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21/01/2026
Antes da conferência de imprensa no Estádio Juventus, nas zonas de entrevistas rápidas da BTV e da Sport TV, o treinador das águias fez uma primeira abordagem a "mais uma final" frente a um adversário forte e repleto de qualidades.
"É um jogo difícil de prever, porque a Juve não é propriamente um grande exemplo de equipa italiana. É uma equipa ofensiva, uma equipa criativa, uma equipa que mete muita gente na frente, que joga um futebol muito combinativo. E, olhando de um modo muito pragmático para os resultados, é uma equipa que, em casa, não só neste ano, mas ao longo da história, tem bons resultados. É uma equipa forte", vincou.
Referindo-se à matemática para continuar em prova na Liga dos Campeões, José Mourinho garantiu que o objetivo das águias passa por jogar para conquistar os 3 pontos e remeter as contas finais para o duelo da 8.ª jornada da fase de liga, ante o Real Madrid, no Estádio da Luz.
"Não sabemos quantos, mas sabemos que precisamos de pontos, não sei se 9, não sei se 10, não sei se 11. Se você me perguntar se vamos jogar para o empate, que nos deixaria vivos para o último jogo na Luz, eu não lhe vou responder afirmativamente. Vamos jogar o jogo, vamos tentar ganhar. Se no final do jogo não ganharmos, empatarmos e continuarmos vivos até ao último jogo na Luz, pois que seja assim", afirmou, assegurando que os jogadores do Benfica "estão familiarizados com a pressão dos grandes jogos".
José Mourinho também revelou que Bruma irá iniciar o duelo no banco e, confrontado com a possibilidade da chegada de Rafa Silva, deixou elogios a outro Rafa, Obrador: "Lamento muito não ter dado ao Rafa Obrador aquilo que ele merecia, porque não lhe dei nada. Um miúdo fantástico, um profissional tremendo que trabalhou tanto para evoluir, e evoluiu. Atingiu níveis nas últimas semanas que eu não conhecia nas semanas em que cheguei, mas depois eu não lhe dei nenhuma oportunidade. Não tenho problema em dizer que lamento isso e que desejo a melhor sorte para esse Rafa."
Queria-lhe perguntar muito diretamente se Rafa Silva já está fechado como jogador do Benfica e se é um pedido seu. O jogo aqui em Turim é visto como uma final?
Vocês já sabem que eu não falo de jogadores de outros clubes, o Rafa é jogador do Besiktas. Acho que é um modo ético de olhar para as coisas e, obviamente, de me proteger a mim e de proteger o meu clube. Eu só falo de jogadores que são do Benfica. Portanto, aí não há nada de que falar. [Jogo] É uma final como todas. Obviamente que, olhando para a classificação e para os pontos que normalmente são necessários para a qualificação, o Benfica precisa de pontos. Eu não consigo dizer se são 3 ou 4 de que precisamos, eventualmente 5, não faço a mínima ideia. Só no fim do 2.º jogo [frente ao Real Madrid, da 8.ª e derradeira jornada da fase de liga] é que o podemos saber. Mas isso também nos liberta de alguma pressão, no sentido de se amanhã [quarta-feira] o empate fosse suficiente para nós, tínhamos, se calhar, algumas amarras do ponto de vista psicológico. Não as temos. Vamos jogar o jogo para ganhar, sabemos contra quem é que jogamos, sabemos aonde é que jogamos, mas vamos jogar para tentar ganhar o jogo. Depois, no final, logo se vê o que é que nos faltará para podermos ter a oportunidade de nos podermos qualificar no último jogo.
A sua relação com Spalletti ao longo dos anos mudou. Como evoluiu a relação? Esperava que Spalletti fosse capaz de mudar a Juventus assim?
A relação não é importante, mas entendo que em Itália, ou em Portugal, essas histórias sejam mais importantes do que a verdadeira história. A verdadeira história é a Champions League, o Juventus-Benfica. O Luciano disse algo lindo na conferência de imprensa. Disse que o Benfica é um pedaço da história. Para nós, isso é muito, muito bonito, e agradeço por isso. Mas quando jogam Benfica e Juventus numa competição como a Champions League, Mourinho contra Spalletti não interessa para nada. Já é pública a relação entre nós. A fricção faz parte do futebol, era uma brincadeira aquilo que aconteceu aqui em Itália. Fora do futebol, a relação é diferente. Respeito-o muito, é um treinador de que gosto muito, e acho que esse é o aspeto mais importante.
"Obviamente que, olhando para a classificação e para os pontos que normalmente são necessários para a qualificação, o Benfica precisa de pontos"
José Mourinho
Contra o Rio Ave, Aursnes e Barreiro fizeram os 90 minutos. Neste jogo, vai fazer entrar no onze, por exemplo, Enzo Barrenechea ou Manu Silva? No seu entender, qual deles é que está mais preparado, seja fisicamente, seja em termos de ritmo competitivo, para entrar na equipa?
