Na análise do empate (2-2) no Benfica-Académico de Viseu da noite deste domingo, 9 de agosto, Marco Silva sublinhou que a sua equipa criou oportunidades suficientes para conquistar os 3 pontos, reforçando que o embate devia ter ficado resolvido logo na 1.ª parte.
À BTV, na flash interview, o treinador das águias reconheceu a frustração pelo resultado no Estádio da Luz e recusou utilizar a ausência de público como justificação, apontando a ineficácia ofensiva e, sobretudo, a forma como a equipa consentiu os dois golos como os fatores decisivos para o epílogo do encontro da 1.ª jornada do Campeonato.
"Nós sabemos o que é jogar com adeptos ou sem adeptos. Agora vai soar muito a desculpa e vamos entrar por um caminho em que eu não quero entrar. Acho que quem entende o que é jogar futebol e o que é ter o fator casa, e com adeptos, percebe, mas não adianta ir por aí, porque não é o caminho que nos vai fazer melhorar. Era uma decisão que estava tomada, era o que estava previsto e vamos mas é olhar para aquilo que foi o jogo, para aquilo que é o cenário que já estava. Não adianta estarmos a perder energia com isso. Se o Bruno [Pinheiro] assumiu é porque é um homem do futebol, e quem anda no futebol há muito tempo sabe perfeitamente aquilo que acontece quando se joga fora de casa num estádio desta dimensão, com o apoio da massa [adepta], como normalmente temos. Também quero falar do apoio antes do jogo. Acho que é importante começar por agradecer-lhes o apoio. Resultado frustrante, de certeza, para os nossos adeptos, como para nós, e nós temos de assumir as responsabilidades. Simples como isso", começou por dizer Marco Silva, agradecendo o apoio dos adeptos que acorreram à Pepsi Fan Zone.
"Nós marcámos dois golos em casa, tivemos uma ineficácia muito grande com as oportunidades todas que criámos, mas não podemos sofrer da forma como sofremos. Esta é que é a realidade. Um jogo todo controlado, uma ou outra transição, é verdade, do nosso adversário, em que os duelos individuais têm de ser uma vantagem para nós e não uma desvantagem. Em muitos momentos, nós perdemos duelos individuais que não podemos perder. O lance que dá o canto que vai dar ao golo é um momento que temos de matar no corredor. Temos superioridade, temos igualdade, pelo menos, e há uma disputa. Isso é que é importante nós falarmos e claramente vermos o que temos de melhorar, porque o resto nós não podemos mudar e não adianta despender energia com isso. Portanto, resultado muito mau para nós. Assumir a culpa daquilo que foi o resultado, da forma como sofremos os golos. Não podemos sofrer um golo de canto e depois um golo de lançamento, com uma bola atrasada, um cruzamento em que o alinhamento não foi como deveria ter sido. E, naturalmente, depois de a bola chegar ao jogador, temos de ter a capacidade para parar os segundos antes, para depois não permitirmos os momentos de segunda linha, como aconteceu no golo. E, por isso mesmo, é o que temos de trabalhar, é o que temos de analisar, e depois a eficácia. Nós tivemos mais do que oportunidades para marcar os golos que teríamos de marcar para ganhar o jogo. Além da eficácia, preocupa-me muito mais a forma como sofremos os golos, porque é isso que temos de melhorar. Mesmo não marcando mais golos, dois golos seriam suficientes para nós ganharmos o jogo, se não tivéssemos sofrido os golos como sofremos", analisou, sublinhando a necessidade de a equipa evoluir nessa matéria.
No plano ofensivo, o técnico explicou que a estratégia passou por explorar os espaços concedidos pela linha defensiva adversária, destacando particularmente a exibição de Prestianni e lamentando que o domínio e as oportunidades criadas não tenham permitido resolver o encontro.
