20h10 CET
27/01/2026
Antes da conferência de imprensa, em declarações à BTV e à Sport TV, o treinador das águias fez a primeira abordagem a um duelo no qual as águias não têm qualquer margem de manobra na matemática do apuramento para a fase seguinte da competição.
"Estamos numa situação extremamente complicada para nos podermos qualificar, mas, vencendo e tendo a sorte de outros resultados, ainda fica uma possibilidade em aberto. Eles podem ter mais potencial do que nós, mas nós somos sempre o Benfica, e o Benfica irá à procura da sua sorte", começou por dizer José Mourinho.
"O Real Madrid é uma equipa que, pela maneira como interpreta o jogo, pela maneira como normalmente joga, é muito forte em alguns aspetos do jogo. Nós, por um lado, temos de ser arrojados, não podemos ter medo, não podemos ter nenhum tipo de complexo de estar a jogar contra este Real e contra estes jogadores, mas, ao mesmo tempo, temos de ter respeito. Temos de olhar para eles e sentir que a qualquer momento nos podem castigar. É o tipo de equipa em que o adversário comete um erro e eles castigam. Temos de ter isto em atenção", alertou, posteriormente, o técnico, aludindo aos pontos fortes de um conjunto "habituado a ter os melhores jogadores do mundo" nos seus quadros.
Garantindo que o grupo permanece "unido, amigo e empático", o técnico do Benfica assegurou que todos os jogadores estão concentrados na responsabilidade que é defender o Clube, antes de encarar uma ronda de perguntas dos jornalistas, que também incidiram sobre a presença do ex-pupilo Álvaro Arbeloa no comando do Real Madrid, bem como do seu tempo no banco merengue.
Como treinador do Benfica, este é um jogo especial, a sala está mais cheia do que costuma estar, há mais lugares ocupados. Olhando para o jogo que vai acontecer amanhã [quarta-feira], as duas equipas querem ganhar. Que tipo de jogo é que acha que pode acontecer? Acha que é um jogo onde duas equipas se vão encaixar bastante? Acha que o jogo poderá partir muitas vezes, está relacionado com um golo no princípio do jogo? Como é que olha para estas duas equipas que querem ganhar?
É difícil prever. Eu acho que por muitos fenómenos que existam a falar de futebol, há uma coisa que continua a ser inegável e, ao mesmo tempo, fantástica, que é a imprevisibilidade do jogo. Nunca se sabe o que é que pode acontecer. É difícil prever. Analisas o adversário, desenvolves a tua própria equipa, desenvolves o teu próprio plano de jogo, mas, mesmo assim, existe uma dose grande de imprevisibilidade. É difícil de dizer. Aquilo que nos resta fazer, respeitando essa natureza do futebol e do jogo, é preparar a equipa o melhor possível e jogar o jogo com respeito por um adversário que nós sabemos quem é, e quem são eles, mas também sabemos quem somos e temos de jogar o jogo com o único objetivo que nós temos. Há uma pergunta anterior ao Nico [Otamendi] sobre os outros resultados: não temos de pensar nos outros resultados. Se não ganharmos, não há resultados que nos possam qualificar. Só ganhando é que podemos depois, no final do jogo, constatar se os resultados foram favoráveis ou desfavoráveis. Portanto, o objetivo é só um, que é tentar tudo para ganhar o jogo, mesmo sabendo quem está do outro lado.
Passaram muitos anos desde que esteve no Real Madrid, e eu queria perguntar-lhe sobre uma das conferências de imprensa mais famosas desse momento, em que perguntava – depois de alguns jogos contra o FC Barcelona – "porquê" muitas vezes. Há uma investigação pendente em relação a um caso de arbitragem, e eu queria saber um pouco se o tempo respondeu a essa pergunta.
É uma coisa que não me interessa. Honestamente, não me interessa. Eu vivo a minha carreira dia a dia. Penso em hoje e amanhã, não em ontem. O que passou, passou, e já está.
O árbitro deste jogo é um árbitro [Davide Massa] que bem conhece de Itália, já lhe deu alguns dissabores. Que comentário lhe merece? Por outro lado, estamos a poucos dias do fecho de mercado: espera mais alguém no plantel, ou, em termos de entradas, está fechado?
