15h10 CET
31/01/2026
Em declarações exclusivas à BTV, o treinador do Benfica lembrou que o encontro icónico e memorável frente aos merengues (4-2), na 8.ª jornada da fase de liga da Liga dos Campeões – e o consequente apuramento para o play-off da competição, onde irá encontrar novamente a formação espanhola –, ficou para trás e que o foco está no Tondela e nos desafios que o mesmo encerra.
As condições climatéricas e o respeito pela capacidade de luta da formação beirã – revelada nos últimos embates, em concreto na receção ao SC Braga – foram destacados por José Mourinho, que, no entanto, afiançou: "Vamos lutar pelos nossos objetivos."
Como foi preparar este jogo, este regresso ao Campeonato, frente ao Tondela, apenas com 3 dias de preparação e depois de tudo aquilo que se viveu no Estádio da Luz na passada quarta-feira com aquele jogo histórico com o Real Madrid?
O dia seguinte foi livre. Os jogadores também já não tinham um dia livre há muito tempo, e acho que foi importante para acabar com esse jogo, digamos assim. Tivemos todos mais de um dia para pensar, para reviver, digamos assim, e para meter na gaveta. E agora é pouco tempo de trabalho, obviamente, mas os 3 dias entre jogos são o que consideramos o mínimo ideal para podermos responder bem. Agora temos este jogo com o Tondela, seguramente em condições difíceis, condições climatéricas difíceis, eventualmente o campo também não será famoso, mas tem de ser, temos de ir. Aproveito a oportunidade por ter falado em condições climatéricas difíceis para jogar... Obviamente que a nossa solidariedade está com aqueles cujas condições climatéricas não impedem de jogar bem, impedem de viver nas condições mínimas, e para todas essas pessoas o nosso abraço.
"Temos 3 jogos de Campeonato antes [do Real Madrid], e é nisso que nos temos de focar"
José Mourinho
Olhando para esta jornada, o Benfica e o Tondela vivem momentos completamente distintos na época. O Tondela vem de uma derrota com o Famalicão, o Benfica, por outro lado, vem de uma vitória – que trouxe muita confiança – na Liga dos Campeões, e no Campeonato também está a atravessar um bom momento, marca pelo menos 1 golo há 11 jogos seguidos. Postas estas diferenças, que adversário espera encontrar?
Um adversário que vai lutar pelos seus objetivos, como nós vamos lutar pelos nossos. Eles estão numa situação difícil, mas que conhecem bem. Eu acho que as equipas que são promovidas à Primeira Liga, normalmente, no primeiro ano depois de terem subido, têm sempre épocas difíceis, em que vão lutar até aos últimos jogos pela permanência. Acho que isto é o Tondela. Vimos os jogos que realizou, principalmente em sua casa, e agora recentemente com o SC Braga, onde podia perfeitamente ter ganho. Tiveram a infelicidade de não marcar um penálti a poucos minutos do final que os deixaria muito perto dos 3 pontos. Portanto, competitivos eles vão ser de certeza absoluta, e, obviamente, merecem todo o nosso respeito.
À margem deste jogo, peço-lhe um comentário ao resultado do sorteio do play-off da Liga dos Campeões: ditou a sorte que vão reencontrar o Real Madrid depois do último jogo histórico.
Nós só tínhamos duas possibilidades, ou o Real ou o Inter, não tínhamos muito por onde escolher, e tocou-nos o Rei. No outro dia, quando um jogador do Real me ofereceu a camisola depois do jogo, eu, a brincar, mostrava aos meus colegas o símbolo que eles tinham nas camisolas no braço. São 15 [Champions League ganhas], são o Rei, com tudo o que isso significa, porque não é só história, é a história e é o momento atual. Portanto, vamos jogar contra, seguramente, o maior candidato a ganhar a competição. Mas temos 3 jogos de Campeonato antes – Tondela, Santa Clara e Alverca –, e é nisso que nós nos temos de focar, mas para acabar com o jogo que jogámos, e também para acabar durante estas semanas com o Real... Há uma coisa que eu queria dizer, porque não me apercebi no final do jogo: aquilo que o Courtois faz com o Trubin é de outro mundo. Eu acho que há sempre, nessas galas que se fazem nos finais das épocas, galas da UEFA, galas da Champions, essas coisas... eu acho que o prémio do Fair Play já está entregue. Aquilo que ele faz... eu arriscava-me a dizer que, dentro da tristeza da derrota, eu acho que ele encontrou alguns segundos para estar feliz pelo seu colega, que fez uma coisa do outro mundo. Portanto, acho que aquela reação do Courtois, dentro de um espaço de tempo em que nós só pensávamos em nós, parecia que estávamos completamente isolados do mundo... Eu não tive tempo de perceber. Depois, quando vi, não me surpreende, porque o Courtois foi meu jogador, e não me surpreende. É o melhor guarda-redes do mundo, mas agora demonstrou, com esta atitude, que, para mim, fica também na história desta Champions, aconteça o que acontecer, como um grande desta Champions, porque aquilo que ele fez com o Trubin é incrível.