00h50 CET
26/01/2026
O treinador do Benfica começou por abordar o encontro, na zona de entrevistas rápidas, em declarações à BTV, expressando o seu contentamento pela forma como as águias venceram, sobretudo pelo modo como o 4.º e último golo do jogo – cabeceamento de Anísio Cabral a corresponder a um cruzamento de Daniel Banjaqui – foi obtido: ao minuto 84 no dia em que Eusébio comemoria 84 anos.
"Estou de facto muito contente com o episódio de modo particular, porque é a estreia do Anísio em absoluto, é a estreia do Banjaqui na Primeira Liga e como titular. O Banjaqui faz um jogo extraordinário, o Anísio... melhor não se podia pedir a um atacante. É fantástico porque eles cresceram juntos, jogam juntos, no Benfica, na Seleção, no Benfica Campus. O Banjaqui já estava a 'saltar' há bastante tempo connosco, o Anísio ainda não, mas acho que é lindíssimo para eles. O significado do minuto 84 e do senhor Eusébio é ainda mais. O objetivo principal do jogo era ganhar, e o segundo objetivo, que era ganhar e jogando bem, também foi conseguido", disse.
José Mourinho assumiu que a entrada de Banjaqui no lugar de Dedic foi para dar ao lateral bósnio "um merecido descanso", reforçando que "sabia que Banjaqui ia dar qualidade de jogo" à equipa. "Quis dar ao Dedic a possibilidade de fazer o jogo de quarta-feira [frente ao Real Madrid] em condições físicas perfeitas", frisou.
Os dois golos de Pavlidis e a exibição do internacional grego foram igualmente destacados pelo técnico das águias, assim como o regresso de Rafa ao Estádio da Luz com o Manto Sagrado. "É um jogador de um nível superior, é um jogador de grande qualidade, com experiência de jogar com esta camisola pesada. Entrou bem, agora terá mais uma semana para poder trabalhar, terá uma semana para treinar com os jogadores, que era o que não estava a acontecer no Besiktas, onde ele treinava sozinho, e pensar que, se hoje teve 20 minutos, no próximo fim de semana, com o Tondela, seguramente poderá ter mais", frisou.
PROPÓSITOS CONSEGUIDOS, E O MINUTO 84
"Acho que é uma 2.ª parte muito bem conseguida, e uma 1.ª parte dominadora. Acho que, sem jogar brilhantemente na 1.ª parte, criámos 2 ou 3 muito boas oportunidades de golo, principalmente aquela do Aursnes, que é de uma posição em que normalmente acaba em golo, mas, depois, na 2.ª parte, acho que a entrada do Barreiro deu outra dinâmica à equipa, seja na pressão mais alta, seja na velocidade das transições, e depois é uma 2.ª parte bem conseguida. Objetivo conseguido, que era ganhar. Segundo objetivo, que era jogar bem, sem termos feito um jogo deslumbrante, acho que fizemos um bom jogo. Ao minuto 84, digo-lhe muito honestamente que, OK, aconteceu, e eu não posso dizer que esperava, mas posso dizer que esperava que tanto um como o outro [Banjaqui e Anísio Cabral] tivessem nível para jogar na primeira equipa do Benfica. Obviamente que quis dar descanso a vários jogadores que têm muitos minutos, só que não posso dar a todos, até porque não tenho a segurança de que todos eles tenham, entre aspas, réplicas preparadas para jogar. No caso do Dedic/Banjaqui, eu sabia perfeitamente que a resposta ia ser boa, que podia haver um ou outro erro – 17 anos, primeiro jogo com o Benfica no Estádio da Luz –, mas sabia que a resposta ia ser muito boa, sabia que ele nos ia dar jogo ofensivo, que nos ia dar cruzamento, que nos ia dar também muito boa velocidade no jogo defensivo, sabia. E o Anísio [Cabral] não me surpreendeu nem a mim, nem a nenhum dos jogadores da primeira equipa, que o tiveram nestes últimos 2 dias, nestes últimos 2 treinos. Não foi surpresa para ninguém, porque não engana, não engana. E estou obviamente muito contente pelos 2, e nesse minuto 84 não fazia obviamente a mínima ideia... sabia que o Sr. Eusébio teria hoje o seu aniversário, não sabia que seria o 84.º, mas fiquei obviamente superfeliz pelos 2 miúdos."
