🎥⚽ Marco Silva

03h30 CET

06/11/2026

PÓS-JOGO

Marco Silva sublinhou o seu contentamento pelo pleno de vitórias na fase de liga da Liga Europa, após o Benfica-Lech Poznan (3-1), jogo da 4.ª jornada da fase de liga da Liga Europa, disputado na noite desta quinta-feira, 5 de novembro, no Estádio da Luz.

Na flash interview à Sport TV, antes da conferência de imprensa, Marco Silva considerou o triunfo inteiramente justo e valorizou a capacidade da equipa para controlar largos períodos do encontro, embora tenha identificado momentos em que faltou distinguir melhor entre acelerar o ataque e conservar a posse.

"Em primeiro lugar, uma vitória totalmente justa. Fomos claramente a melhor equipa. Mais três pontos. Quatro jogos, quatro vitórias. Jogando competições europeias, independentemente da competição em que estás, obriga-te sempre a ter o mindset correto para este tipo de jogos, mudar de uma segunda para uma quinta-feira logo e percebermos o que temos de fazer. Independentemente de jogarmos em casa e termos algum favoritismo, temos de provar dentro do campo. A primeira parte teve momentos bons da nossa equipa, novamente. A forma como controlámos o jogo, como conseguimos jogar em meio-campo ofensivo. E depois, em alguns momentos, o controlo é tão grande que perdemos, principalmente após ganharmos a bola, a definição entre pensar que podemos atacar rápido o adversário ou, no momento, ficarmos mais com bola e tornarmos a montar a nossa equipa em meio-campo ofensivo. Falta-nos definir melhor nestes momentos", analisou.

A mobilidade do Lech Poznan na primeira fase de construção dificultou, em alguns momentos, a identificação dos instantes certos para pressionar. Ainda assim, o treinador destacou a capacidade do Benfica para manter o adversário longe da baliza e controlar o encontro através de um bloco médio quando a pressão alta não era possível.

"Pela forma como nós sabíamos que o Lech Poznan acaba por construir, com muitos jogadores numa zona mais baixa, a rodar muito os três jogadores no meio-campo e depois a rodar muitas posições, por vezes é difícil arranjar os momentos certos para a pressão. Nós, em alguns momentos, fomos conseguindo, noutros momentos não conseguimos, mas mantivemos o nosso bloco médio e não nos criaram praticamente nada", explicou.

"A segunda parte começa mais ou menos da mesma forma. Temos ali algumas boas oportunidades, alguns bons momentos de ataque rápido, em que podíamos ter feito mais cedo o segundo golo e praticamente acabar um bocado com a história. Acabámos depois por começar a mexer. A entrada do Enzo [Barrenechea], do Fredrik [Aursnes] e do Prestianni é para nos dar um bocado a calma de que precisávamos. O Manu já estava a ficar um pouco mais cansado, não tem jogado tanto também. Optámos depois por poupar um pouco o Claudio [Echeverri]. E alterámos um pouco o nosso meio-campo e depois, na esquerda, colocámos o Prestianni, tirando o Rafa e passando o Andreas [Schjelderup] para a direita. A equipa começou a acalmar também o jogo como nós queríamos. Fazemos o 2-0 e é óbvio que depois cometemos um erro, em que temos todas as condições para começar curto, como nós gostamos. Temos a superioridade. É óbvio que nós, para irmos ao jogador livre, temos de ter a capacidade de fazer o scan e ver de onde é que vem a pressão. É um momento que nós temos de continuar a trabalhar, porque temos todas as condições para começar. E aquilo abanou um pouco a equipa. Eu, possivelmente, também se calhar não ajudei muito com as alterações que fiz. Quis poupar o Tomás [Araújo] e tive de adaptar o João [Palhinha]. Não é totalmente novo para o João, mas praticamente não treinou nenhuma vez connosco naquela posição. Comecei a pensar no jogo de domingo possivelmente cedo demais e quis fazer uma adaptação, porque o Tomás jogou na última segunda-feira 90 minutos, possivelmente vai jogar 90 minutos no domingo. Com esta questão do Lenglet também tive de começar a pensar mais à frente e, possivelmente, eu também não ajudei a equipa com a alteração que fiz. Não tem nada que ver com o João, mas tive de adaptar um jogador. E, possivelmente, o Circati naquele momento, e o próprio Banjaqui e o Souffian [El Karouani], são jogadores que não têm jogado tanto, precisavam de alguma estabilidade. E o jogador com mais experiência e mais jogos era o Tomás naquele momento. A minha decisão possivelmente não ajudou muito. Abanámos um pouco ali após o 2-1. A realidade é que depois reagimos, acabámos por fazer o 3-1 e matar o jogo. Uma vitória justa. Não é fácil estar sempre a ganhar como nós estamos a ganhar nesta competição. Estou satisfeito por isso. Parabéns aos jogadores e temos de preparar agora o próximo", afirmou o treinador.

