19h10 CET
07/03/2026
Em conferência de imprensa no Benfica Campus, o técnico destacou a imprevisibilidade da partida, sublinhando que espera um encontro muito exigente diante de um "adversário extremamente difícil de ser batido".
José Mourinho reconheceu também a importância do resultado para as contas do Campeonato, lembrando a distância pontual de 7 pontos dos encarnados para o 1.º lugar. Ao mesmo tempo, deixou garantias de que o Benfica vai abordar o jogo com ambição máxima, mantendo a crença na luta pelo título "enquanto matematicamente for possível".
O treinador apontou ainda o papel determinante que os adeptos podem ter no Estádio da Luz, elogiou o trabalho da equipa no plano ofensivo e admitiu a existência de dúvidas no leque de opções para este encontro. Aursnes é baixa garantida.
"Quando tu tens muita gente que vai ao jogo para jogar o jogo é quando tu crias um determinado tipo de ambiente, de positividade, atrás da tua equipa"
José Mourinho
À partida para este 3.º clássico com o FC Porto, está à espera de um jogo mais estratégico, como foram os outros dois? Um jogo mais amarrado? Que importância tem este jogo para as contas do Campeonato?
Não sei o que esperar, honestamente. Dizer o que se espera tem sempre um risco elevado. O futebol é imprevisível, não podemos dizer. Podemos falar de intenções, declarações de intenções, agora, dizer o que se espera é um bocadinho complicado. As contas do Campeonato fazem-se jogo a jogo, tem sido assim desde o princípio do Campeonato e será assim até que matematicamente as coisas estejam abertas. Seja para o campeão, para as competições europeias, para a descida de divisão. Enquanto a matemática o permitir, os jogos têm todos a mesma importância. Mas, objetivamente, a nossa distância para o 1.º classificado é de 7 pontos. Imaginando, que não quero imaginar porque sou otimista, mas pondo em cima da mesa uma dose de pessimismo: 7 que se podem transformar em 10. Obviamente, seria um passo gigante para as nossas possibilidades de ser campeão se esfumarem nesse momento. Mas não quero ser pessimista e pensar nisso. Quero ser o mais pragmático possível no sentido de que, enquanto matematicamente as coisas forem possíveis, nós vamos com tudo o que temos.
Francesco Farioli, na conferência de imprensa, considerou o Benfica o maior rival do FC do Porto e ainda expressou, também, a admiração que tem por si enquanto treinador e enquanto pessoa. Que reação tem perante estas palavras do treinador do FC Porto?
Relativamente às palavras dele para mim, seja como treinador, seja como pessoa, já lhe agradeci. Não falámos ao telefone, mas já lhe enviei uma mensagem. Conhecemo-nos há um bom par de anos e, ao longo deste bom par de anos, temos sempre trocado algumas palavras, algumas telefonadelas de circunstância, e já lhe agradeci. Se você não me tivesse perguntado, eu não o mencionaria. Você perguntou-me, eu aproveito para dizer o que é que fiz. Acho que a última mensagem que nós trocámos foi pelo Natal, agora senti a necessidade de o fazer. Se ele diz que nós somos o maior rival, é uma opinião sua. Se você me perguntar quem é o nosso maior rival na luta pelo título, eu digo que é o FC Porto, porque jogamos amanhã [domingo] com o FC Porto, é o FC Porto porque é a equipa que vai em 1.º lugar... Mas, objetivamente, eu considero que o Sporting e o FC Porto são verdadeiramente os nossos rivais, e estão à nossa frente. São os nossos rivais na luta pelo título.
Francesco Farioli, hoje [sábado], destacou a evolução do Benfica, disse que, consigo, a equipa mudou de mentalidade, e enalteceu o facto de o Benfica não ter derrotas no Campeonato. Pensando no FC Porto que defrontou no Dragão e naquele que tem visto nos últimos jogos, na sua opinião, melhorou ou piorou de rendimento?