Relativamente ao plantel, sejam entradas ou saídas, nunca gosto muito de dizer que a porta está fechada, porque, enquanto o mercado está aberto, há sempre essa imprevisibilidade, nunca se sabe o que é que, eventualmente, poderá acontecer. Se me perguntar se os 2 jogadores que entraram [Sidny e Rafa], e que infelizmente não podem estar disponíveis para amanhã [quarta-feira], são jogadores com qualidades para ajudar a equipa a ser melhor nesta segunda metade de época, sim. São 2 jogadores que são importantes para nós, para nos ajudarem a sermos melhores nesta segunda parte da temporada. Se me perguntar se estou desesperado a pensar que algum jogador vai sair, ou não, não estou. Estou completamente tranquilo a respeito do mercado. Relativamente ao árbitro do jogo: há umas semanas eu disse aqui, sobre o Campeonato português, que antes dos jogos nunca me preocupo muito com quem é o árbitro, na maior parte das vezes nem sei quem é. Não gosto de comentar sobre árbitros antes dos jogos, porque gosto de ir para o jogo a pensar que o árbitro vai para fazer o seu trabalho o melhor possível. Depois dos jogos é quando eu muitas vezes falo de árbitros. No último jogo contra a Juventus, acabei por não falar, mas se falasse era para dizer que o árbitro foi absolutamente fantástico. Tanto ele como o VAR foram absolutamente fantásticos. Gosto muito de o dizer quando perco, para valorizar o facto de que muitas vezes se perde e os árbitros são bons. Relativamente ao árbitro de amanhã [quarta-feira], vamos esperar pelo final do jogo. Antes do jogo não gosto de comentar.
"Aquilo que nos resta fazer, respeitando essa natureza do futebol e do jogo, é preparar a equipa o melhor possível e jogar o jogo com respeito por um adversário que nós sabemos quem é"
José Mourinho
Na semana passada deixou uma reflexão em que chamou a atenção da juventude, da inexperiência de certos treinadores que estão a chegar à Premier League. Gostaria de perguntar se a inexperiência e a juventude que tem [Álvaro] Arbeloa, agora como novo treinador de Real Madrid, se lhe chama a atenção? E como vê estas primeiras duas semanas dele como treinador no clube?
Vocês, jornalistas, têm uma qualidade que respeito muito, que é de levar as coisas na direção que vos interessa. A pergunta que me fizeram foi se para mim era uma surpresa Spalletti treinar a Juventus. E a minha resposta é, relativamente a uma pergunta muito objetiva, se Spalletti tinha condições para treinar a Juventus. Esta foi a pergunta. A resposta é, em defesa de Spalletti, obviamente que não me surpreende que Spalletti treine a Juventus e que treinadores com grandes trabalhos, com grandes currículos, treinem os melhores clubes. O que me surpreende é quando um treinador sem história treina um grande clube. É uma reflexão que me parece normal e conto-lhe uma história que reflete bem essa situação. No ano 2000, um gigante que se chama Benfica chamou um treinador que não havia treinado ninguém para ser treinador de Benfica. E esse treinador respondeu, não vou porque não quero ser adjunto, porque eu pensava que me queriam para adjunto. Afinal queriam-me como treinador principal. Foi a minha primeira grande surpresa. Um jovem treinador que não havia treinado ninguém ir diretamente treinar um gigante. Foi isso que me aconteceu e foi com surpresa que vivi essa situação. Em Itália deu para falarem de [Cristian] Chivu. Em Espanha deu-vos para falar de Arbeloa. Mas há só um problema, tanto Chivu como Arbeloa são meus meninos. Não só são jogadores, ex-jogadores meus, como são ex-jogadores especiais. Falando de Álvaro [Arbeloa], eu diria mesmo que é um dos jogadores que, do ponto de vista humano, do ponto de vista da relação pessoal, da empatia pessoal, é um dos meus jogadores favoritos de sempre. Não foi, claro, o melhor jogador que jogou na minha equipa no Real Madrid, mas é, seguramente, um dos melhores homens que jogou na minha equipa do Real Madrid. Era o último em que eu poderia meter pressão, pressionar, era o último. Mas vocês, de forma geral, são muito inteligentes no modo como fazem o vosso trabalho. Eu ao Álvaro [Arbeloa] só espero que tudo lhe corra muito bem e que ele possa ter uma carreira fantástica como treinador.