Lançado no decorrer da segunda parte, Prestianni voltou a ser decisivo e marcou o terceiro golo. Marco Silva destacou a evolução do jovem argentino, não apenas pela qualidade das decisões no ataque, mas também pelo trabalho desenvolvido sem bola e pela capacidade para cumprir as tarefas coletivas.

"É um grandíssimo talento, um grandíssimo jogador e está a dar passos cada vez mais certeiros para expressar todo o potencial que tem. Hoje, mais uma vez, em alguns momentos, quer o Andreas [Schjelderup], na primeira parte e quando jogou na segunda, quer o Prestianni baixaram muito sobre o corredor esquerdo quando o lateral-direito do Lech Poznan estava mais exposto no corredor. O Prestianni entrou com essa função e fê-lo também. Para mim, não é só o momento ofensivo. É tudo o que ele faz para a equipa. E depois está a decidir com uma qualidade tremenda. Está confiante, sente que o estádio também vai com ele sempre que ele entra ou que ele está no jogo. E a equipa também o serve no momento certo. Ele está num momento excelente. Perceber que algumas questões que temos vindo a falar e que temos trabalhado acabam por acontecer para ele no jogo dá-lhe ainda mais confiança. Muito satisfeito por ele. Não querendo individualizar, mas naturalmente está num momento excelente e é continuar a trabalhar da mesma forma, porque há muito mais para ele conseguir", reforçou.

A ligação entre equipa e bancadas voltou também a merecer destaque. Marco Silva reconhece a exigência inerente à dimensão do Benfica e compreende que os adeptos esperem vitórias acompanhadas por boas exibições. Mais importante, porém, é sentir que o público continua ao lado da equipa nos momentos de maior dificuldade.

"Eu sinto o mesmo que os jogadores sentem. Quando estás num clube desta dimensão, a exigência é enorme. Para nós é muito importante sentir que eles jogam com a equipa, vêm para jogar com a equipa, vêm para apoiar. Precisam de boas exibições, precisam que a equipa ganhe jogos para eles acreditarem cada vez mais. Nós temos feito com que eles acreditem e isso é o mais importante e, por vezes, o mais difícil também no futebol. E depois esperam resultados, esperam boas exibições. Em alguns momentos da segunda parte, em que não tivemos tanto controlo, não estavam tão satisfeitos. Faz parte. Nós temos de, quando estamos nesta casa, perceber que isto é mesmo assim. O futebol é assim. Mas a realidade é que, mesmo naquele momento em que abanámos, se houve alguém que depois puxou para cima a equipa... Você sabe do que é que estou a falar, sentiu, de certeza, o mesmo que eu senti no estádio. Só temos de lhes agradecer por isso", rematou.

MARCO SILVA | CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Vitória justa e controlo na primeira parte

"Uma vitória totalmente justa da melhor equipa, a equipa que fez mais por ganhar o jogo. Sabíamos que tínhamos algum favoritismo antes do jogo, jogando em casa, sendo a equipa que tem vindo a ganhar os jogos da Liga Europa como temos vindo a ganhar. Mas, mais uma vez, eu disse também que tínhamos de provar dentro do campo e acabámos por fazê-lo, de uma forma geral, durante o jogo. A primeira parte praticamente toda controlada, com alguns bons momentos da nossa equipa, com algumas ligações muito boas, com algumas oportunidades criadas também. E fomos, não com muitas oportunidades, mas de uma forma consistente, criando as nossas aproximações à área com muito perigo. Alguns remates muito perigosos, lembro-me de dois do Durán e a grande oportunidade do Andreas também, além do golo que fizemos."

