23h40 CEST
26/08/2026
| ANTEVISÃO | ||
Antes da conferência de imprensa, em declarações à BTV e à Sport TV, o treinador das águias perspetivou uma reação forte da formação dinamarquesa, que joga em casa e está em desvantagem na eliminatória, depois do triunfo encarnado por 3-1 na 1.ª mão, no Estádio da Luz.
"Jogo difícil. Sabemos que temos uma boa vantagem, que poderia ter sido mais dilatada pela forma como jogámos e pela qualidade que mostrámos, mas estamos confiantes de que estamos no bom caminho para passar para onde queremos e jogar na fase de liga da Liga Europa. Esperamos um jogo difícil, perante uma equipa que sabemos que irá dar tudo para mudar o resultado. Está em desvantagem e irá entrar no jogo como, normalmente, entra nos jogos em casa também. É um jogo em que temos de demonstrar a nossa qualidade e a nossa superioridade", disse.
"Na Luz fomos uma equipa pressionante. Fomos uma equipa que não deu muito tempo para o adversário respirar. E, nesse aspeto, taticamente e defensivamente, independentemente de termos sofrido um golo, foram 15 a 20 segundos num jogo de 95 em que nós estivemos a um nível bom. Portanto, é dar continuidade a isso, jogando fora de casa, num ambiente diferente, não com aquele apoio em massa que nós temos no Estádio da Luz, mas é mais uma etapa para estarmos na fase de liga em que queremos estar", acrescentou.
Questionado sobre a possibilidade de promover alterações na equipa, Marco Silva distinguiu o contexto atual daquele que levou a várias mudanças no encontro disputado em Edimburgo [frente ao Hearts], garantindo que o cenário será diferente.
"Fizemos mesmo bastantes alterações. Também era um resultado diferente, uma fase diferente da prova. Num momento em que também tínhamos jogos a meio da semana. Esta foi uma semana completa para nós, foi uma semana em que jogámos na última quinta-feira e iremos jogar amanhã. Foi uma situação diferente. Por isso mesmo, será diferente. Não vou dizer quantas alterações podem ou não existir, mas será diferente", revelou.
O técnico valorizou ainda a semana de trabalho de que dispôs para preparar o encontro, considerando-a importante para consolidar as dinâmicas da equipa e a integração dos reforços, dando o exemplo de Circati.
"Acabou de chegar um defesa-central [Circati] que tem de conhecer muitas daquelas que são as nossas dinâmicas como equipa, quer com bola, quer sem bola, bem como conhecer os seus colegas. Todas essas coisas demoram o seu tempo e, quanto mais tempo tivermos para treinar, melhor será para eles. Dei o exemplo do Circati, como podia dar outros", considerou, assegurando que o internacional australiano está "preparado e disponível para ir a jogo" caso seja essa a opção.
Lamentando a ausência de Aursnes, devido a uma entorse no tornozelo direito, Marco Silva também comentou rapidamente que João Palhinha chegou ao Benfica com o pensamento de "tornar a equipa mais forte", sublinhando, porém, que mais do que as questões de mercado, importa "manter o foco totalmente no encontro com o Aarhus".
O que espera deste jogo frente ao Aarhus? Traz uma vantagem da 1.ª mão, embora num cenário diferente daquele que teve no jogo da 3.ª pré-eliminatória [frente ao Hearts].
Sim, um cenário diferente, mas uma vantagem positiva para nós [3-1, no Estádio da Luz], num jogo muito positivo da nossa parte. E que nos dá a confiança de que, se estivermos ao nosso melhor nível, podemos estar onde queremos estar, que é na fase de liga da Liga Europa. O resultado poderia ter sido mais dilatado devido à forma como jogámos e à capacidade que tivemos de criar oportunidades. Como eu disse também, foi um jogo praticamente de sentido único, em que prevaleceu muito a nossa qualidade. Um jogo em que nós, naquilo que era a nossa estratégia tática defensiva, estivemos muito bem também. Sei que sofremos um golo completamente evitável no momento em que tínhamos bola, mas, taticamente, estivemos bem. Ajustámos algumas questões de posicionamento da nossa linha média, que funcionou também bem. Esperamos um jogo difícil. Um adversário que, naturalmente, vai querer reagir. Um adversário que vai querer ter um impacto desde o começo do jogo. E, como disse há pouco, é um jogo que vai exigir que estejamos a um nível muito bom para passar.