A VERACIDADE DO COMUNICADO DO BENFICA
"[Vitória como resposta àquilo que aconteceu no centro de treinos?] O que é que aconteceu? O que é que aconteceu? [Concentração de adeptos no Seixal] Acredita no que ouviu e no que leu, ou acredita no brevíssimo comunicado que o Benfica fez? Não tenho nenhum comentário a fazer, porque se tivesse de fazer algum comentário, teria de ir analisar muitos dos adjetivos que foram utilizados, e não quero, não quero honestamente. Eu remeto simplesmente para a simplicidade e a veracidade do brevíssimo comunicado que o Benfica fez, e remeto-me para isso."
RAFA VEM PARA DAR E AJUDAR
"[Rafa] Vai jogar onde tiver de jogar. Obviamente que não jogará nem a central, nem a médio-defensivo, mas vai jogar onde tiver de jogar. Um jogador que vem para o Benfica – depois de ter uma grande história já no Benfica, depois de ter saído, regressando agora, já numa fase final da sua carreira, se quisermos dizer assim – é um jogador que vem para dar, e que vem para dar sem exigir. É um jogador que vem para ajudar, é um jogador que vem porque vem para casa, é um jogador que vem porque quer responder afirmativamente às nossas necessidades, e tem muito para nos dar, tem muito para nos dar. É um jogador diferenciado, é um jogador de um nível superior, e vem para nos ajudar. Se você me pergunta em que posição é que vai jogar... Se não jogar a 10, jogará a 9; se não jogar a 9, jogará na ala direita; se não jogar na ala direita, jogará na ala esquerda. Ele vem para ajudar. Nós temos um plantel com mais soluções para algumas posições, menos soluções para outras posições. Ele vem para nos ajudar com a sua simplicidade, com a sua humildade, com o seu benfiquismo, com o seu amor à casa, ao serviço do Benfica, e, neste caso, ao serviço do treinador."
COMPETIÇÃO: ANÁLISE DO REGRESSO DE RAFA
"[Misto de aplausos e assobios pode ter impacto positivo ou negativo em Rafa?] Não sei o que lhe responder, honestamente. [Foi mais aplaudido ou mais assobiado?] Mas acha que eu tenho tempo no banco? Você nunca esteve no banco como treinador, pois não? [sorrisos]. Eu no banco não tenho tempo, não tenho sequer atenção ou sensibilidade para estar com atenção a aplausos, a assobios. Obviamente, se for uma coisa monstruosa, um aplauso monstruoso ou um assobio monstruoso, se forem 60 mil a aplaudir ou se forem 60 mil a assobiar, obviamente que se sente. Agora, neste caso, acho que é com naturalidade que há Benfiquistas que estão muito contentes, e há outros Benfiquistas que estão menos contentes. Eu, da mesma maneira que disse há bocado à sua colega se acredita naquilo que lê, naquilo que dizem, ou se acredita no comunicado do Benfica relativamente à situação de ontem [sábado], relativamente ao Rafa, eu também digo exatamente a mesma coisa. As pessoas acreditam naquilo que diz o Presidente do Benfica, ou querem acreditar nas histórias que se vendem? Eu, que não estava cá e obviamente desconheço a situação, acredito naquilo que diz o Presidente do Benfica. E aquilo que o Presidente do Benfica diz é: o Rafa não saiu a troco de alguns bons milhões porque o Presidente do Benfica – o Benfica tinha sido campeão, queria ser campeão no ano seguinte – não se importou com a perda de uns quantos milhões e pediu ao Rafa para ficar. O Rafa ficou, adiou a sua saída por um ano e saiu com toda a sua naturalidade para, numa parte final da sua carreira, ir ganhar aquilo que nunca ganhou e que não se ganha, obviamente, no futebol português. As pessoas querem acreditar no Presidente do Benfica, acreditam no Presidente do Benfica; se quiserem acreditar noutras histórias, acreditam noutras histórias. Eu, que