Dez minutos de instabilidade, mas mais uma boa exibição

"A segunda parte começou mais ou menos no mesmo sentido, com outro momento em que podíamos ter feito o 2-0 mais cedo, com outro ataque rápido que deveríamos ter definido muito melhor, quando algumas vezes até estávamos em superioridade para o fazer. Acabámos por não fazer. E há um momento, depois, em que começámos a fazer algumas alterações, porque alguns jogadores, mesmo nós tendo vindo a rodar, já começaram a cair fisicamente. Alguns jogadores já com amarelo também. Por precaução, começámos a fazer algumas alterações. No momento em que colocámos o Enzo [Barrenechea], o Prestianni e o Fredrik [Aursnes] também, para dar alguma tranquilidade, alguma calma ali no momento. O Claudio [Echeverri] já estava a cair um pouco fisicamente. Mudámos o Sudakov de posição. E fazemos o segundo golo. Mas a equipa acaba por abanar depois de cometermos o erro que dá o 2-1. Abanámos um pouco num momento em que não deveríamos ter abanado. E eu também, possivelmente, logo após o 2-0, não ajudei muito a equipa com a alteração que fiz. Comecei a pensar já no jogo de domingo. Jogámos na segunda, jogámos hoje, jogamos no domingo. E não quis correr risco com o Tomás [Araújo], para que ele não jogasse outra vez 90 minutos. Nesta noite não tínhamos o Lenglet e comecei a pensar um pouco mais à frente. Acabei por adaptar o João [Palhinha] naquele momento e coincidiu depois com o 2-1. Ali atrás abanámos um pouco. Não tem que ver só com o João, como é lógico, mas, no momento em que estávamos a jogar com o Circati, com o Banjaqui e com o Souffian... Praticamente não têm jogado muitos jogos. Ter um central de raiz acaba por dar-nos ali alguma tranquilidade e o Tomás é o central que tem jogado mais naquela posição. Possivelmente, eu, pensando mais à frente, não ajudei muito a equipa naquele momento. E a equipa abanou um pouco. Reencontrámo-nos novamente, acabámos por fazer o 3-1, ainda tivemos mais uma ou outra oportunidade, podíamos ter feito mais golos. Uma vitória totalmente justa, com aqueles dez minutos em que abanámos. Começámos a lateralizar muito, a querer jogar de trás, como temos de jogar, mas depois não encontrámos o momento certo para quebrar a pressão e levar o jogo para o meio-campo ofensivo, que é onde nós nos sentimos bem e cómodos e sabemos fazer bem. Mas, de uma forma geral, mais uma boa exibição. Quatro jogos, quatro vitórias, o que é muito importante para nós. Manter esta mentalidade, esta capacidade de jogar segunda e depois, na quinta-feira, mudar um pouco o chip e o mindset para estarmos outra vez... Independentemente de estarmos em primeiro ou não, queremos ganhar jogos e isso acabou por ser muito importante."

Prestianni e Schjelderup nos flancos

"A concorrência é grande, quer à esquerda, quer à direita. E, entrando o Prestianni, nós sabemos onde ele tem estado a render de uma forma extraordinária. Hoje, em pouco tempo, demonstrou mais uma vez aquilo de que é capaz, todo o seu potencial, aquilo que ele dá à equipa, a agressividade que ele mete, com bola e mesmo sem bola, a sua capacidade de decidir cada vez melhor. Não só finalizando as ações, mas com passe, com tomada de decisão. Vê-lo a defender como defendeu também depois de entrar... O plano de jogo passava também por o nosso ala-esquerdo acompanhar o lateral até ao fim, se tivesse de acompanhar. O Andreas [Schjelderup] fez isso durante toda a primeira parte e também da segunda, e o Prestianni também o fez. É importante perceber que o jogador que está no momento em que ele está dá isso à equipa também e está completamente aberto a fazer o que tem de fazer, que é o plano da equipa. Dar-lhes o mérito por isso. E depois acabou por resolver bem. Se podem jogar um à esquerda e outro à direita? Claro que sim. Precisamos de mais tempo para trabalhar, precisamos de... Para o Andreas não é novo, viram-no há pouco tempo ele a fazê-lo ao nível da sua seleção. E hoje optámos por testar. O Claudio [Echeverri] e o Rafa já estavam um pouco mais desgastados. O Claudio jogou o último jogo, tem vindo a jogar mais tempo agora, e optámos por gerir desta forma, com o Andreas à direita."

