17h10 CET
02/01/2026
Dando conta das dificuldades inerentes ao embate frente a um adversário "interessante" e "sem pressão", fruto do lugar na tabela classificativa, o treinador das águias salientou a importância de "pensar jogo a jogo" à entrada de um mês de janeiro "intenso" e de alto grau de exigência.
Por entre questões relativas à abertura da janela de transferências de janeiro, José Mourinho também abordou a disponibilidade do reforço Sidny, revelando que este começará o jogo no banco, com boas probabilidades de entrar e de estrear-se de águia ao peito.
É o primeiro jogo de 2026 e o regresso a casa neste novo ano. Que adversário estão a contar receber e, por outro lado, qual a importância de começarem com o pé direito, depois do último empate [2-2] em Braga?
A importância é a de sempre. O objetivo é ganhar todos os jogos. E quando não se consegue, o resultado é negativo para nós. Portanto, relativamente a isso, não muda absolutamente nada. O Estoril é boa equipa, já os vi ao vivo para além do trabalho que fazemos de análise, e é uma equipa difícil. É uma equipa que joga bem, que joga um futebol muito interessante, para não elogiar mais do que isso, mas podia elogiar ainda mais. Uma equipa para a qual, como todas aquelas que não jogam competições europeias, cada semana significa uma semana de trabalho, e uma semana de trabalho com bons treinadores, como é o caso do [Ian] Cathro, são semanas de progressão na qualidade e na dinâmica da equipa. É uma equipa que está tranquila na classificação, não precisa de olhar para trás, não tem medo daquilo que vem atrás, porque está tranquila. Não tem obrigação de olhar para cima. Portanto, é uma equipa que não tem nada a perder e que, seguramente, quererá fazer um grande jogo contra nós e, se possível, um bom resultado.
Já entrámos em janeiro, que é um mês muito difícil para todas as equipas, mas para o Benfica, com tanto jogo e tanta decisão, como é que está a preparar e a antever o que aí vem?
Eu acho que, para o Benfica, é ainda mais difícil do que para todos os outros. Como eu dizia à tua colega da BTV, as equipas que jogam 1 jogo por semana são equipas que, obviamente, nesse aspeto, têm vantagens a todos os níveis. Têm vantagem pela possibilidade de trabalhar mais, têm vantagem pela não acumulação de fadiga, têm esse tipo de vantagem. Das equipas que estão nas competições europeias, acho que somos nós aquela que está em situação também mais complicada para janeiro, porque, obviamente, o FC Porto e o Braga classificaram-se, com mérito, obviamente, mas facilmente para a fase seguinte da Europa League. O Sporting também já está classificado com mérito. O Benfica é aquela equipa que tem 2 jogos decisivos, e, com esse maravilhoso calendário que o Benfica teve na Champions: depois de Chelsea, Newcastle e companhia, vem-nos agora Real Madrid e Juventus, acumulados com jogos de Campeonato, acumulados com 1, esperemos 2 jogos, na Taça da Liga, mais 1 na Taça de Portugal. Obviamente que essa acumulação é difícil. Honestamente, há equipas que têm plantéis que lhes permitem mudar muitos jogadores de jogo para jogo, que lhes permitem descansar, controlar melhor o load e os níveis de fadiga. No nosso caso, muitas alterações significam um decréscimo lógico no rendimento da equipa, no poder da equipa, portanto temos de pensar jogo a jogo. Se tu me perguntares agora se eu vou fazer contra o Estoril um pré-Braga, na próxima quarta-feira, não, não posso fazer isso. Tenho de jogar contra o Estoril, esquecendo que jogamos com o Braga na quarta-feira. Temos de ir jogo a jogo.
"No nosso caso, muitas alterações significam um decréscimo lógico no rendimento da equipa, no poder da equipa, portanto temos de pensar jogo a jogo"
José Mourinho
Quando termina um ano e começa um novo ano, normalmente fazem-se balanços do anterior e lançam-se objetivos para o novo. Pergunto-lhe claramente se no seu objetivo para este ano ainda está a luta pelo Campeonato – Rui Borges, ontem, por exemplo, incluiu o Benfica ainda nessa luta –, ou se, olhando realisticamente para aquilo que é neste momento a classificação, acha que isso é praticamente impossível.