Gostava de lhe perguntar sobre o tema do dia, que é a chegada do João Palhinha ao Benfica. Qual é a sua opinião sobre o jogador e o que poderá trazer à equipa? E se, com a sua chegada, fica com a equipa com que sonhou quando aceitou comandar o Benfica?
Vou falar, claro, do João [Palhinha], mas não queria muito tirar o foco daquilo que é a razão de nós estarmos aqui. Eu percebo que, estando o mercado aberto, estamos sujeitos a estas questões de anunciar jogadores ou de jogadores chegarem, ou, noutros casos, de partirem também jogadores em momentos importantes para nós, de véspera ou de antevéspera de jogo. Portanto, estamos satisfeitos. Mas, como eu disse há pouco, percebo que é o regresso a Portugal de um internacional português. É um jogador que também esteve comigo já durante duas temporadas e percebo a narrativa que se foi criando, se calhar nos últimos 30 dias, no futebol português e na comunicação social, por tudo isso. Eu não vou entrar muito nesse aspeto. Não vou dar aqui uma ênfase que, neste momento, não é importante para nós darmos. Eu quero o foco total do Benfica no jogo de amanhã [quinta-feira], mas vou referir-me claramente à questão do João. Quando contratamos um jogador como o João para o nosso Clube é porque acreditamos que vai realmente acrescentar algo importante. Eu tinha falado muito do perfil que procurávamos para aquela posição. E, nesse aspeto, decidimos ir pelo João e é um jogador como todos os outros que tentamos contratar. Eu percebo a vossa questão e a curiosidade por aquilo que são as nossas opiniões e o impacto que pode ter ou não, mas quando contratamos jogadores é para tentar que o Benfica seja mais forte, e esse foi o objetivo com o João.
"Esperamos um jogo difícil. Um adversário que, naturalmente, vai querer reagir. Um adversário que vai querer ter um impacto desde o começo do jogo. É um jogo que vai exigir que estejamos a um nível muito bom para passar"
Marco Silva
Mas fica com a sua equipa de sonho?
Não, não vou entrar por aí. Mas vou-lhe ser claro e muito aberto nessa questão. Mal era de um treinador que se senta nesta cadeira que, após oito semanas no Benfica, já tenha a equipa de sonho. Portanto, a equipa está muito longe daquilo que tem de ser. Muito longe. Eu quero ser muito claro. Não é retirar expectativas, não é retirar objetivos, nada disso. Quando se está neste Clube, o objetivo é muito claro, mas eu também gosto de ser honesto ao máximo. Nós temos vindo a jogar bem, a fazer bons jogos. Há muito, muito, muito para melhorar, para nós sermos cada vez mais fortes e, respondendo diretamente à sua questão, acho que isso é óbvio. É impossível chegar a um clube e, após oito semanas, ter a equipa de sonho.
Com todo o respeito, e não querendo tirar o foco que o Marco [Silva] referiu do jogo de amanhã, João Palhinha não deixa de ser o tema do dia. Já disse que o orientou e não deixam de ter um percurso semelhante: estiveram juntos no Fulham, ambos passaram pelo Sporting e, agora, estão no Benfica. Tendo o Marco essa experiência pessoal, acha que os adeptos do Sporting têm razão ao sentirem-se traídos e ao verem que João Palhinha é sócio do Benfica desde 2005? E também noutra perspetiva, o presidente do Sporting disse que não fazia parte do projeto do Sporting investir tantos milhões num jogador de 31 anos. Sendo Benfica e Sporting dois candidatos ao título, porque é que não faz parte do projeto do Sporting e faz parte do projeto do Benfica?
