🎥⚽ Benfica-AFS | Pós-jogo

01h11 CET

22/02/2026

PÓS-JOGO

Na análise ao triunfo por 3-0 do Benfica sobre o AFS neste sábado, 21 de fevereiro, a contar para a 23.ª jornada da Liga Betclic, José Mourinho exaltou o profissionalismo da equipa na conquista de 3 pontos obrigatórios para as aspirações encarnadas.

Antes da conferência de imprensa, na zona de entrevistas rápidas da BTV, o treinador das águias fez uma análise inicial da partida, salientando a justiça de um triunfo cujos números até pecaram por escassos.

"Uma vitória merecida contra uma equipa que vive um momento difícil, mas dentro do momento difícil vive o seu melhor momento, a jogar melhor, a conseguir melhores resultados. Uma equipa séria, uma equipa que mesmo a perder ao intervalo por 3-0 continuou a fazer o seu jogo na 2.ª parte e a dificultar o nosso jogo ofensivo. É uma vitória que, se calhar, peca por escassa. Se calhar peca também por não termos metido na 2.ª parte um bocadinho mais de ambição, um bocadinho mais de intensidade no jogo, mas é normal depois do jogo passado e depois do jogo que está a chegar", afirmou.

José Mourinho prosseguiu com rasgados elogios à exibição de José Neto, na sua estreia como titular pela equipa principal do Benfica.

"Um jogo absolutamente extraordinário de um miúdo de 17 anos. Somos nós o único clube que mete a jogar jogadores desta geração de campeões do mundo de Sub-17. Acho que quem viu o jogo, ninguém acredita que o Zé [José Neto] tem 17 anos, porque fez um jogo com uma maturidade, com uma tranquilidade, com uma segurança... Na 1.ª parte, contra o jogador mais rápido e mais perigoso do AFS, na 2.ª parte contra outro jogador muito rápido e fresco, que entrou. Tranquilidade com bola, tranquilidade a sair. Acho que tem de ser um orgulho para quem trabalhou com este miúdo. E pronto, eu sei que é difícil as pessoas elogiarem o Benfica, mas elogio eu. Acho que é fantástico ter em campo o Zé durante 90 minutos e, depois, o Anísio [Cabral], o [Diogo] Prioste, que está em outro patamar. Mas acho que o Zé Neto foi, de longe, o melhor jogador em campo, por todas as componentes do seu jogo. Muito, muito contente com a confiança que lhe dei", frisou.

"Quisemos ferir, mas, ao mesmo tempo, quisemos dar segurança ao nosso jogo. Quisemos que o Zé fosse progressivamente entrando no jogo, primeiro a defender bem, primeiro a dar estabilidade e, depois, começar a projetar-se. Só que ele começou a projetar-se mais cedo do que aquilo que nós lhe tínhamos pedido. E eu repito: desenvolvemos muito jogo por aquele lado e foi por aquele lado que nós resolvemos, digamos, os problemas de jogar contra uma equipa que se compacta muito bem. E com todas as mudanças que nós fizemos, a resposta da equipa foi boa", acrescentou o técnico, referindo-se à dinâmica do lado esquerdo entre José Neto, Schjelderup e, muitas vezes, Rafa.

A finalizar a sua primeira intervenção, José Mourinho garantiu estar orgulhoso do apoio dos adeptos, que se estendeu dos minutos finais do encontro até à saída da equipa para os balneários: "Incrível, belíssimo, lindo! Aquele pessoal que começou atrás da baliza... fantástico. Até eu próprio seguia o cântico e acho que para os jogadores é uma mensagem bonita, no sentido em que a equipa luta, a equipa trabalha, a equipa joga, vai ganhando jogos, vai ganhando o máximo de pontos possível e nos momentos de dificuldade dá a cara e joga e luta até aos seus limites. Eu, enquanto treinador, orgulho-me muito e agradeço ao público o carinho que deram aos rapazes."

