03h10 CEST
23/10/2026
| PÓS-JOGO | ||
Na flash interview à Sport TV, Marco Silva destacou a supremacia das águias, sobretudo na segunda parte, mas não deixou de assinalar os cerca de 25 minutos da etapa inicial em que a equipa perdeu algum controlo, com erros na posse e menor capacidade para fazer circular rapidamente o esférico.
"Tivemos novamente uma entrada boa no jogo, a comandar, com uma boa jogada que deu a finalização do primeiro golo, ali entre o Claudio [Echeverri] e o defesa, parece-me. Mas a jogada até àquele momento é uma jogada muito boa da nossa equipa pelo corredor direito, com o apoio do Manu, para depois explorarmos a corrida do terceiro homem. Foi uma situação muito boa da nossa equipa e o jogo estava controlado. Bastava termos mais cuidado com bola e o jogo estava minimamente controlado. Nós sabíamos que não podíamos perder algumas bolas para dar ao adversário, e foi o que começámos a fazer. Perdemos bolas sem o adversário forçar, erros sem o adversário forçar. E, acima de tudo, foi o que nós falámos ao intervalo com os jogadores: quem entra assim no jogo depois não pode deixar o jogo andar da forma como nós deixámos o jogo andar. Independentemente de não termos situações de ataque muito... de grandes oportunidades, temos de ter um controlo do jogo com bola e depois criar. Tentámos muito forçar. Chegou a bola ao corredor esquerdo e não fomos muito objetivos. Mantivemos a posse, mas não fomos muito objetivos. Faltou-nos rodar rapidamente o centro de jogo de um lado ao outro e nós sabíamos que, quando o fizéssemos, íamos criar. Na segunda parte, a entrada foi forte, marcámos novamente cedo e depois controlámos o jogo. Estivemos bem. Basicamente, uma vitória claramente justa da nossa equipa, porque somos melhor equipa e acabámos por prová-lo durante o jogo, com 25 minutos não ao nível", analisou.
Os quatro golos marcados em Chipre elevaram para 53 o registo ofensivo do Benfica em 17 jogos oficiais na temporada. Números que Marco Silva associa à identidade da equipa e à capacidade para transformar a superioridade em situações de golo, sem perder de vista um aspeto a corrigir: a forma como as águias consentiram o tento do Omonia.
"Nós temos uma identidade clara. É óbvio que não vamos ganhar sempre desta forma. Hoje, a superioridade foi clara da nossa equipa e, por isso mesmo, temos de tentar realizar isso dentro do campo. Ficamos satisfeitos, é bom para os jogadores sentirem isso também. Mas há momentos em que é importante também não sofrer. O golo sofrido hoje não foi ao nível que devia ter sido da nossa parte, mas é isto que temos de corrigir. É importante ver bons golos, boas situações da nossa equipa e, mais uma vez, como falou, marcar quatro golos fora de casa é importante", valorizou.
Entre os protagonistas da noite esteve Manu. O médio assumiu um papel relevante não apenas na execução, mas também na leitura das alterações promovidas pelo Omonia durante o encontro. Marco Silva destacou precisamente essa capacidade de interpretar o jogo e de comunicar com a equipa técnica.
"O Manu tem um conhecimento muito bom do jogo. É um jogador que gosta de analisar, gosta de perceber o que é pedido e tem a capacidade, dentro do campo, de perceber isso mesmo. Foi uma situação... Ele percebeu que o adversário estava a vir de forma diferente, em alguns momentos, daquilo que nós tínhamos preparado e estava a dar o feedback, como nós estávamos a dar outro tipo de feedback no jogo. E é isso que é importante. Ainda mais os jogadores que jogam numa posição tão específica e tão importante naquilo que é o nosso jogar, na posição 6, é muito importante que eles tenham essa capacidade", enalteceu.
Com nove pontos conquistados nas três primeiras jornadas, o Benfica mantém-se no caminho traçado para esta fase da Liga Europa. Marco Silva assumiu claramente a ambição de terminar entre os oito primeiros, evitando assim uma eliminatória adicional num calendário que já considera muito pesado. Encerrado o compromisso europeu, o foco muda imediatamente para o próximo desafio na Liga Betclic, marcado para segunda-feira, 26 de outubro, em Ponta Delgada, frente ao Santa Clara.
