ao onze...] Isso vão ter de esperar para ver qual será o onze para a próxima quinta-feira e assim sucessivamente. Não lhe vou estar a dizer hoje o onze de quinta-feira." |
| CIRCATI VAI TER O SEU TEMPO DE ADAPTAÇÃO | ||
| "[Jornalista: O Circati já é oficial e descreveu-se como um jogador agressivo. Hoje voltou-se a ver menor agressividade no lance do golo do Aarhus. Pergunto-lhe se Circati tem condições para lutar pela titularidade com Tomás Araújo e Lenglet a curto/médio prazo?] Dois pontos. Em relação ao Circati, se não tivesse qualidades para lutar por um lugar na equipa do Benfica, não estaria aqui. Nós, quando contratamos jogadores, temos isso como objetivo e eu disse que era importante para nós contratarmos para melhorarmos o que tínhamos. É óbvio que nós temos vindo a jogar com o Tomás e com o Lenglet e precisávamos de contratar um central que tivesse a qualidade para poder jogar na equipa do Benfica. Naturalmente, vai ter o seu tempo de adaptação. Estava num campeonato que normalmente é difícil para os defesas, que costumam ter princípios e qualidades defensivas boas também. Mas uma coisa, com todo o respeito, é estar no Parma e outra coisa é estar no Sport Lisboa e Benfica pela dimensão, independentemente de ter vindo de um campeonato que, na minha opinião, é físico e é complicado para os defesas, para os avançados também. E parece-nos a nós, e temos a confiança, que ele se irá adaptar o mais rápido possível. E depois, estando adaptado, está aqui para lutar pelo seu espaço. Em relação à primeira parte da questão, eu sei que cometemos um erro, mas não me parece que aquele golo aconteça por falta de agressividade. Posso-lhe descrever o golo e aquilo que é a minha opinião. É um momento em que temos bola e perdemos uma bola que não podemos perder, mas falar daquela bola que perdemos depois com falta de agressividade não me parece que tenha muito que ver com isso. E depois há um corte infeliz dentro da área. Talvez a situação do Tomás mais no corredor, podemos falar aí de agressividade. Agora, o momento em que perdemos a bola não tem nada que ver com falta de agressividade. É um momento em que nós temos de não correr aquele risco. E depois, na área, é um cruzamento, já a correr no sentido da baliza, e o jogador tenta cortar a bola e ela acaba por ir para o adversário. Portanto, não me parece que tenha sido tanto esse aspeto. Eu sei que se tem falado muito e que é a análise que vocês fazem naquele momento, mas não me parece tanto que tenha acontecido isso." |
| SUDAKOV COM "NOTA POSITIVA" E RAFA "EXCELENTE" | ||
| "[Jornalista: O que achou da exibição de Sudakov? Preocupa-o o facto de, mais uma vez, não ter assistido ou marcado num jogo em que o Benfica ganha por bons números?] Entendo a questão dos números e de ter impacto quando joga como o nosso terceiro médio. Ele [Sudakov] é o jogador do meio-campo que joga numa zona mais subida. Quando temos o caudal ofensivo que tivemos, ou que temos tido em praticamente todos os jogos, eu percebo a questão em relação aos números e ele sabe que tem de ter mais impacto em termos de golos ou assistências. Essa é a sua função também. E, nesse aspeto, não há como não concordar com aquilo que me disse. Eu acho que ele fez um jogo positivo, sinceramente. Não querendo estar muito só a falar de um jogador, a vincar aquilo que é um jogador. Eu sei que vocês têm conversado muito sobre a questão do Sudakov. Não há aqui lugares cativos para ninguém, não há nada disso. É um jogador que tem características próprias e que, para terceiro médio, naquilo que nós queremos, não temos muitos jogadores com aquelas características no nosso plantel. Naturalmente, é um jogador que precisa de confiança, mas esqueçam lá a questão do lugar cativo ou que irá jogar sempre aqui. Tem que ver com exibições, tem que ver com o rendimento ao nível do treino e do jogo. Mas eu hoje, sinceramente, e já que me perguntou, considero a exibição dele positiva. Sem bola, em alguns momentos, acabou por ser quase o segundo médio, com a posição que eu falei há pouco, do Enzo [Barrenechea], um pouco mais recuada. E, por exemplo, se tivermos Prestianni ou Rafa naquele posicionamento, não são capazes de