Não me sinto muito confortável em estar aqui a comentar as palavras do Francesco, ainda que as palavras dele – não é que eu tenha visto a conferência –, daquilo que o Gonçalo [Guimarães] me passou, foram positivas, foram simpáticas, foram agradáveis de ouvir, ainda que eu não as tenha ouvido. Mas não me sinto muito confortável a comentar as palavras do Francesco. Honestamente, também não sinto que devo fazer essa avaliação, se o FC Porto está melhor, se o FC Porto está pior, não quero muito ir por aí. Quero ir na direção de que seguramente teremos um jogo muito difícil, contra uma equipa que por natureza é difícil. Quando jogámos contra eles – não me recordo se foi no Campeonato, se foi na Taça –, tive umas palavras que, na minha opinião, eram absolutamente normais, e ainda fui criticado por elas. Mas não tenho problema nenhum em repetir: é uma equipa fácil de analisar, de decifrar. Porquê? Até é um elogio: jogam de um modo muito percetível, os princípios de jogo são muito percetíveis. Aquilo que disse também, e repito, é que é muito difícil jogar contra eles. Há outras equipas que são mais complicadas de decifrar, têm outro tipo de dinâmicas, de princípios, variam muito os seus princípios de jogo para jogo. E é mais fácil jogar contra essas equipas, porque têm essa variabilidade, mas depois também têm muitas debilidades. O FC Porto é difícil de jogar contra eles.
É o 3.º clássico que joga nesta época frente ao FC Porto, tendo os 2 primeiros sido no Dragão. Amanhã [domingo], no Estádio da Luz, que tipo de papel podem ter os adeptos? Podem empurrar o Benfica para o que deve ser uma vitória necessária para continuar na luta pelo título?
É sempre a mesma história e utilizo muitas vezes, ao longo da minha carreira, estas palavras: ir ao jogo para ver o jogo, ou ir ao jogo para jogar o jogo. É sempre a mesma história. Há adeptos que vão ao jogo para ver o jogo, e pagam o seu bilhete para isso, portanto, não são criticáveis; mas há outros adeptos que vão ao jogo para jogar o jogo. Quando tu tens muita gente que vai ao jogo para jogar o jogo é quando tu crias um determinado tipo de ambiente, de positividade, atrás da tua equipa. Neste caso, da equipa que joga em casa. Há meses que ganhamos jogos a pensar neste jogo. O que nos motivou quando tínhamos 10 pontos de desvantagem – e às vezes começávamos os jogos com 13, ou com 12, porque jogávamos depois do FC Porto –, a todas essas lutas e esses jogos difíceis que tivemos de jogar, principalmente os jogos fora de casa, era poder chegar a este jogo em condições de lutar seriamente pelo Campeonato. Se nós hoje estivéssemos a 14/15 pontos, ou a 12/13 pontos, se tivéssemos empatado em Barcelos, nos Açores... Empatámos em Tondela, mas tivemos tantos jogos difíceis que tivemos de ultrapassar que a grande motivação era chegarmos a este jogo em condições de dizer assim: "OK, vamos lá ver se conseguimos lutar pelo título." E tendo feito isso tão bem quanto os rapazes fizeram, acho, honestamente, que os rapazes merecem esse apoio extra, que foi o apoio extra que o FC Porto teve contra nós nos 2 jogos que tiveram em sua casa.
"O benfiquismo não aceitaria que o Benfica jogasse de outra maneira. Há clubes onde é mais fácil ser treinador, porque não existe esse tipo de exigência. Exige-se resultado, mas não se exige um determinado modo de jogar. O Benfica é diferente"
Não obstante o Benfica ter vencido o Nápoles e o Real Madrid, e ter competido, até, pela qualificação para os oitavos de final da Liga dos Campeões, em Portugal, e salvo a Supertaça, ainda não venceu o FC Porto, o SC Braga e o Sporting. Porque é que, na sua opinião, isso aconteceu e porque é que os Benfiquistas devem ter motivos para acreditar que agora será diferente?
Não, aconteceu porque o treinador do Sporting e o treinador do FC Porto são melhores do que eu. E o motivo pelo qual os Benfiquistas podem ainda acreditar que nós podemos ganhar o jogo amanhã [domingo] é o que a equipa tem feito de bom, ganhando a esses adversários que você teve a gentileza de referir e, mesmo nos jogos em que não conseguimos ganhar ao FC Porto e ao Sporting, competimos a sério: perdemos 1 desses jogos, mas podíamos não ter perdido, empatámos 2 desses jogos, mas podíamos ter ganho. Portanto, essa proximidade à vitória, que foi o que aconteceu apesar de não termos conseguido ganhar, acho que é suficiente para os adeptos irem à Luz e confiarem que podemos ganhar.