3 PONTOS IMPORTANTES E OBRIGATÓRIOS

"[No regresso ao Benfica, estreou-se na 1.ª volta, precisamente frente a este AFS e venceu por 0-3. Hoje, também com o AFS, venceu por 3-0. Que diferenças encontra nestes 5 meses e 1 dia que passaram entre os dois jogos?] O AFS está melhor. Organização, defensivamente compactos, resilientes, porque acho que não é fácil a situação deles. E estar a perder 3-0 e jogar na 2.ª parte como eles jogaram, penso que sem esperança de virar o resultado, mas com a resiliência, com a dignidade de continuar até ao fim. Mas posso imaginar que é difícil para eles estarem na classificação em que estão, mas dá para perceber que até ao fim vão fazer o melhor e vão lutar por vitórias e por pontos, ainda que seja matematicamente possível, mas muito, muito, muito, muito difícil que se salvem. Nós somos mais equipa hoje do que aquilo que éramos quando fizemos o primeiro jogo nas Aves. Somos uma equipa mais equipa, que tem princípios de jogo, agora, sim, perfeitamente definidos, em que todos os jogadores, e não só 10, sabem identificá-los, sabem interpretar. E continuamos nesta caça ao ponto e a fazermos a nossa obrigação, que é, independentemente da classificação, dar o máximo e ir atrás de pontos, que foi aquilo que fizemos hoje. Com uma 1.ª parte que acaba com o jogo e, depois, com uma 2.ª parte melhor da parte do AFS, e mais tranquila da nossa parte, baixando ritmos, tendo sempre o jogo controlado e estando sempre perto de fazer mais um golo ou outro. Mas uma 2.ª parte consciente, 3 pontos que são importantes. Diria mais que importantes, eram 3 pontos obrigatórios para nós."

PROFISSIONALISMO APESAR DAS DIFICULDADES

"[As suas declarações depois do jogo com o Real Madrid foram alvo de muitas críticas por pessoas importantes no futebol. Sente que essas críticas tiveram algum impacto em si? Sente que errou? Admite que errou nas palavras que utilizou? Desvalorizou a luta de Vinicius contra o racismo? Sente que essas críticas têm fundamento?] Não quero comentar. Eu repito que tem sido difícil para todos. Agora, não lhe vou especificar a que nível é que foram as dificuldades, mas difícil, obviamente que sim, para todos. Mas acho que, hoje, eles e eu, todos, fomos capazes de ser profissionais e de fazer o nosso trabalho o melhor que pudemos."

DIFERENÇAS ENTRE IVANOVIC E ANÍSIO CABRAL

"[Pensa em Ivanovic como extremo ou continua a pensar nele como ponta de lança?] Hoje, a partir do momento em que, entre aspas, ganhámos o jogo, era mais gerir aquilo que podíamos gerir e dar alguns minutos a quem merece minutos. Portanto, mais do que naquele momento estar a pensar na oportunidade como oportunidade, ou no desenvolvimento do Anísio [Cabral], ou do Iva [Ivanovic], o que eu queria naquele momento era dar repouso aos jogadores que acabaram por sair e tentar encaixar as peças o melhor possível, para manter a equipa equilibrada. Eu queria tirar o Pavlidis e queria tirar o Schjelderup, queria dar minutos ao Anísio, queria dar minutos ao Iva, e por isso foi mais um bocadinho completar um puzzle, deixar a coisa mais ou menos equilibrada. Agora, acho que é óbvio: o Anísio, enquanto atacante, é mais aquele atacante de referência, mais aquele atacante que joga de costas para o defesa, mais aquele atacante que utiliza a sua técnica em espaços curtos; o Iva, enquanto atacante central, é um atacante central de profundidade, é um atacante central de transições, de contra-ataque. Como nós, fundamentalmente, jogamos contra equipas que jogam em blocos baixos e fechados, e sendo o Pavlidis, claramente, neste momento, a primeira opção, o Anísio depois quando entra, principalmente nos momentos de dificuldade da equipa, é um jogador mais de referência do que aquilo que o Ivanovic é. Gostamos do Ivanovic, gostamos também da pessoa que ele é e do profissional que ele é, e é tentar ajudá-lo ao máximo."

MOTIVAÇÃO PARA BARCELOS

"[A exibição desta tarde acaba por ser um tónico para a equipa quando faltam 4 dias para o Benfica ir visitar o Santiago Bernabéu?] Não, eu acho que não tem relação com o Bernabéu. Acho que tem mais relação com Barcelos [onde se realiza o próximo jogo para a Liga Betclic, ante o Gil Vicente]. Obviamente que, se nós hoje não ganhamos, vamos a Barcelos com horizontes, motivações e ambições diferentes. Ao ganhar o jogo, e partindo do princípio que um dos nossos adversários diretos já ganhou e que o outro também ganhará, mantemos a distância, e iremos a Barcelos com essa mentalidade de que o jogo é também decisivo para nós. Portanto, o facto de termos ganho hoje não nos motiva para quarta-feira. Motiva-nos para Barcelos, porque são coisas completamente independentes."