Se calhar as pessoas não pensam como eu, mas, para mim, a transição do 31 para o 1 de janeiro não é diferente da do 1 de janeiro para o 2 de janeiro, ou da do 30 de novembro para o 1 de dezembro. Para mim, é só mais um dia. A situação do calendário não me diz absolutamente nada. O réveillon não me diz absolutamente nada. As 12 passas não me dizem nada. A roupa interior azulinha também não me diz absolutamente nada. Portanto, a esse nível não é por aí que eu vou. Relativamente ao Campeonato, agarro-me a duas coisas. Uma, à matemática, que é óbvia. Faltam muitos mais do que 10 pontos em disputa. Se estivessem só 9 em disputa, eu dizia que a matemática não nos permite. Faltam muitos. Agarro-me obviamente à matemática e agarro-me ao facto de nós sermos a única equipa que nas competições portuguesas não perdeu. O Sporting já perdeu. O FC Porto já perdeu. E o Benfica não perdeu. Agarro-me à nossa equipa, que não é, obviamente, uma equipa do outro mundo. Se fôssemos do outro mundo, estávamos, obviamente, em 1.º lugar e já qualificados na Champions, etc. Mas, com as suas forças e com as suas habilidades, somos uma boa equipa. Somos uma equipa a quem não é fácil conseguir resultados. Nos últimos 14 jogos temos uma única derrota, ainda por cima no jogo em que massacrámos o adversário, o Bayer Leverkusen. Perdemos 1 jogo em 14, no jogo em que fizemos 31 remates à baliza do adversário. E depois temos 10 vitórias, 3 empates – com o Braga, com o Sporting e com o Casa Pia. Uma equipa que em 14 jogos perde 1 da maneira como perdemos, também me dá força para acreditar que somos capazes de continuar a ganhar jogos. Há uma coisa que é muito óbvia, que às vezes as pessoas se esquecem, mas eu, ao longo da minha carreira, nunca me esqueci... É que, às vezes, o teu sucesso também depende dos outros. A 1.ª volta do FC Porto é extraordinária, e é 1.ª volta que não dá possibilidade a quem está a fazer bem de se aproximar... Se o FC Porto deste ano fosse igual ao FC Porto do ano passado, obviamente que nós estaríamos numa posição extraordinária.
Se o Sporting deste ano fosse igual ao Sporting do ano passado, que teve 3 treinadores e teve imensos problemas e teve imensas oscilações de forma, nós também estaríamos numa posição melhor relativamente ao Sporting, e esquecendo também aquilo que aconteceu nalgum jogo por aí. O sucesso de uns também depende muito do sucesso dos outros. E, nesse aspeto, eu tenho de dizer que nós não estamos a fazer mal, de todo, mas, ao nível do Campeonato, aquilo que o FC Porto está a fazer tem sido extraordinário ao nível dos resultados.
"Uma equipa que em 14 jogos perde 1 da maneira como perdemos, também me dá força para acreditar que somos capazes de continuar a ganhar jogos"
Num mês determinante para o Benfica, tem receio das arbitragens depois do que se passou em Braga?
Eu nunca tenho receio das arbitragens. Se tu me perguntares agora quem é que é o nosso árbitro contra o Estoril, eu não sei. E estou a ser honesto contigo. Nem sei como é que se chama... [Anzhony Rodrigues...] Ok, dá-me igual, dá-me absolutamente igual. Antes dos jogos, não tenho problema nenhum com nenhum árbitro. Podem-me dar qualquer árbitro que eu estou contente, podem-me dar qualquer árbitro que eu não tenho nenhum tipo de problema. Venha quem vier, bem-vindo. Não tenho esse tipo de problema antes dos jogos. Depois dos jogos, obviamente que analiso determinado tipo de situações, seja nos jogos do Benfica, seja nos restantes jogos da Primeira, mas também da Segunda Liga, porque também me interesso por isso. Depois dos jogos, obviamente que, às vezes, há coisas para dizer, há coisas que não se podem esconder, há coisas em que não se pode mandar areia para os olhos das pessoas, porque são facilmente visíveis e lógicas. Mas, antes do jogo, confiança total, aceitação total. Eu, pessoalmente, nunca vetaria um árbitro. Venha quem vier, bem-vindo, e que tenha sorte. Portanto, dizer-te que tenho medo... eu não tenho medo porque tenho este feeling positivo, que não me permite ter medo. Eu acredito que o árbitro que vem para o nosso jogo, virá para fazer muito bem. Se tu me perguntares sobre o árbitro que vai apitar o Gil Vicente-Sporting, já não te posso responder, porque não jogo, não é um jogo que eu jogue. Relativamente aos árbitros que apitam o Benfica, bem-vindos e boa sorte.
Como é que avalia estes primeiros dias de Sidny? Já pode ser opção para amanhã [sábado]?