Falou de "os rapazes merecerem por tudo o que fizeram". Sente os rapazes prontos para ganhar este jogo e darem essa resposta de que estão realmente na luta pelo título? Recuperando o que Farioli disse, ele elogiou o ataque do Benfica. Pergunto-lhe: em relação ao FC Porto, o que é que destaca mais – o ataque, o meio-campo ou a defesa?
Não consigo fracionar, não consigo separar, nem gosto de o fazer. Se têm tantos pontos, é porque têm sido equipa na sua globalidade. Têm um estilo definido, que foi definido ou pelo treinador, ou pela administração, ou por ambos, e tudo o que fizeram em termos de contratações no verão e na abertura de janeiro foi para continuarem a alimentar aquele estilo, aquela filosofia que os tem levado a fazerem tantos pontos. Tantos mais do que na época passada, mas a época passada é uma ilha num oceano, não é uma coisa normal. Não ouvi, não posso precisar, mas se o Francesco disse qualquer coisa positiva em relação ao nosso processo ofensivo, acho que disse o que praticamente toda a gente vê, que alguns não querem dizer, que alguns não querem falar, que alguns não querem referir. Mas, efetivamente, o Benfica é uma equipa que, ofensivamente, cria muito, joga muito no campo adversário. Expõe-se, muitas vezes expõe-se, principalmente porque, depois, não somos uma equipa que marca muitos golos. Nós marcamos poucos golos perante o que criamos ofensivamente, mas é a nossa maneira de jogar. Acho que também é uma exigência relativamente ao que é o benfiquismo. Acho que o benfiquismo não aceitaria que o Benfica jogasse de outra maneira. Há clubes onde é mais fácil ser treinador, porque não existe esse tipo de exigência. Exige-se resultado, mas não se exige um determinado modo de jogar. O Benfica é diferente, mas é assim. Nós, às vezes, até cometemos algum erro pelo qual, depois, pagamos. Não é que tenhamos pagado muito, porque os nossos resultados no Campeonato não têm sido negativos, mas é um modo de jogar. Eu não critico modos de jogar. Cada um, joga de acordo com as suas ideias, ou joga também de acordo com a idiossincrasia do clube. Os rapazes não estão todos prontos, porque há rapazes que não podem ir a jogo, mas aqueles que vão a jogo, estão prontos. Tivemos uma boa semana, fomos preparando o jogo dia a dia nas suas diferentes fases. Acabámos de fazê-lo hoje [sábado]. Tivemos, hoje e ontem [sexta-feira], reuniões de análise, de preparação. O jogo exige isso, é de dificuldade máxima, exige esse tipo de atenção ao detalhe. Acho que sim, acho que os rapazes estão preparados. Temos a ausência já conhecida do Aursnes, penso que teremos também alguma não conhecida. Tivemos alguns percalços nos últimos dias e haverá, seguramente, mais alguma ausência não conhecida. Mas, pronto, se isso vier a acontecer, faz parte, e vamos com os rapazes que estão prontos.
Esteve mais de 20 anos fora, regressou ao futebol português e parece que o ambiente continua basicamente na mesma. Na sua visão, porque é que isto acontece? Parece que de alguma forma os clubes tendem a sentir que este clima de guerra de palavras pode beneficiar uns ou outros?
Ao que é que se refere?
Refiro-me às trocas de palavras entre os presidentes do Sporting e do FC Porto, aos comunicados que têm também existido por parte do Benfica, por exemplo. Refiro-me a este ambiente do futebol português nesta altura.
Eu acho que misturar os comunicados do Benfica com a troca de palavras entre os presidentes do FC Porto e do Sporting é um bocadinho exagerado da sua parte. Acho, honestamente, que é um bocadinho exagerado. Relativamente às palavras dos presidentes que referiu: presidente é presidente, treinador é treinador. Eu, a não ser que seja levado a uma situação limite, evitarei sempre entrar em conversa de presidente, porque o presidente está aqui [em cima], o treinador está aqui [abaixo]. São eles que nos empregam, são eles que nos desempregam, são eles que nos são hierarquicamente superiores. Longe de mim pensar em – nem se trata de criticar – comentar as palavras que trocaram os presidentes do Sporting e do FC Porto. Se você fizesse essa pergunta noutra direção e me fizesse perguntas de outro âmbito, talvez eu pudesse ser um bocadinho mais específico. [Ambiente continuar desta forma?] Tem de perguntar aos presidentes. Eu sou treinador, a única coisa que eu posso fazer é tentar analisar coisas relativamente ao jogo propriamente dito, influências diretas no que é o jogo. Por aí, eu posso ir. Agora, por trocas de palavras entre dirigentes importantes, já não é para mim.