A única coisa que eu vou dizer relativamente à equipa de amanhã [quarta-feira], até porque foi uma pergunta que uma colega sua me fez nas entrevistas rápidas, é que o Bruma começa no banco. Até o próprio Bruma já confessou que não está a 100% do seu potencial, não está em condições para poder jogar 90 minutos, e a única coisa que eu vou dizer da equipa é que o Bruma está no banco. Mas, como ele diz, se eu precisar de contar com ele, vou contar. Vou contar com a sua experiência, vou contar com a sua vontade de ajudar. E aproveito para lhe dar os parabéns, porque a recuperação dele é verdadeiramente uma recuperação muito boa. Quando ele se lesionou, lesionou-se à minha frente, eu como treinador do Fenerbahçe. Eu vi logo a dimensão da coisa e nunca esperei que ele pudesse voltar à competição em janeiro. Ele fez um grande trabalho com a sua gente, fez um grande trabalho para recuperar, e agora a única coisa que tem de fazer é aquilo que me prometeu por aí há 10 ou 15 anos, quando jogou contra mim e fez golo. No fim do jogo, veio ter comigo e disse-me: "Tu levas-me para uma equipa tua e eu vou marcar golos para ti." Agora tem a oportunidade [risos]. Grande golo, pá, não foi? ["Foi, foi", responde Bruma, a seu lado.]
Spalletti afirmou que quando José Mourinho está no banco o volume do futebol sobe. O que espera quando Spalletti está no outro lado, no outro banco?
Eu espero qualidade, uma equipa com cultura tática, não uma equipa que fique à espera. Uma equipa que quer ser protagonista no campo, no jogo. Nunca conheci uma equipa do Luciano Spalletti sem jogadores importantes. Na Roma, ele tinha muita qualidade. Depois, quando voltei para Itália, para a Roma, eu encontrei-o no Nápoles, agora está na Juventus. Quando um treinador é bom, quando treina os jogadores mais fortes da liga, só se pode esperar qualidade. E as equipas do Luciano são muito bem treinadas do ponto de vista tático. Organizadas, com futebol associativo, vertical e veloz. É um treinador muito bom.
"[Bruma] Se eu precisar de contar com ele, vou contar. Vou contar com a sua experiência, com a sua vontade de ajudar. E aproveito para lhe dar os parabéns, porque a recuperação dele é verdadeiramente muito boa"
Há pouco disse que já sabiam o que iam encontrar aqui, neste estádio, e José Mourinho também sabe que é um treinador não muito querido pelos adeptos da Juventus... Que ambiente espera, ainda por cima sem adeptos do Benfica?
Já joguei aqui com o Inter, com a Roma, com o Manchester [United]... Obviamente que jogar aqui com o Inter é diferente de tudo, e é daí que vem o nosso amor, é dos meus tempos de Inter, mas é fantástico jogar aqui. Também joguei contra eles no Estádio Olímpico, mas jogar contra eles, aqui, ainda é melhor, ainda é mais bonito. É um estádio, como vocês veem, moderno, mas moderno no sentido de ser um estádio de futebol mesmo, com um ambiente fortíssimo, é típico da Juve. Ao mesmo tempo, Benfica é Benfica! Os jogadores do Benfica sabem o que é ser jogador de equipa grande, e com mais qualidade, menos qualidade, mais experiência, menos experiência, quem veste a camisola do Benfica sabe que nestes jogos tem de dar a cara. No nosso grupo que viajou, em determinado momento voltei-me para trás no avião e pensava que era o treinador da Equipa B, porque estão lá 8 jogadores da Equipa B no nosso grupo, o que significa também as nossas dificuldades com tantas lesões importantes que temos... mas é Benfica! O nosso objetivo é chegar ao último jogo com esperanças matemáticas de nos podermos qualificar, foi o que conseguimos fazer com o Nápoles e o com o Ajax, foi meter-nos em condições de podermos jogar estes 2 últimos jogos com pragmáticas esperanças de nos podermos qualificar. O objetivo é sairmos daqui amanhã [quarta-feira] com a qualificação aberta para o último jogo.
Tal como Luciano Spalletti, o míster José Mourinho treinou Inter e Roma. Quando soube que Spalletti iria treinar a Juventus, ficou surpreendido?
A única surpresa para mim é quando um treinador sem história, sem trabalho feito tem a oportunidade de treinar as equipas mais importantes do mundo. Quando o Milan contrata Max [Massimiliano Allegri], quando a Juventus contrata Spalletti, ou quando a Roma contrata Gasperini, não é uma surpresa, porque estamos a falar de grandes técnicos. Surpresa é quando treinadores sem experiência, sem história, assumem clubes de grande dimensão.