A GESTÃO DE OTAMENDI

"[A substituição de Otamendi ao intervalo foi simples gestão, ou houve alguma questão física?] Foi gestão. Nenhum problema. Eu fiz muitas mudanças na equipa e, ao fazer muitas mudanças na equipa, quis manter ali 3 ou 4 jogadores. E pensei que o Otamendi, apesar de ser o mais velho de todos e ser um daqueles que têm mais minutos, achei que era importante a presença dele, até para não passar uma imagem errada ao grupo. Como eu digo sempre, naquela posição de central temos 3 centrais de um nível altíssimo e, neste caso, jogar um ou jogar outro não é problema nenhum para nós. Portanto, ao intervalo, quando tirei o Otamendi para meter o Tomás [Araújo], sabia que do ponto de vista do jogo não iria ser problema absolutamente nenhum para nós. De facto, até jogámos um jogo grande, no Porto [Taça de Portugal], onde jogaram Tomás e António [Silva], portanto a coisa de hoje jogar o Otamendi era mais simbólica, no sentido de passar aos jogadores a mensagem, pelo menos não incorreta, de que o jogo ia ser fácil, que o jogo não era importante. Ao ver que o jogo estava daquela maneira, dividi os minutos por ele e pelo Tomás, mantendo o António em jogo, que não tinha jogado no jogo passado. Mas ali é para onde eu posso dormir melhor, pela qualidade daqueles 3 jogadores."

GRANDE SATISFAÇÃO PELA EXIBIÇÃO DE BAH

"Fiquei mais do que satisfeito pelo Bah. Tive dúvidas entre jogar ou entrar no jogo, ele assumiu a responsabilidade perante mim de que, eventualmente, 90 minutos seriam muitos, mas entrar para jogar 20/25 minutos seria pouco. E então decidimos que ele jogasse de início e que fosse até onde tivesse de ir. Se o jogo tivesse um nível de dificuldade maior, tínhamos o Dedic no banco para entrar. Se o jogo estivesse mais ou menos controlado e não tivéssemos esse tipo de necessidade, baixava depois o Cabral [Sidny], e fomos com o Bah até onde foi possível ir, mas, obviamente, muito contente. Agora, voltamos a ter ali na lateral direita Bah e Dedic com Banjaqui."

MATURIDADE DE JOSÉ NETO E O MÉRITO DA APOSTA NOS JOVENS

"Se fosse outro clube a meter a jogar de início jogadores de 17 anos como nós fazemos, e fazemos bastantes vezes, acho que seria primeira página, acho que seria abertura de muitos programas, mas como é o Benfica passa um bocadinho ao lado. Eu, enquanto treinador, não consigo deixar passar ao lado, não só o trabalho que foi feito com os jogadores até chegarem à primeira equipa, todas as mãos pelas quais eles passaram, inclusive as mãos da Federação, que seguramente também tem impacto na evolução dos jogadores. E eu não consigo deixar passar em branco. Se estivesse hoje na bancada a ver o jogo e não conhecesse os jogadores, eu não acreditaria que aquele jogador, que jogou a lateral-esquerdo do Benfica [José Neto], tem 17 anos. Não acreditaria."

DINÂMICAS DOS FLANCOS

"[Que dinâmicas pediu a Bah e a José Neto na relação com Sidny e Schjelderup, também para ajudar na construção ofensiva?] Mais fácil na esquerda do que na direita. Na esquerda, queríamos construir a 3, com o Neto por dentro e com o Schjelderup por fora, e é uma coisa que é uma dinâmica quase natural, porque vai ao encontro das características dos dois, e foi tudo muito fluido por aquele lado. No lado oposto, é a primeira vez que eles jogam juntos, é a primeira vez que o Bah joga [nesta época], é a primeira vez que joga com o [Sidny] Cabral. O Bah gosta de profundizar mais por fora do que por dentro, também o Cabral gosta mais de profundizar por fora do que por dentro. Houve ali um bocadinho de choques relativamente às zonas ocupadas, portanto, obviamente que foi melhor pela esquerda do que pela direita, mas já sabíamos que isso podia acontecer."

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