Regresso europeu e capacidade de "mudar o chip"

"Quando comecei a minha carreira, passados dois anos já estava a disputar competições europeias, porque conseguimos, com o clube onde estava, neste caso o Estoril, conquistar esse direito de participar nas competições europeias. E, naturalmente, depois, a partir daí, criei esse hábito, não só a nível da Liga Europa, mas também da Champions. E, quando jogas a nível europeu, é um ponto alto poderes participar em competições europeias e poderes ter ambições a esse nível. É sempre bom sentir, independentemente da competição que estás a jogar, é sempre algo diferente. Eu disse aos jogadores hoje, e disse-vos: teres a capacidade, como clube grande que és, de mudar o chip, mudar o mindset de um jogo para o outro... Teres a capacidade, independentemente da qualidade que possamos ter ou não, de estarmos em primeiro ou não... Jogamos contra adversários de culturas diferentes, têm uma forma de jogar diferente. Uns jogam mais direto, outros de outra forma. E esta equipa é um bom exemplo disso: no seu Campeonato é totalmente dominante, é uma equipa que tem capacidade, não tem medo de ter a bola, como se viu hoje também. Depois nós conseguimos explorar outras situações que analisámos no adversário. Isto só é bom para a equipa, só faz a equipa crescer. Termos a capacidade de mudar de um jogo para o outro rapidamente e ajustarmos algumas coisas, como nós ajustámos nesta noite, quase sem treinar. Porque esta é a realidade, como vocês devem calcular, não há quase tempo nenhum para treinar. Temos várias ferramentas para tentar fazer com que os jogadores percebam isso, mas quase não há tempo para treinar."

Qualificação direta como objetivo

"Estamos a meio da viagem, essa é a realidade. Antes de começar esta fase de liga, já tivemos seis jogos. Deu-nos aqui para ir percebendo, entendendo melhor os jogadores, conhecer os jogadores em competição mais rápido. Mas também estamos a falar de chegarmos a este momento já com jogadores com muitos minutos e nós temos de ter a capacidade de ir gerindo. Jogámos na segunda-feira passada, esta semana fica com um desgaste muito grande. Mas é importante estarmos a conquistar vitórias, estarmos a conquistar pontos. Neste momento, não nos dá nada estarmos no topo da tabela, mas nós queremos a qualificação direta. Este sempre foi o nosso objetivo desde a primeira hora. Queremos evitar mais dois jogos num momento que pode ser crucial da temporada, com muitos jogos também. E essa é a nossa obrigação: lutar para que isso não aconteça. Só assim o iremos conseguir, conquistando vitórias. Não interessa o adversário, jogando fora ou em casa, termos esta capacidade de, sendo ou não favoritos no jogo... E hoje, nesta noite, com o respeito que temos pelo nosso adversário, tínhamos de nos considerar favoritos, mas depois temos de o provar dentro do campo."

Comunicação em campo

"Nós sabemos bem aquilo que queremos no jogo. Por vezes, os adversários conseguem contornar aquilo que nós queremos. É algo que eu lhes peço e que é bom que consigamos exigir uns dos outros: temos de ter a capacidade, dentro do campo, de resolver problemas. Podemos tentar dar algum feedback de fora, e damos, mas, por vezes, não é assim tão fácil os jogadores conseguirem ouvir, terem tempo de analisar. É importante, principalmente quem joga naquela zona central do terreno – hoje eram o Manu e o Sudakov. No nosso momento de pressão em 4x4x2, têm de ter uma capacidade muito grande de orientar quem está à frente e ter a capacidade de comunicar. É isso mesmo que eu quero deles. Quando comunicamos uns com os outros é sempre menos difícil. E depois, como em todas as equipas, há uns jogadores que têm um entendimento mais rápido daquilo que está a acontecer e têm uma leitura mais rápida. Se esses jogadores puderem ajudar o colega, é muito melhor para nós. É isso que nós exigimos uns aos outros."