Foi aqui, vai fazer 12 anos, a última final europeia de um clube português [Sevilha-Benfica, em 2013/14, na Liga Europa]. Há uma seca maior entre 1968 e 1983, há outra também, de 13 anos, que é o próprio José Mourinho que a interrompe, em 2003, e caminhamos com algum risco para ter Portugal num recorde sem idas a finais europeias. Porque é que isto está a acontecer? Que diagnóstico é que faz ao futebol português?
Eu acho que isto está a acontecer porque, quer queiramos, quer não, no futebol a nível de clubes a situação económica tem um impacto muito grande. E obviamente que o poder económico está centrado em países que não Portugal, e em clubes que não os portugueses. Se quiser uma opinião muito pessoal, eu acho que os 3 grandes clubes portugueses, e não quero deixar o Braga de fora disto, podem chegar a finais da Europa League. E você vê também que as últimas finais portuguesas nas competições europeias, com a exceção de 2004, foram na Europa League. Portanto, eu considero que as equipas portuguesas de topo na Europa League são favoritas a chegarem às meias-finais, às finais, a ganharem. Na Champions League, obviamente que é muito mais complicado. Você compara os mercados que se fazem, você compara os investimentos que se fazem, você vê para onde é que vão os jogadores mais importantes, as transferências mais importantes. E eu acho que não erro se disser que a última equipa a ganhar uma Champions League fora de Espanha, Real Madrid e Barcelona, as equipas inglesas, o Bayern e o pobre Paris Saint-Germain... fora daqui, eu acho que... o Inter e o FC Porto. Comigo, hein?
"Os jogadores do Benfica sabem o que é ser jogador de equipa grande, e com mais qualidade, menos qualidade, mais experiência, menos experiência, quem veste a camisola do Benfica sabe que nestes jogos tem de dar a cara"
Deve ter visto o último jogo da Juventus, contra o Cagliari. A Juventus dominou, mas acabou por perder. Perguntávamos a Spalletti se faz mais sentido tentar jogar bom futebol e acabar por perder, apesar de outros pensarem que o resultado é mais importante. Para si, é mais importante jogar um bom futebol, ou o resultado é mais importante?
Se me pergunta se amanhã [quarta-feira] eu quero ganhar ou quero jogar bem, eu quero ganhar. Mas, normalmente, a forma que dá mais possibilidade de ganhar é jogar bem. Depois, podes perguntar o que significa isto de jogar bom futebol. É um tema que causa muito divertimento na opinião pública, entre pessoas que nunca se sentaram num banco, que falam muito. O que é fundamental, no final, é ganhar o jogo. Como disse, escolhendo entre jogar bem e perder e jogar mal e ganhar, prefiro jogar mal e vencer. Mas acho que não é possível jogar mal e ganhar... Não entendo muito esse conceito.
Luciano Spalletti disse que as equipas portuguesas, e o Benfica é uma delas, conseguem envolver muito os adversários na zona central, às vezes formando ali uma teia. José Mourinho já disse que não vai revelar quem jogará no meio-campo, mas o jogo com o Rio Ave foi muito bem conseguido pela sua equipa, e José Mourinho depois não teve oportunidade de explicar. Esta forma como o Benfica jogou com o Rio Ave – e não foi assim tão diferente como nos outros jogos –, houve ali algumas alterações, algumas dinâmicas... É esse Benfica que está mais próximo daquilo que pretende para agora e para o futuro próximo?
Não me diga que, durante uma semana, com tantos programas, com especialistas, não debateram isto suficientemente e, agora, querem-me obrigar a falar ou a explicar alguma coisa. Eu bem sei que houve eleições para a Presidência da República e aí que deu um bocadinho de descanso, mas debate-se tanto, tanto, tanto, que acho que não vale a pena explicar muita coisa. A única coisa que quero dizer é que o Benfica já vinha a fazer alguns bons jogos, já vinha a jogar, no vosso conceito, bem há muitos jogos. Se forem ver os mapas de posicionamento do Sudakov – de quem falaram tanto –, não variam muito de jogo para jogo, não variam muito dos jogos em que ele jogou mais como um 10 de referência, ou partindo mais da ala esquerda. As suas zonas de utilização são praticamente as mesmas. Mas depois também há uma coisa fundamental, que é nós procurarmos, obviamente, uma identidade de acordo com os jogadores que temos à nossa disposição. E depois, com todo o respeito, o Rio Ave é uma boa equipa, mas o Rio Ave é o Rio Ave, e a Juventus é a Juventus. Por muito que nós possamos tentar fazer um jogo igual àquele que fizemos contra o Rio Ave, contra a Juventus será, seguramente, muito difícil de o conseguir.