Vai estar no banco. Não penso que tem condições para começar, seja do ponto de vista físico, porque já há bastante tempo que não treinava com a equipa no Estrela da Amadora, obviamente pela proteção à possível transferência – portanto já não treina nem joga há alguns dias. Esteve aqui connosco 3 dias, é pouco também para aprender a jogar connosco, mas está no banco e é uma solução boa, porque é um daqueles jogadores que podem jogar em diferentes posições. Miúdo tranquilo, miúdo feliz de estar aqui, com fácil integração. O português não é o melhor, mas metade da equipa é fluente em inglês, nenhum tipo de problema de adaptação. Parece muito bom menino, com muita ilusão de estar aqui e de jogar no Benfica. Em princípio, eu penso que ele acabará por jogar. Qualquer que seja a direção do jogo, eu acho que ele acabará por jogar.
"[Árbitros] Depois dos jogos, obviamente, que, às vezes, há coisas para dizer, há coisas que não se podem esconder, há coisas em que não se pode mandar areia para os olhos das pessoas, porque são facilmente visíveis e lógicas. Mas, antes dos jogos, confiança total, aceitação total"
Podemos depreender que a avaliação que faz do seu trabalho na equipa é positiva, só que os rivais têm sido mais fortes, é isso?
Obviamente que se o FC Porto tivesse empatado 2 jogos, o que seria uma coisa normal em qualquer Campeonato – aquilo que o FC Porto está a fazer é anormal, é anormal. Se o FC Porto tivesse empatado 2 jogos – nem sequer estou a dizer perdido 2, empatado 2 e perdido 3, mas digo empatado 2 jogos, que era uma coisa que poderia ter sido normal –, em vez de 10, estávamos a 6 [pontos]. Se o Sporting não tivesse tido a maravilhosa sorte de se terem equivocado ocasionalmente num pontapé de canto, no jogo com o Santa Clara, teria mais 1 empate – em vez de estarmos a 5, estaríamos a 3. Portanto, tu também dependes daquilo que fazem os teus adversários diretos. Dizer que o Benfica tem feito mal, digamos, nestes últimos, não sei, dois meses, onde não perdemos, onde deveríamos ter ganho em Braga. Pronto, agora já não estou com o humor negro de Braga, agora estou na objetividade. Em condições normais, teria ganho em Braga; em condições normais, teria ganho ao Casa Pia. Acho que o árbitro do Casa Pia... acho que é o que vai hoje ao Gil Vicente-Sporting... Teríamos 4 pontos a mais. Portanto, 4 a mais, 2 a menos, mas, objetivamente, superparabéns ao FC Porto por aquilo que está a fazer, é um campeonato fantástico... Autoavaliação? Estamos a fazer um bom trabalho. Ganhamos os jogos que temos, à partida, de ganhar. Não ganhámos ao Casa Pia, já sabemos porquê. Empatar com o Sporting – vamos esquecer o merecer ganhar ou não merecer ganhar – é um resultado normal. Um dérbi, é um resultado normal. Ganhar em Braga – lá estamos outra vez a voltar ao humor negro –, da maneira como nós o fizemos, é brilhante, porque o Braga é uma excelente equipa. E depois ganhámos jogos que não são fáceis de ganhar: Guimarães fora, Moreirense fora, Nacional fora... A equipa não está a fazer mal, de todo.
Amanhã [sábado] joga com o Estoril na Luz. Já elogiou aqui o Estoril, uma equipa muito ofensiva, há quem diga até que é difícil de ler, marca muitos golos. Nesta altura, acha que o Benfica beneficia mais destas equipas que deixam os jogos mais abertos?
Eu não sei se o Estoril deixa os jogos mais abertos. Se eles fizerem, por exemplo, aquilo que fizeram com Sporting de Braga – marcando ao homem, vindo à procura do adversário muito alto –, não é fácil. É difícil. Uma coisa, obviamente, é a equipa que se acumula em bloco baixo, mas eu não sei se é mais fácil jogar contra bloco baixo ou se é mais fácil jogar contra uma equipa que te aperta com tudo e que te vai buscar referências individuais. O Estoril é boa equipa e, depois, tem bons jogadores, e, com bola, tem boas dinâmicas. É como eu dizia anteriormente, é uma daquelas equipas que não precisam de olhar para baixo, que não têm medo daquilo que se passa abaixo e que olham para cima com a tranquilidade de "OK, vamos tentar ir o mais alto possível", mas sem um target completamente definido. Entram numa daquelas fases de estabilidade onde jogam bem, onde jogam com níveis de confiança altos. É um jogo difícil para nós.
"O [Sidny] parece muito bom menino, com muita ilusão de estar aqui e de jogar no Benfica. Em princípio, qualquer que seja a direção do jogo, eu acho que ele acabará por jogar"
Já tem Sidny Cabral às suas ordens. Esperava já ter também um extremo para atacar os adversários que se têm revelado difíceis de superar?