Kamiński recupera a confiança e está preparado

"O Kamiński chegou numa altura importante da pré-temporada, em que estávamos a começar a preparar jogos muito importantes que vinham para a equipa. Não estava a fazer pré-temporada no momento em que chegou e acabámos por ter de colocá-lo nos últimos jogos de pré-temporada para estar disponível e tentar estar perto do seu melhor para os primeiros jogos. Acabou por começar a época a titular. A concorrência é grande. Acabaram outros jogadores também por ter a oportunidade e agarraram o lugar de uma forma que é difícil para a concorrência conseguir batê-los. E depois isto é uma concorrência pelo lugar que nós queremos. Acabámos por ter quatro, cinco alas de grande qualidade, todos eles diferentes, com a posição em que temos vindo a usar o Rafa também. Daí eu falar em cinco alas que temos na nossa equipa. Com alguns dos jogadores em momentos muito bons na temporada, a serem decisivos. Exijo aos outros que continuem a trabalhar forte para, quando tiverem a oportunidade, demonstrarem. Ele teve a oportunidade em alguns momentos também. Um bom exemplo foi o jogo da Liga Europa com o Milan, fora de casa, em que jogou a titular, com uma função muito específica que nós lhe demos. Ele teve um jogo muito bom e acabou por ser decisivo, com uma assistência e com um golo. Isso deu-lhe confiança. Infelizmente para ele, no momento em que vai à seleção, numa semana após esse jogo da Liga Europa, acaba por ter uma lesão que quebra um pouco aquele momento, o momento ascendente que ele estava a ter, mesmo em termos de confiança. Nós sentíamos isso. O bom sinal que nós tivemos após esta paragem, nos últimos dias em que ele começou a treinar com a equipa, é que sentimos que ele está com aquela confiança ao mesmo nível. E agora é competição, é mostrar que pode ser opção, é demonstrar que tem qualidade. E nós sabemos que ele tem. Ele está preparado para, quando tiver a chance, poder jogar. Ele sabe perfeitamente, e acho que vocês todos sabem, que tipo de concorrência tem neste clube para poder jogar. E depois compete-me decidir."

Coragem na construção e equilíbrio na tomada de decisão

"Eu não diria tanto chutão para a frente, mas, se pudermos jogar um pouco mais direto... Uma coisa é jogar chutão para a frente, outra coisa é jogar um pouco mais direto. São coisas diferentes. E, se tivermos de jogar direto, iremos jogar direto. Nós temos uma ideia clara e os jogadores sabem perfeitamente a ideia que temos. Do que eu vi, praticamente todas as decisões que o Trubin tomou durante o jogo com os pés foram acertadas. Em ligação mais curta, em ligação mais longa. Nós temos caminhos para ir e para chegar onde queremos e depois temos é de ter atenção à tomada de decisão. Eu percebo a questão. Possivelmente, após o erro que cometemos, continuarmos a tentar jogar da forma que nós queremos jogar, eu percebo que pode dizer que é arriscado. Eu posso pensar que é corajoso. Depois é arranjar o equilíbrio necessário entre uma coisa e outra: continuarmos a ser corajosos, mas, ao mesmo tempo, sermos realistas e termos uma boa leitura daquilo que são os momentos. Possivelmente, se não tivéssemos sofrido o golo daquela forma, não me estava a perguntar isso, independentemente dos riscos que corremos. Nós, na primeira parte, tivemos algumas saídas sob pressão dessa forma. Eu lembro-me, antes do golo, tivemos uma muito boa saída dessa forma, que quase dá golo nosso. Se se lembrar, alguns minutos antes do golo, uma ligação do Trubin com o Sudakov, a bola vai ao Tomás [Araújo], e o Tomás conduz a bola e praticamente é uma oportunidade, acho que é a oportunidade do Banjaqui, se não estou em erro. Mas é uma grande oportunidade nossa que nasce dessa forma corajosa como começámos a sair também. É óbvio que depois cometemos um erro muito grande no golo e criou alguma instabilidade na equipa. E depois começámos a usar em demasia passes atrasados e a usar o guarda-redes em demasia. Nós irmos ao guarda-redes, muitas vezes faz parte da nossa ideia. Nós queremos atrair, em alguns momentos, a pressão e faz parte da nossa ideia. Temos de ter o equilíbrio necessário. Falando diretamente do golo, e aqui o Enzo [Barrenechea] sabe perfeitamente aquilo que nós pensamos, não é crucificando ninguém. Se há algum erro, eles sabem quem é o responsável. Naquele momento, é o momento para nós sairmos limpos. Não havia quase pressão nenhuma no portador da bola. Dá-me a sensação de que o Enzo até podia ter girado. Nós, para irmos depois ao jogador livre, temos de perceber de onde é que vem a pressão. Tão simples como isso. Era um momento que nós podíamos ter resolvido de outra forma. Entendo o que está a dizer. Eu posso ver dos dois lados: em vez de risco total, também coragem da nossa equipa."