"Foi muito por aí. Nós sabíamos que estávamos mais do que preparados para a linha de cinco do adversário. Sabíamos que era como iria defender em bloco médio-baixo e sabíamos que o jogador ia acompanhar o Sudakov para criar uma linha de cinco. E era importante pelo menos ter cinco jogadores naquela linha, com o Leandro [Barreiro] a ser o sexto jogador, se assim a jogada se desenrolasse, para vir numa linha mais atrasada. Foi isso um pouco o que aconteceu no jogo. Um grande jogo do Prestianni, na forma como conseguiu ir encontrando os espaços, ir encontrando os momentos no um contra um que nós queríamos para o nosso jogo, ir encontrando também o Sudakov ou o Dahl em alguns momentos, para fazer a superioridade vindo de uma segunda linha. Criámos mais do que oportunidades para fazer mais golos. Na 1.ª parte, o jogo devia estar resolvido. Não esteve. Mesmo assim, reagimos bem ao 1-1, da forma como rapidamente fizemos o 2-1, e depois tem de vir a solidez da nossa equipa, como equipa grande que somos, porque é muito importante não sofrer golos da forma como sofremos", enfatizou.
| PENALIZANTE FALTA DE EFICÁCIA |
| "[As oportunidades não concretizadas na 1.ª parte e a ausência de adeptos tiveram impacto no jogo?] A ausência dos adeptos teve um grande impacto no jogo, não há que escondê-lo, mas não adianta falarmos sobre isso. Vai soar a desculpa e nós temos de olhar para nós e para aquilo que poderíamos e deveríamos ter feito de forma diferente para ganhar o jogo, mesmo sem adeptos. Era isso que devíamos ter feito. Indo para a questão da ineficácia, ou para as oportunidades que criámos – e muitas –, eu também sou daqueles que acreditam que, marcando dois golos em casa, se não sofrermos, vai ser suficiente para ganhar também. O que eu quero dizer com isto é que, sim, tivemos muitas oportunidades, era um jogo para estar resolvido ao intervalo. Nem estou a dizer com uma percentagem enorme de eficácia, mas com uma eficácia normal, suficiente, seria um jogo para estar resolvido ao intervalo. Não o fizemos. A conversa que tivemos ao intervalo foi para ajustar algumas coisas que teríamos de ajustar, principalmente na nossa primeira pressão, quando o adversário começou a baixar o médio para construir a três. Em organização ofensiva, [o adversário] não nos criou praticamente problema nenhum. Os momentos que tiveram foram momentos de transição, algumas bolas longas para a disputa da primeira bola e depois a segunda bola, alguns momentos de transição em que nós perdemos alguns duelos individuais, que não podemos perder. Essa é que é a realidade. A forma como começa o canto que dá o primeiro golo é um momento em que nós temos de ser agressivos. Temos de ganhar aquela bola e depois, no momento de perseguir os jogadores, temos de acompanhar os jogadores, porque é um momento de transição, é um momento em que não estamos em organização. Este tipo de coisas é que nós temos de melhorar, claramente. Porque, da forma como nós criámos e o número de oportunidades de golo que criámos, nós iremos marcar. Hoje a ineficácia foi muito grande, mas é importante continuar a dar confiança aos jogadores. Acertámos três bolas nos ferros e as coisas vão pelo caminho que têm de ir, porque nós criámos. O que nós temos de corrigir muito, e rapidamente, é a forma como sofremos os golos e uma outra transição, porque são momentos nos quais nós, na maioria deles, até estamos em superioridade numérica, nem sequer estamos em igualdade numérica num ou noutro momento. E, quando isso acontece, temos de ser agressivos na forma como vamos disputar os lances e ganhar os lances, que é isso que temos de fazer quando estamos expostos no meio-campo ofensivo e perdemos uma ou outra bola. Acima de tudo isso, sofremos dois golos que não deveríamos ter sofrido da forma como foram: no primeiro, num canto, e no segundo, após um lançamento lateral. Temos de ter contacto com os avançados, com os jogadores que estão naquele momento na área, é assim que se deve