"É esse o nosso objetivo. Nós já temos uma densidade de jogos muito grande e queremos evitar claramente algo que não faz parte do calendário neste momento. Só iremos evitar ficando nos oito primeiros, como falou. É um objetivo claro nosso. Nós temos de continuar a lutar por isso. É importante, nos nossos três primeiros jogos, conseguir as vitórias que temos conseguido. Para a semana haverá mais e esperamos conseguir recuperar bem os jogadores agora para o jogo de segunda-feira, que é o mais importante", afirmou.
| MARCO SILVA | Conferência de imprensa | ||
| Reação forte na segunda parte e vitória justa | ||
| "Uma vitória totalmente justa da melhor equipa, da equipa que tinha mais condições para o ser também. Concordo também que os últimos 25 minutos da primeira parte não foram ao nível. Duas entradas fortes no jogo. A entrada forte na primeira parte, em que não tivemos muitas oportunidades, mas o jogo, depois de fazermos o 1-0 e com a boa entrada no jogo, estava completamente do nosso lado e controlado, praticamente o adversário a não provocar nada. E nós, a partir dos 20 minutos, mais ou menos, começámos a falhar muitos passes, a perder bolas sem o adversário forçar. E o adversário começou a acreditar porque nós lhe demos essas condições para acreditar, na minha opinião. E, por isso mesmo, depois vieram alguns erros que não podem ser normais. Daí termos sofrido o golo como sofremos. Retificámos ao intervalo com os jogadores o que tivemos de retificar. Acima de tudo, fazê-los entender que não podemos deixar o jogo cair numa pasmaceira um bocado... E foi isso mesmo que nós fizemos na segunda parte: mais ao nosso nível, mais completamente em controlo, mas muito mais intensos, mais objetivos, acima de tudo. Mais objetivos naquilo que queríamos para o jogo, nos caminhos que queríamos para chegar lá. E, por isso mesmo, conseguimos fazer golos e criar muito mais oportunidades na segunda parte. De uma forma geral, dizer aos jogadores que a reação na segunda parte foi muito boa. Já lhes disse, dar-lhes os parabéns por mais três pontos nesta competição e temos de continuar o nosso caminho." |
| Objetivo é a qualificação direta | ||
| "Liderança na Liga Europa? Neste momento não vale muito. Acima de tudo, são três jogos, três vitórias para nós. Neste momento não vale muito mais do que isso. Nós temos um objetivo claro, que é ter a qualificação direta e estar numa posição que nos permita não ter mais dois jogos. E fazer aquilo que nós temos capacidade para fazer: olhar para cada jogo como três pontos para conquistar, independentemente de rodarmos mais ou menos. É olharmos para isso com a ambição de fazer as coisas bem e continuarmos a melhorar como equipa. Além do resultado que está, de podermos fazer mais ou menos golos ou não conceder golos, há questões muito importantes para nós. Porque, ao rodarmos, expomos alguns jogadores também a algo que eles querem muito e para o qual trabalham, e perceber qual é o desenvolvimento que a equipa tem, quer coletivamente, quer de alguns jogadores individualmente. Esse é o nosso objetivo. Neste momento, não deixam de ser três pontos. Olhar para a classificação, para nós, não é importante neste momento. Sinceramente, já estou a pensar em recuperar os jogadores o melhor que consigamos, porque temos um jogo muito importante nos Açores." |
| Concentração máxima em todas as competições | ||
| "Nós tivemos dois jogos, os dois primeiros jogos da Liga Europa, depois de todos os jogos que tivemos de qualificação. A densidade de jogos foi grande. Independentemente do nosso favoritismo em todos esses jogos, como nos competia, fizemos o nosso trabalho bem. E começámos a Liga Europa com dois adversários bem difíceis: um jogo fora de casa contra uma grandíssima equipa europeia e depois contra um histórico, na nossa casa, em que fizemos uma grande exibição na última quinta-feira contra o Celtic. E depois esta fase de liga tem este tipo de jogos: viagens longas, viagens contra adversários que nós sabemos que, à partida e no papel, somos claramente favoritos. Mas depois há que encarar estes jogos de uma forma séria, com a ambição certa, com a concentração que estes jogos exigem. Por vezes, os jogadores também percebem que somos melhores, que estamos a dominar o jogo, e é importante não perder aspetos fundamentais daquilo que é o nosso jogar. Nós jogamos muitas vezes quase em cima do adversário e isso requer que a nossa circulação, que a nossa posse, que a nossa concentração no jogo seja cada vez mais alta, para não darmos ao adversário algumas situações de contra-ataque ou perdermos bolas em zonas em que não devemos perder. E isso tudo faz com que a equipa vá crescendo. Nós, independentemente de termos alguns jogadores, em posições específicas, que têm experiência... Nós hoje acabámos por, além do Alex [Bah], do Trubin, o Tomás [Araújo] já tem essa experiência, mas alguns jogadores também jovens em certas zonas, que não têm tantos jogos internacionais como parece em muitos momentos. E é importante ir dando jogo. Não sei se tem sido ou não um mar de rosas. Nós encaramos muito a sério cada jogo e a competição. Têm sido jogos em que nós temos conseguido vencer e isso é o mais importante. E a nossa realidade agora é o Campeonato. E não é cair na realidade, é o próximo jogo. Porque depois também vamos ter uma Taça da Liga em que nós temos de estar totalmente concentrados na competição, independentemente de ser uma competição diferente. Foi isso que eu disse aos jogadores. Eu hoje, na preparação para este jogo, não só focado neste jogo, acabámos até por falar do que serão os nossos oito dias. Contando com hoje, vamos ter três competições diferentes, vamos ter viagens, vamos ter de tudo um pouco. E nós temos de estar sempre – por isso é que somos o clube que somos – no máximo daquilo que é a nossa concentração, da nossa resiliência, da capacidade técnica que temos. Mas depois as outras características enquanto equipa têm de estar lá. E depois isso requer dos jogadores, requer da recuperação. Recuperar, estar já no máximo, porque o Santa Clara vai-nos exigir isso. E depois, na quinta-feira, após três dias, outra vez. Portanto, é isso que eu quero fazer sempre com que os jogadores percebam essa questão, porque um jogo de futebol requer muitas coisas além da qualidade técnica ou tática que possamos ter." |
| Manu: recuperar confiança e voltar ao melhor nível | ||
| "O Manu, a transferência que teve e o que o Benfica acreditou nele, e os números que estiveram por trás da transferência, é porque ele estava a fazer as coisas muito bem. Eu não estava em Portugal, não via todos os jogos do Manu, mas o pouco que fui vendo acabou por justificar a aposta. E, quando chegas a um clube da dimensão do Benfica, sendo jovem, com as expectativas todas criadas à tua volta, e acabas por ter uma lesão tão grave como ele teve, quebrou aquilo que era o momento dele. E tem sido mais difícil para ele recuperar. A concorrência é forte. Neste ano, possivelmente, ainda mais, porque contratámos um jogador para aquela posição com características muito específicas, que é o João [Palhinha]. Temos o Enzo [Barrenechea] também, com um princípio de época muito bom, e ele sabe que tem de continuar a trabalhar forte. Ele começou a época a titular, como vocês se lembram, no jogo com o St. Gallen. Ele começou a época na posição. Acabou por começar bem o jogo, porque, se olharmos para aquilo que foi o nosso primeiro golo, a jogada do primeiro golo, ele tem um papel fundamental na forma como faz aquele apoio por trás da primeira linha de pressão do adversário e acabámos por encontrar a corrida do terceiro homem para o cruzamento, que foi o Fredrik [Aursnes]. E depois, quando o jogo... Não foi só ele, foi um pouco a equipa nos últimos 25 minutos do jogo. Estávamos a controlar o jogo e começámos a falhar alguns passes que, sinceramente, não sendo fácil, não era difícil não os falharmos. E daí ele começou a perder um pouco aquilo que foi a confiança. Cresceu novamente no princípio da segunda parte, estava bem naquele momento. E temos de continuar, sempre que for possível e ele também justificar, a dar-lhe minutos para ele recuperar de vez, principalmente a condição física dele ao seu melhor nível. Porque eu disse antes do jogo, quando falei para colegas vossos, ele tem um conhecimento muito bom do jogo, sabe perfeitamente o que nós queremos daquela posição e é uma posição fundamental naquilo que é o nosso jogar, a posição 6." |
| Minutos para Anísio crescer e ganhar experiência | ||
| "Não é que não tenhamos confiança no Anísio, mas eu esperava, sinceramente, especialmente mais um golo para... Porque eu tinha na minha cabeça alguns jogadores que têm tido mais jogos, que acabaram por jogar a nível internacional e na seleção. Alguns deles jogaram quatro jogos. O Pavlidis foi um deles. Não jogou os 90 minutos nos quatro jogos. Mas o Fredrik [Aursnes], que tinha na minha cabeça, o Tomás [Araújo], possivelmente, fazer algum tipo de gestão. Acabei por não fazer pelo resultado. Acabámos por dilatar o resultado mais numa fase terminal do jogo e tinha isso em mente. E, quando foi o terceiro golo, era uma das decisões que já tinha na minha cabeça. E, mesmo que não acontecesse, se calhar ia fazer o mesmo: colocar o Anísio para lhe dar minutos, para lhe dar alguma experiência de jogo internacional. Sentir este tipo de jogos é importante para ele. E será muito mais fácil... Se tiver de ir lá para dentro, irá. Será sempre mais fácil quando o jogo está minimamente controlado, para também lhe dar o espaço e a tranquilidade necessários para crescer ao nível do que tem de fazer." |