Como é que se prepara uma equipa que vai defrontar um conjunto recheado de estrelas? A nível defensivo, o Benfica pode perder também um bocadinho a matriz que tem, tendo em conta que, provavelmente, tem de ter atenção redobrada a Vinícius, Mbappé, Bellingham. Como é que o Benfica vai entrar em campo também desse ponto de vista?
Primeiro que tudo, o Benfica tem de jogar com as características que tem, e não com as que não tem. Analisando este Real Madrid, e se me perguntar se gostaria de jogar como nós vamos jogar amanhã [quarta-feira], eu diria não. Gostaria de ter possibilidade de estrategicamente jogar de outro modo, mas temos de jogar de acordo com o potencial que temos, com as qualidades que temos e não com as qualidades que não temos. Não me querendo alargar muito, porque obviamente não quero fazê-lo, há uma coisa que é muito óbvia, que é muito básica, que é: para ganhar, temos de marcar mais um golo do que o adversário. Não marcar, não nos permite ganhar. No máximo, permitir-nos-ia empatar. Se temos de marcar, temos de jogar para marcar, mas, ao mesmo tempo, para marcar mais um golo do que o adversário, significa que não podemos sofrer muitos. Ou seja, temos de ser equilibrados. Agora, repetir o jogo que fizemos em Turim [ante a Juventus], onde pisámos a área adversária com bola 34 vezes e não fizemos um golo, não acredito que amanhã pisemos a área adversária 34 vezes. E nas vezes que pisarmos temos de fazer golo.
Queria perguntar-lhe por Xabi Alonso. Chegou ao Real Madrid, esteve lá pouco tempo. Tinha uma boa relação com Xabi quando era jogador do Real Madrid. Surpreendeu-o que ele durasse pouco tempo no cargo? Conversou com Xabi?
O Xabi é outro dos meus miúdos, sim, outro de quem só tenho recordações positivas. Tive a mesma emoção que terei amanhã [quarta-feira] ao jogar contra o Álvaro. Joguei contra o Xabi, e tocou-me. Emocionei-me antes e depois do jogo. Emociona-me jogar contra estes miúdos. O que ele fez no Leverkusen foi uma alegria muito grande, chegar a treinador do Real Madrid foi uma alegria muito grande. Depois, o que aconteceu, como terminou, porque terminou, honestamente, é algo que não me interessa, e, hoje, no futebol, é muito difícil que alguma coisa me surpreenda. Tudo pode acontecer, mas, agora, tenho a certeza de que a sua carreira irá numa outra direção e de que ele será muito feliz, porque demonstrou, principalmente no Leverkusen, o nível de treinador a que pode chegar.
"Em Turim [ante a Juventus], pisámos a área adversária com bola 34 vezes e não fizemos um golo, não acredito que amanhã pisemos a área adversária 34 vezes. E nas vezes que pisarmos temos de fazer golo"
Ficar fora do play-off significará um falhanço a nível desportivo, ou há atenuantes que podem explicar isso? Ainda a propósito do mercado: a qualificação para o play-off da Champions League faz condicionar um ataque ao mercado nos últimos dias?
Não penso que a qualificação, ou não qualificação, tenha alguma coisa que ver com mercado. O Benfica fez mercado no verão, agora tenta melhorar a equipa para o que resta da época, com equilíbrio, e não me parece, estou absolutamente convencido que não tem nada que ver com o qualificar ou com o não qualificar. A hipotética não qualificação pode ser vista de perspetivas diferentes. Eu acho que o grande problema desta fase de qualificação passa pela derrota inicial em casa, num jogo que era obrigatório ganhar, que nos deixaria neste momento com 9 pontos, e, muito provavelmente, a 1 ponto de nos qualificarmos. E depois passa também por jogos que acabámos por perder. Eu diria que a derrota em casa com o Leverkusen, completamente injusta e descontextualizada – mas é uma derrota –, também marca a qualificação.
Primeiro, felicidades pelos seus 63 anos. Há algumas semanas, Guardiola aconselhava Xabi Alonso, antes de ser destituído, que morresse com as suas ideias. Eu queria perguntar, primeiro: o que pensou quando soube que Arbeloa iria treinar o Real Madrid? E segundo: que conselho pode dar a Álvaro Arbeloa para que as coisas lhe corram bem, como correram na sua carreira de treinador?