Ainda não temos, e confesso que, quando eu digo ainda não temos, não é com nenhum sentido crítico, porque eu conheço perfeitamente as dificuldades, portanto é com tranquilidade e com muita calma que eu espero que alguma coisa possa acontecer. Eu sei que o Clube está a trabalhar, eu sei que Mário Branco, Simão [Sabrosa] e Presidente são incansáveis no trabalho que fazem. Honestamente, se me perguntar se eu penso que vai chegar, eu penso que irá chegar algum jogador com esse tipo de características, mas ainda não.
Que tipo de jogador lhe faz mais falta: um Wesley, para a esquerda, um Rafa, ou um André Luiz, para a direita?
Eu não vou falar de jogadores que não são nossos, não vou alimentar mercados. Eu acho que isso é trabalho dos agentes, é trabalho dos clubes que querem ser vendedores, é trabalho dos PR, e é trabalho de alguns comentadores que também vivem de falar de mercado. Os 3 nomes de que você falou, a única coisa que eu posso dizer é que os conheço. Porque agora tem saído um nome de um jogador – o Balakov, ou Batakov – que eu nem sequer conhecia, e obrigaram-me a ir à procura do Balakov. Eu sei como é que as coisas funcionam, mas tentem ser um bocadinho mais equilibrados, como você, que falou de 3 jogadores que ao menos posso dizer que conheço, conheço os jogadores. Mas não, eu não gosto de falar de jogadores que não são nossos.
"Autoavaliação? Estamos a fazer um bom trabalho"
Consigo, Obrador ainda não somou qualquer minuto e Henrique Araújo, desde que você chegou, somou 16 [minutos]. Qual é o papel que antecipa para estes jogadores até ao final da época? Espera alguma saída neste mercado de inverno?
Eu pensava que ias fazer perguntas sobre aqueles que têm jogado mais, ou sobre aqueles que se foram estreando ao longo destas semanas, mas aceito a tua pergunta. Um dos jogadores que cresceram muito comigo... não quero dizer comigo, mas no período em que aqui estou, foi o Dahl. Na minha opinião. Vocês têm outra, ou podem ter outra, e é assim. Mas, na minha modesta opinião, um dos jogadores que melhoraram muito foi o Dahl. Eu, do Dahl, lembro dois erros em todos estes jogos – um contra o Bayer Leverkusen e o penaltinho contra o Braga. E, depois, só me lembro de grandes jogos, de uma melhoria enorme a nível ofensivo, porque ele, defensivamente, foi sempre foi muito certinho e muito regular. Já fez golos importantes, já fez assistências importantes, acabou de fazer o golo da vitória em Braga e é um jogador que não tem dado muitas hipóteses a quem está por trás de passar à frente. Neste caso, o Rafa [Obrador] é muito difícil ter uma oportunidade, ainda por cima o Dahl é muito regular fisicamente, recupera muito bem, é forte, não tem tido lesões. E, depois, na hora de dar alguma oportunidade, fui na direção do José Neto. Não só como prémio por aquilo que ele tem feito e por aquilo que ele fez no Mundial [Sub-20], etc., mas também porque convictamente acho eu – achamos todos – que o Zé tem um enorme potencial e que este tipo de pequenas oportunidades são coisas que vão acelerando o processo. Por isso, da mesma maneira que, às vezes, o sucesso e o insucesso das equipas depende dos adversários, nos plantéis, às vezes, o sucesso e o insucesso também depende muito daquilo que fazem aqueles que são, digamos assim, as primeiras figuras. Se você me perguntar se o Obrador é bom ou mau jogador, eu digo sem problema absolutamente nenhum que é bom, bom jogador, tem potencial, tem coisas a melhorar, mas é um jogador com potencial. Mas o Dahl, até agora, não lhe deu absolutamente hipótese nenhuma. O Henrique [Araújo] é um bocadinho o mesmo relativamente ao Pavlidis. O Pavlidis joga, joga bem, marca, assiste, é regular, a equipa está muito formatada a jogar com ele. E, depois, o Henrique também sofre um bocadinho com a situação do Ivanovic, que é um jogador que chegou neste ano já com o comboio em andamento, mas que é um jogador que foi um investimento importante do Clube e o treinador tem de tentar ao máximo ajudar o jogador a ir à procura das suas melhores qualidades, que nós sabemos que ele as tem, mas que, até agora, conseguiu aqui e ali mostrar o que pode fazer, mas não ainda de uma forma consistente. O Henrique também paga um bocadinho por isso. Relativamente a empréstimos, tudo isso está nas mãos de Mário Branco, Presidente [Rui Costa] e Simão [Sabrosa]. Há regras também a serem cumpridas. Há um número restrito de empréstimos, seja para fora, seja no consumo nacional, mas eu acredito que até ao final de janeiro há jogadores que têm obrigatoriamente de sair, até para seu próprio bem, para jogar.