fazer o que fizemos hoje com o Sudakov como segundo médio. Portanto, nós estamos aqui para usar os jogadores dentro daquilo que é o nosso plano para o jogo e daquilo que queremos para o jogo. Em momentos em que pressionamos, normalmente em 4-4-2, o Rafa faz, e muito bem. E por falar no Rafa, uma excelente exibição do Rafa esta noite. Em outros jogos – e hoje o plano era um pouco diferente no nosso posicionamento sem bola –, para termos um médio ofensivo e um segundo médio sem bola, não temos muitos jogadores com essas características, além do Sudakov, ou do Fredrik [Aursnes], ou, neste caso, do Leandro [Barreiro], que já fez também no passado." |
| ESTÁDIO JOGOU COM A EQUIPA | ||
| "[Jornalista: Hoje sentiu-se que a Luz está alegre novamente, e sentiu-se que os adeptos jogaram com a equipa. Depois destas exibições que entusiasmaram os adeptos, acha que João Palhinha está ainda mais entusiasmado para jogar ao serviço do Benfica?] Terá de lhe ligar, não faço ideia. Se tiver o número dele pode ligar, que eu não faço ideia de como é que ele se está a sentir, ou se sentiu. Como vocês sabem, não vou estar a falar de jogadores que não são do Benfica neste momento. Em relação aos adeptos, e ainda bem que perguntou, é o mais importante para nós. Nós temos de fazê-los acreditar, é a nossa obrigação fazê-los acreditar com resultados, que acaba por ser o mais importante no futebol. Infelizmente para nós, Benfica, e para este grupo de trabalho, porque mereciam ter o primeiro jogo do Campeonato em casa e com o Estádio da Luz cheio – e o nosso adversário também merecia, sinceramente, neste caso o Académico de Viseu – não os tivemos. E não foi por aí que não vencemos o jogo. Fizemos uma exibição muito boa e que merecia algo mais e, por erros nossos, não o conseguimos fazer. Mas isto é futebol, o futebol é assim, tem de ser assim jogado, com adeptos no estádio e com o estádio cheio. E agradecer-lhes, mais uma vez. Nós temos de os fazer acreditar, mas eu senti o estádio sempre com a equipa, mesmo em alguns momentos durante a segunda parte, em que o jogo não foi tão intenso da nossa parte. Compreenderam, puxaram pela equipa. Nos últimos dez minutos, acreditaram outra vez que poderíamos fazer o quarto golo e puxaram ainda mais pela equipa. E agradecer-lhes por isso, agradecer o ambiente que criaram novamente no Estádio da Luz. E jogamos para eles e, como disse também, envolvê-los no jogo e eles jogarem connosco acho que é o mais importante para nós, porque, acima de tudo, eles são a alma deste Clube e nós precisamos deles." |
| A UNIÃO TRAZ A FORÇA | ||
| "[Jornalista: Pode admitir que haverá uma reformulação na hierarquia de capitães do Benfica se chegar um outro jogador?] Não. [Jornalista: Já agora, vou pegar na pergunta do meu colega. Os adeptos ficaram muito entusiasmados com este Benfica. Tem noção da esperança que lhes está a dar?] Nós temos de fazê-los acreditar. Se não os fizermos acreditar que estamos no bom caminho, não estamos a fazer bem o nosso trabalho. Resultados são o mais importante, mas, além dos resultados, há outras coisas também que são fundamentais para eles reconhecerem na equipa. Reconhecerem aquilo que é a nossa ambição, o nosso desejo de fazer as coisas bem, o nosso desejo de ganhar e de fazer com que o Benfica jogue um futebol com uma identidade clara. Essa é a nossa obrigação. Não vai ser sempre perfeito, não vai ser sempre – eu gostaria – tão bom como foi a primeira parte, e eu reconheço isso. Mas vamos tentar que seja sempre assim. Os adversários também jogam. O adversário de hoje colocou-nos algumas dificuldades diferentes dos outros dois adversários que jogámos na Liga Europa. Em alguns momentos, mesmo a perder 3-1, praticamente abdicou do que era jogar pelo menos em 50 metros, jogou em 30. E nós vamos ter de ter a capacidade, depois, de procurar outros caminhos, ser pacientes, de termos a acutilância e intensidade que nos vai obrigar a este tipo de situações. Mas é bom sentir que eles estão a acreditar, porque é esse o nosso trabalho. Nós temos de puxar para nós, fazê-los sentir que estamos num caminho que lhes agrada, porque depois, com eles do nosso lado, somos muito mais fortes." |