Posso fazer uma pergunta? Tem mais alguma pergunta ou não? A essas não respondo. Não são perguntas relacionadas com o jogo, não são perguntas em que eu vou entrar por esses caminhos como treinador do Benfica. Peço imensa desculpa, não vou entrar por aí. Se quiser fazer outra pergunta, pode fazer, mas uma pergunta sobre o Benfica e sobre o jogo.
Olhando para o meio-campo e para as opções que tem agora disponíveis, fala-se também no interesse de Richard Ríos. Agora, com a chegada do João Palhinha como é que fica...
E o jogo de amanhã, não é importante...
Os jogadores do Benfica vão estar presentes no jogo de amanhã. Richard Ríos, por exemplo, vai estar presente...
E está focado no jogo de amanhã, não vou falar sobre isso...
Pronto. Com Aursnes de fora, Richard Ríos poderá aparecer amanhã como titular?
Não, isso tem de esperar. Eu percebo a questão. O Fredrik [Aursnes] está fora, o Richard [Ríos] tem vindo a trabalhar com a equipa, chegou mais tarde. Como eu falei, também é um dos jogadores que, chegando mais tarde, está-se a adaptar àquilo que são as dinâmicas da nossa equipa. Esta semana limpa e completa para nós trabalharmos foi importante para esses mesmos jogadores, para o próprio Circati, que acabou de chegar. Isso é que é o importante para mim, aquilo que eu controlo. Outras questões de que falou há pouco, não vou entrar por aí.
Disse há instantes que ainda não tem a sua equipa de sonho...
Foi-me perguntado isso...
"Passo a passo, tenho o sentimento e o feeling de que temos vindo a melhorar como equipa. Os jogadores têm estado a trabalhar forte e bem para perceberem aquilo que são as ideias de uma nova equipa técnica"
Pergunto-lhe se a posição de lateral-esquerdo e a de médio ofensivo – com alguém com as mesmas características do Sudakov – são posições que gostaria de ver reforçadas?
Eu gostava de estar aqui convosco a falar do jogo de amanhã e vocês estão a ir por caminhos em que eu não vou entrar. E, estando o mercado aberto, eu percebo, mas eu estou numa conferência de pré-match para um jogo que é muito importante para nós. Desde que começámos tivemos uma pré-época completamente diferente daquilo que é normal num clube da dimensão do Benfica. Vamos fazer o sexto jogo de qualificação para a fase de liga da Liga Europa. Passo a passo, tenho o sentimento e o feeling de que temos vindo a melhorar como equipa. Os jogadores têm estado a trabalhar forte e bem para perceberem aquilo que são as ideias de uma nova equipa técnica, como é normal. Mas, ao mesmo tempo, temos conseguido fazer com que assimilem rapidamente alguns daqueles que são os processos. Como eu disse, está longe de ser perfeito e eu quero o foco total e não vou estar a falar – e não o fiz – de posições que podíamos ou não estar à procura de reforçar na nossa equipa. Muito menos vou fazer isso na véspera de um jogo que é tão importante para nós.
O Fredrik [Aursnes] está novamente de fora e tem atravessado uma fase complicada desde que veio do Mundial, com algumas lesões e outro tipo de problemas. Como é que ele está em termos psicológicos com tanta lesão, tendo em conta que é um jogador habituado a fazer mais de 50 jogos por temporada? E também, tendo em conta que o Benfica tem sete jogos esta época e sofreu golos em cinco deles, se Circati já é uma opção para jogar amanhã e para estrear-se com a camisola do Benfica?