O que pensei imediatamente é que espero que tudo lhe corra bem, que é o que eu quero. Arbeloa pode treinar qualquer clube do mundo, que eu quero que tudo lhe corra bem. O Real Madrid pode ser treinado por qualquer treinador do mundo, que eu quero que tudo corra bem. O Real Madrid com Arbeloa, imagine o quanto eu quero que tudo corra bem. Só amanhã [quarta-feira] é que quero que corra mal. Depois, quero que tudo corra sempre bem. Sempre, porque quero muito bem ao Real Madrid e quero muito bem ao Álvaro [Arbeloa]. Não posso analisá-lo como treinador porque não o conheço. Eu agora estar a dizer que o Álvaro é um fenómeno, não o posso dizer porque não o conheço como treinador. Não o vi treinar, só sei os resultados, mas não segui com os meus próprios olhos o seu trajeto com os jovens no Real Madrid. Não posso dizer nada. O que posso dizer é que tem uma dimensão humana para ser treinador do Real Madrid. Conselhos? Absolutamente nenhum. A única coisa importante para mim é que ele esteja feliz. Porque, hoje em dia, ser treinador é uma missão muito difícil. Muito difícil, principalmente porque há sempre muita gente que sabe mais do que nós. E que fala de nós todos os dias, que nos critica todos os dias. E que se faz de influenciador no mundo do futebol. É muito difícil. E para gente que começa agora, como o Álvaro, é importante que ele goste. Ele tem de gostar muito deste trabalho. É a única coisa. Se amanhã ele me disser, José, estou encantado por ser treinador, eu fico tranquilo.
"Temos de jogar com o pensamento único de que temos de ganhar. Não temos de estar preocupados com o que pode acontecer noutros estádios"
Tem um plantel jovem ao qual falta alguma experiência de Liga dos Campeões. Além da tática, além da estratégia, o que é que se diz a uma equipa, a um plantel antes de um jogo desta dimensão e desta importância?
O mesmo que eu disse na Juve. E você pode-me dizer "o que você disse não funcionou porque vocês perderam", mas eu acho que fomos bem-sucedidos no approach. Quando chegas a uma altura em que não tens nada a perder e tens pela frente as grandes equipas, os grandes jogadores, equipas que têm uma estabilidade pontual que lhes permite outro tipo de approach, tens de ir com tudo. Ou matas, ou morres de pé. E é isso que nós vamos tentar amanhã [quarta-feira], com equilíbrio, porque se não tivermos equilíbrio, como eu dizia anteriormente, o Real Madrid é uma equipa que castiga. Estes jogadores de top castigam. Estes jogadores de top não precisam de meter 37 pés dentro da área adversária, metem 3 pés e fazem 3 golos. Castigam, é gente que castiga. São de um nível tão alto que estão à espera do teu erro para te castigarem.
Falou com Álvaro Arbeloa, teve essa oportunidade? Qual vai ser a chave deste jogo? Que últimas instruções vai dar?
Não, não falei com o Álvaro. O meu número de telefone é muito complexo. Porquê? Porque o único que está sempre é o telefone do clube, que depois só a minha família é que tem, e, depois, o meu outro telefone gira, gira, gira, muda, muda, muda, e, do mesmo modo que as pessoas perdem o meu contacto, eu também perco o contacto de muita gente. E, com o Álvaro, não é necessária uma chamada entre nós para dizer-lhe "muita sorte". Ele sabe-o, ele sabe-o. Do mesmo modo que eu sei que o Álvaro pensa o mesmo. O Álvaro quer ganhar ao Benfica, e depois quer que o Benfica ganhe sempre. É assim, seguramente. Não é necessária nenhuma chamada. E, depois, a coisa é muito simples, para nós é muito simples: se não ganhamos, não existem contas a fazer; se perdemos, estamos fora, se empatamos, estamos fora. Se ganhamos, vamos para o balneário, e, aí, no balneário, vamos saber se nos qualificamos ou se não nos qualificamos. Não temos outra opção. Temos de jogar com o pensamento único de que temos de ganhar. Não temos de estar preocupados com o que pode acontecer noutros estádios.