Quais são as ausências de que falava, a tal ausência não conhecida, ou ausências não conhecidas? Já sabe até quando é que não vai contar com Fredrik Aursnes?
Sobre as ausências dou-vos um bocadinho de trabalho de investigação. Para alguns será um bocadinho mais fácil, acho que para alguns basta uma chamada, que há sempre alguma toupeira escondida que o dirá; para outros, têm de trabalhar um bocadinho mais, mas vamos lá, trabalhem, vão à procura. Eu, nestas coisas, não dou tangas, não há mentiras e mentirinhas, estamos de facto em dificuldade, com dúvidas com um par de jogadores que são normalmente titulares.
"Até podem aparecer com outra variante na tentativa de nos surpreender, e, se isso acontecer, temos de ser capazes de ler o jogo, temos de ser capazes de comunicar"
Em relação ao último jogo do FC Porto, surgiu ali uma mudança na forma como a equipa habitualmente joga, com Pepê mais na zona central. Pensando nisso e pensando na ausência de Aursnes do meio-campo do Benfica, essa é uma situação, a questão do preenchimento do meio-campo do FC Porto, que o preocupa para este jogo?
De facto, o FC Porto, em Alvalade, utilizou uma variante que de certa maneira surpreendeu, até a mim próprio me surpreendeu como analista do lado de lá do ecrã. Cria dificuldades diferentes ao adversário, obrigou-nos a trabalhar um bocadinho mais, porque trabalhámos relativamente ao que o FC Porto tem feito ao longo de toda a época, e depois também trabalhámos, após o jogo com o Sporting, relativamente a essa variante, com o ala-esquerdo a jogar completamente por dentro e a formar ali um quadrado na zona central. De resto, até podem aparecer com outra variante na tentativa de nos surpreender, e, se isso acontecer, temos de ser capazes de ler o jogo, temos de ser capazes de comunicar, sem fazer a parolice de mandarmos o Trubin para o chão, e, enquanto o Trubin está no chão, eu reunir com os jogadores e fazer um timeout... Mas sermos capazes de comunicar e de tentar organizar, porque o FC Porto está com este treinador, Francesco [Farioli], há muitos meses, desde o princípio da época. Como eu dizia sempre, na pré-época, trabalha-se muita, muita coisa. As equipas vão evoluindo, e depois, durante a época, há a possibilidade de introduzir novas variantes, que foi aquilo que eles fizeram contra o Sporting, e, de certa maneira, saiu-lhes bem, surpreenderam, principalmente naquela fase inicial, tiveram uma entrada muito boa.
Referiu, logo no início desta conferência de imprensa, que uma eventual derrota praticamente esfuma as hipóteses de o Benfica ser campeão, mas o que lhe pergunto é: em determinado momento, caso o Benfica não consiga vencer, será mais importante não perder do que ganhar, ou este é um jogo que o Benfica tem de ganhar sim ou sim. Hoje [sábado], há outro jogo importante nas contas do Campeonato, um SC Braga-Sporting. O resultado desse jogo poderá, de alguma, mudar a abordagem no clássico?
Não. O jogo do Sporting não muda nada, o resultado não terá influência absolutamente nenhuma. Amanhã [domingo], durante o jogo, mais do que pensar "vamos com tudo para" ou "vamos segurar o que temos", é sentir o jogo com a ambição que temos. O que nos levou e nos motivou a dar muito, muito, muito ao pedal, sem ter uma única ajuda daquelas ajudas que são feias, que uma pessoa até se sente mal com elas – ainda bem que não tivemos nenhuma dessas, tivemos alguns empurrões ao contrário... mas lutámos muito, trabalhámos muito para chegar a este jogo em condições de ainda podermos pensar que podemos. Portanto, vamos com tudo o que temos até pensarmos que é possível. Vamos ver o que é que conseguimos. Eu repito: adversário extremamente difícil de ser batido, mas vamos com tudo o que temos.