defender, e é isso que nós temos de procurar para nós. E vamos, claramente, melhorar nesse momento, porque não há outra forma de o fazermos, porque são momentos, na minha opinião, muito normais para nós concedermos golos. Como falou, criámos muitas oportunidades, é verdade. Um caudal ofensivo muito grande, a equipa a ser dominante como tinha de ser, como queríamos ser também. Depois, fizemos um golo cedo, o que nos poderia ter dado ainda mais tranquilidade para procurar o segundo e depois tentar matar o jogo. Foi isso que continuámos a fazer, mas infelizmente não fizemos. Tivemos uma boa reação ao empate, porque marcámos rapidamente o 2-1 e mesmo assim não foi suficiente para não sofrermos mais golos. É um resultado muito mau para nós. Não há que escondê-lo e agora é preparar o jogo de quinta-feira e depois virá o próximo do Campeonato." |
| UM AVANÇADO POSICIONAL COMO PRINCÍPIO |
| "Não vou dizer que será sempre o ponto de partida, mas, a esta distância, e no princípio de época, poderei dizer que, acima de 90%, será o ponto de partida com o avançado posicional e, depois, com os posicionamentos que queremos, quer dos alas, quer dos jogadores mais interiores. É óbvio que terminámos num momento em que sentimos o Prestianni já um pouco mais desgastado. Estava a ser claramente o homem do jogo, pela forma como estava a desequilibrar, como conseguiu construir praticamente em todas as zonas do terreno, à esquerda, onde começou, bem aberto, a forma como construiu muito o nosso caudal ofensivo na 1.ª parte, como faz o golo também. Depois, quando retirámos o Rafa, dar-lhe um pouco mais por dentro, junto ao Andreas [Schjelderup], para termos ali o que queríamos mais por dentro e o Andreas por fora. Fomos tentando, de várias formas, e depois, já muito desgastado, acabámos por partir para a situação com dois avançados, ser o Pavlidis a partir daquela zona, para chegar mais perto do [Jhon] Durán. Foi o que procurámos: dar a largura total, também no corredor direito, sem o Rafa, já com o Lukebakio. Continuámos a criar oportunidades, mas a realidade é que não conseguimos colocar a bola dentro da baliza e fomos penalizados com um resultado muito negativo para nós." |
| TODOS OS GUARDA-REDES CONTAM |
| "O Samuel [Soares], como o Trubin, como o Diogo [Ferreira]... são os guarda-redes do Benfica que fazem parte do plantel e é com eles que contamos." |
| EVOLUIR NA EFICÁCIA E SOLIDEZ |
| "Não é assim tão fácil arranjar soluções já neste momento para a falta de eficácia. Por vezes há jogos assim, há jogos em que criamos muito e não conseguimos fazer um número de golos coincidente com as oportunidades que criámos. Esta noite é claramente um desses exemplos, mas não há explicação para numa quinta-feira sermos eficazes – é óbvio que tivemos também muitas oportunidades para fazer mais golos na quinta-feira – e depois, no domingo seguinte, já não sermos tão eficazes. Não há uma explicação clara que eu vos possa dizer porque é que aconteceu de uma forma ou de outra. É óbvio que, como eu disse há pouco, pelo menos três bolas nos ferros também foram situações que aconteceram. Mas eu torno a referir, e não entrando muito só por essa parte da ineficácia, quando sofremos dois golos da forma como sofremos, normalmente vamos ter dissabores, e foi o que aconteceu. Tão simples como isso. É óbvio que, se tivéssemos feito mais dois ou três golos, como deveríamos ter feito, iríamos acabar por ganhar o jogo. Mas, da mesma forma, sofrendo golos assim, não estaríamos contentes. Seriam pontos importantes para nós, mas não poderíamos estar contentes da forma como sofremos os dois golos. [Acha que houve alguma falta de concentração desta vez?] No quê? Na finalização? Não, não me parece de todo. É óbvio que já na fase final há ali alguma ansiedade de tentarmos fazer o golo. Isso parece-me claro e acho que é uma situação natural. Não me parece falta de concentração. Não vou por aí. Podemos falar de concentração noutros momentos mais importantes do que propriamente em momentos de finalização, em que não conseguimos colocar a bola na baliza. Não vou por aí." |