Em relação à segunda parte [da pergunta], nem sempre, quando se sofrem golos, o problema está no defesa-central, como quis fazer parecer com a pergunta que fez, que se o Circati entrar vamos deixar de sofrer golos, de certeza. Se eu tivesse essa certeza, amanhã podem contar e ter a certeza absoluta de que ele iria estar dentro do campo. Nem sempre quando a equipa marca muitos golos quer dizer que os avançados fizeram o trabalho perfeito e que a defesa não é importante. Hoje em dia, cada vez mais no futebol, toda a gente tem de perceber aquilo que são as dinâmicas de ataque e do nosso momento defensivo. E, como vocês percebem, sem bola, fizemos um jogo no qual praticamente não permitimos nada ao adversário. Em 15 ou 20 segundos, perdemos o foco na forma como perdemos bola e, depois, no momento de transição defensiva, deveríamos ter feito melhor. Já trabalhámos isso com os jogadores e já fomos muito claros com eles de que isso não pode beliscar aquilo que foi um jogo, em termos de organização defensiva, muito bom da nossa equipa. Nesse aspeto, não me parece a mim que tenha sido por aí no último jogo. Eu percebo a vossa questão. Quando se contrata um jogador, e sendo um defesa-central, que vai ser o jogador que vai resolver todos os possíveis problemas que uma equipa tenha. É a forma como vocês olham para a questão, mas eu olho de forma diferente. Portanto, em relação àquilo que será o onze, ou quem será o defesa-central, ou o guarda-redes – hoje não perguntaram o guarda-redes e se calhar ainda vem a pergunta também –, terão de esperar por amanhã para perceberem. Sobre o Fredrik, com muita pena nossa. Pior para o jogador, que não pode estar presente. Nestes momentos, são os jogadores quem sofre mais, por não poderem estar a 100% para ajudar a equipa. Um jogador que tem sido importantíssimo para o Clube e eu tenho a certeza de que será muito importante novamente para nós, enquanto equipa técnica. Sendo um jogador muito inteligente taticamente, acredito que não irá demorar muito tempo a perceber e a estar dentro daquilo que são as nossas dinâmicas. Até porque é um jogador muito atento e, mesmo não estando a treinar, na maioria das vezes está presente, quer estar presente para tentar perceber e assimilar o mais rapidamente possível aquilo que são as nossas ideias. Mas não tem sido positivo para nós não o ter, de certeza. Fez praticamente cinco ou seis sessões de treino desde que chegou das férias do Mundial e este para-arranca para ele não tem sido bom. Não só para ganhar minutos, mas depois para perceber as duas posições, especialmente naquelas em que o poderíamos vir a utilizar. E ele está presente, está presente nos jogos. Amanhã seria mais um momento para lhe podermos dar minutos de jogo. Não podendo exagerar muito porque não tem treinado tanto, mas seria mais um momento, e muito importante, para isso acontecer. Não será possível, infelizmente. Parece-nos a nós que não é nada de grave e esperemos que, quando voltarmos a treinar após o jogo de amanhã, ele possa estar integrado novamente e possa, de vez, começar a treinar com a equipa, para poder estar integrado nos jogos e assumir o papel que nós achamos, e temos a confiança, que ele irá assumir nesta equipa.
"Espero que possamos jogar à nossa maneira, da forma como queremos jogar, para virmos aqui mostrar a identidade do Benfica"
Na última partida [no Estádio da Luz], o Benfica dominou o jogo contra o Aarhus. Que tipo de encontro espera amanhã e o que espera que o adversário faça?
Nós esperamos, com certeza, um jogo muito difícil para nós e uma reação do Aarhus, certamente. Na forma como vão começar o jogo, provavelmente vão tentar ter um impacto sobre nós. Eles sabem que, se tivermos a bola, iremos criar-lhes problemas. Eles têm duas maneiras de o fazer. Provavelmente eu acho que eles vão pressionar muito mais alto do que fizeram [na Luz]. Em alguns momentos, eles tentaram, no começo do jogo. Mas foi difícil para eles, porque mostrámos qualidade a quebrar aquele primeiro momento de pressão. Provavelmente, vai ser o mesmo amanhã, provavelmente com uma pressão mais agressiva na nossa primeira zona de construção. Nós esperamos que isso aconteça. São uma equipa que vemos, pelos jogos no seu campeonato, que gosta de ter a posse de bola. No último jogo que eles jogaram em casa tiveram 70% de posse de bola e tiveram a capacidade de criar oportunidades também. Esperamos que tentem esse tipo de jogo, mas espero que possamos jogar à nossa maneira, da forma como queremos jogar, para virmos aqui mostrar a identidade do Benfica.