não estava cá, acredito no Presidente do Benfica. No Rafa, eu acho que não tem impacto absolutamente nenhum. A experiência, a própria personalidade, acho que não tem impacto absolutamente nenhum. E, honestamente, o jogo, hoje, do Rafa foi um jogo bem conseguido a espaços, mas entrou com 3-0. Um jogo bem conseguido, mas a espaços. Eu gostava de ver o Rafa a fazer um golo importante no Estádio da Luz, aí vamos então ver se há 30 mil a assobiar e 30 mil a aplaudir, ou se são 60 mil a aplaudir. Esperemos por esse dia em que eu espero que, mesmo com tanto antibenfiquista aí, mascarado de Benfiquista em tantas das nossas TV e jornais, vamos ver se aí o verdadeiro benfiquismo não se sobrepõe e se as pessoas não aplaudirão o Rafa. O Presidente do Rui Costa também disse uma coisa na qual eu acredito perfeitamente, que foi: se o Benfica tivesse visto no comportamento do Rafa na sua saída alguma coisa que não fosse dignificante para o Clube, ou que tivesse como objetivo prejudicar o Clube, o Rafa não teria voltado em circunstâncias nenhumas. Desculpem, mas eu acredito no Presidente."
QUALIDADE E VERSATILIDADE DE SIDNY
"Acho que [Sidny] fez um bom jogo. Tal como a equipa, cresceu com o jogo, e obviamente que, na 2.ª parte, se libertou e cresceu com o jogo. Continuamos todos a pensar, ele inclusive, que pode jogar nas quatro posições, nas duas laterais e nas duas alas. Também tem um bocadinho a ver com aquilo de que nós mais precisamos, e, sem contar com o Bah, temos o Banjaqui e o Dedic na direita, e temos o Dahl e o José Neto na esquerda. Nas alas, neste momento, é mais importante para nós. É um jogador que tem um perfil diferente dos outros, é um jogador que tem um motor de alta cavalagem, ataca muito bem espaços, tem critério, e é por ali que vai andar, principalmente até ao final desta temporada. Mas é um jogador que nos dá estas quatro opções, um bocadinho à imagem do Aursnes, que também nos dá quatro ou cinco, e jogadores como estes são importantes nos plantéis. E hoje faz de facto um bom jogo, ainda por cima contra a sua anterior equipa, que eu acho que, sob o ponto de vista psicológico, às vezes não é muito fácil de jogar contra aqueles que há um par de semanas estavam ao lado dele."
A IMPORTÂNCIA DOS MOVIMENTOS DOS ALAS
"[Com a marcação dos médios homem a homem por parte do Estrela da Amadora, qual a importância de Prestianni e Sidny nos movimentos nas costas dos mesmos?] Foi importante porque, repara, para aí aos 5 minutos mais ou menos, há um duelo individual com um agarrão – penso que é no Sudakov, pelo n.º 6, ainda não conheço o seu nome [Kevin Jansson], mas esse novo jogador que chegou ao Estrela –, que está tipificado nas indicações todas da UEFA, da Champions, das reuniões que nós temos, que um agarrão daqueles, seja no meio-campo adversário, seja no teu próprio meio-campo, é um cartão amarelo. O jogador que depois, um bocadinho mais tarde, também tem outro, e aí sim leva o cartão amarelo, que poderia ser o 2.º, eu acho que a partir do momento em que ele tem amarelo e nós começamos a acumular mais jogadores por dentro, as coisas começaram a ser difíceis para ele, porque no início do jogo o Prestianni estava muito aberto, o Sidny também, o Enzo [Barrenechea] é um jogador muito mais posicional do que o Barreiro, e praticamente era só o Sudakov que jogava naquela zona. Depois, com o Barreiro em campo, o Barreiro começa a jogar na vertical com o Aursnes – em vez de jogar paralelo, começa a jogar na vertical –, e naquela zona começa a jogar Prestianni, começa a jogar Sidny, começa a jogar Sudakov, e acho que foi por aí a nossa avalancha de jogo na 2.ª parte."