| LEVAR A FRUSTRAÇÃO PARA O CAMINHO CERTO |
| "O impacto é a frustração que está dentro de nós, que temos de levar para o caminho certo. A frustração que está nos nossos adeptos neste momento também. Era um jogo para nós ganharmos, teríamos de o ganhar e não o conseguimos, e temos de encará-lo de frente. Tristes, frustrados, mas sem arranjar meios-caminhos por onde ir. É seguir em frente, esta é que é a realidade. Perdemos dois pontos que não deveríamos ter perdido. Temos de ir buscá-los depois noutro campo e noutro tipo de jogos. Esta é a única forma que eu tenho de encarar este momento. É óbvio que falou da época passada, falou de muitas coisas que não é importante trazer para aqui. Neste momento, nós acreditamos naquilo que temos a fazer, temos um caminho a percorrer. Há algumas situações ainda que temos de continuar a tentar retificar naquilo que é a composição da nossa equipa e tentarmos tornar o Benfica cada vez mais forte. Esse é o nosso objetivo. Perdemos dois pontos, é uma realidade. Teremos de ir buscá-los noutro jogo. Para a semana há mais um jogo muito importante para nós que queremos ganhar." |
| AGRESSIVIDADE: MELHORAR |
| "Adepto deste clube não se habitua a empates em casa. Eu percebo o que está a dizer, que foi uma realidade que aconteceu muito no ano passado, e começámos claramente em falso com este empate. Agora, uma coisa é o resultado que tivemos, como em alguns do ano passado, como falou. Outra coisa é os nossos adeptos se habituarem a isso. Está longe de isso acontecer. Se estivessem dentro do Estádio, iríamos sentir a frustração com que eles estavam. Portanto, se há coisa a que eles não se vão habituar nunca é a empates em casa ou a empates quando veem o Benfica jogar. Em relação à explicação para este empate, eu já disse há pouco: podemos ir por dois caminhos. O caminho por onde eu quero ir mais é pela forma como nós sofremos golos que não podemos sofrer a este nível. Eu disse ontem [sábado], na antevisão do jogo, falei da palavra de sermos sólidos, sermos compactos. Uma coisa é termos uma mentalidade ofensiva, uma ideia clara de jogo, uma identidade como equipa em que queremos ser dominantes, queremos jogar para ganhar, claramente, e há várias formas de o fazer. Agora, depois, há outra questão que nos pode levar a um caminho que é ganhar títulos, que é ganhar competições, que é ganhar troféus, que é solidez, que é, nos momentos certos, sermos concentrados, que é, nos momentos certos, sermos agressivos e termos contacto. E, quando eu digo contacto, é um contacto positivo. Temos, como jogadores, de ter contacto com o adversário nos momentos em que temos de ter contacto com o adversário, para não acontecerem as oportunidades de golo que o adversário marcou esta noite." |
| "GRANDÍSSIMO" JOGO DE PRESTIANNI |
| "O Prestianni fez mais um grandíssimo jogo, a criar de variadíssimas formas sobre o corredor, em cima do adversário, a combinar bem também, a esperar pelos momentos certos para o Dahl chegar, quer o Dahl, quer o Sudakov. E há uma realidade: naquele momento [entrada de Schjelderup], nós queríamos ainda dar mais acutilância ao nosso lado esquerdo e colocar o Rafa, acima de tudo, na posição 10. Esse foi o nosso objetivo, mexer na posição 10, tirar o Rafa do corredor direito. E teríamos algumas soluções, colocar lá o Lukebakio ou outro jogador mais aberto no corredor. Quisemos manter aquilo que era a nossa estratégia com que começámos o jogo e que, em termos ofensivos, sinceramente, estava a funcionar. Estávamos a criar oportunidades de golo, o ala mais por dentro e o lateral mais por fora. Foi dessa forma que nós planeámos o jogo, e foi simplesmente manter isso. Eu percebo a questão. O Prestianni não deixou de criar, mesmo na direita continuou a criar e, depois, quando passou para dentro, numa zona mais interior, também continuou a criar." |