Quatro vitórias e as expectativas

"Em relação às expectativas dos adeptos, nós compreendemos. Nós sabemos o que é que eles pretendem. Acima de tudo, sempre que vêm ao estádio – ao Estádio da Luz, neste caso, ou sempre que vão fora também apoiar a equipa, e em muito bom número, em grande número, e sempre presentes –, querem ver o Benfica ganhar. Querem ver boas exibições, se possível, querem ver uma equipa a dar tudo. Eu sei que é importante para eles perceberem e verem algum tipo de futebol que os entusiasme, mas, por ser sempre o mais importante, termos a capacidade de ganhar jogos. Isso é que nos vai alimentando enquanto grande clube que somos, vai alimentando também aquilo que é a nossa confiança e vai fazendo crescer a nossa confiança enquanto grupo, enquanto equipa. Como eles não estão satisfeitos, nós não estamos nada satisfeitos com o golo que sofremos, como é lógico, e depois com aqueles dez minutos a seguir ao golo que sofremos, a forma como não reagimos tão bem. Eu sou o primeiro a reconhecer isso e os jogadores também. Mas, olhando de uma forma global para a competição até hoje, quatro vitórias em quatro jogos, tirando os outros seis que jogámos antes, é muito bom. As expectativas podem estar mais altas ou menos, nós temos é de olhar para o jogo seguinte como o mais importante. Confiamos em nós. Percebemos que há grandes equipas também nesta competição. Não é o mesmo nível da grande competição, a nível de clubes, em que o Benfica está habituado a estar, mas há grandes clubes. E muitos clubes também em que não é assim tão fácil ganhar os jogos consecutivamente. Por isso é que só três equipas, até hoje, até este momento, ganharam os jogos todos na fase de liga. Só demonstra que não é assim tão fácil ganhar jogos, independentemente da grandeza ou não do clube em que estamos. As expectativas... Compete-nos a nós fazer o nosso trabalho. E, se os adeptos criam expectativas à nossa volta, é porque estamos a fazer alguma coisa bem também. E isso é um bom sinal."

Parabéns a Cristiano Ronaldo por tudo o que fez por Portugal

"Não querendo entrar muito em detalhes, porque não me compete a mim entrar, é um jogador que foi grandíssimo para este país e para todos os clubes que representou ao longo da sua carreira. Tomou uma decisão que todos nós temos de respeitar, enquanto portugueses, e dar-lhe os parabéns por tudo aquilo que ajudou o nosso país a ser cada vez melhor e maior no futebol. Quem trabalhou no estrangeiro sabe bem aquilo que eu estou a dizer. Quando falamos de Portugal, quando falamos da nossa Seleção, já temos grandíssimos jogadores, é verdade, jogadores a jogar nos maiores clubes do mundo, também é verdade, nos melhores campeonatos do mundo. Mas a dimensão do Cristiano é enorme e não há como falar de Portugal sem falar do Cristiano. Eu posso testemunhar isso. E dar-lhe os parabéns por tudo o que fez pelo nosso país, pela nossa Seleção. E é uma decisão dele que todos temos de respeitar."

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